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domingo, 22 de dezembro de 2013

Ankhalimah - Discografia Comentada

Sempre insisto muito na qualidade do Metal brasileiro. Sempre faço questão de realçar a magnificência das bandas de nosso território nacional, e, ainda em primeira instância, dar apoio. Não por "obrigação", mas por merecimento. É tanta coisa brilhante que nossa cena tem, em todas as vertentes, em todo o país, que é possível abater-se ao pensamento de que aqui, em casa, essas bandas de músicos criativos, habilidosos e competentes, não recebam tanto reconhecimento, enquanto muitas vezes, lá fora, se tornam gigantes. Tudo bem, algumas são novas e ainda têm que trilhar o caminho em direção ao topo, mas ainda assim, é brilhante como temos grupos reluzentes aqui.
Para eu falar isso tudo, já ficou claro que essa postagem disserta sobre mais uma banda que merece as vibrações dos tímpanos dos headbangers, em especial aqueles que são fãs de algo mais artístico, erudito, clássico, épico. Pois é. Como se trata de Metal, e fiz relação com elementos operísticos, não é difícil adivinhar que o gênero gritante aqui é o Symphonic Power Metal. É ele mesmo. E poderoso. Composto com maestria.
Em meio a um mercado absolutamente congestionado, com diversas bandas fazendo 'covers' umas das outras e não conseguindo (ou não almejando) oferecer nada de diferente ao estilo (e claro que me refiro ao Symphonic e ao Power Metal, bem como a fusão), ainda me impressiona que existam bandas que se destacam, e mais impressionante ainda, que me fazem repetir audições. Faço tal afirmação pois sou definitivamente cansado dos dois gêneros. Na minha adolescência, foram uma constante. Hoje, com a saturação e a falta de criatividade (apesar das ótimas bandas), exploro outras terras mais longínquas, algo que certamente é engrandecedor. Soterrado sob camadas de bandas, acrescidas do fato de ainda serem novos, o Ankhalimah é um conjunto que já merece maior reconhecimento e saída do quase anonimato.
Na cidade de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, nasceu, em julho de 2007 e de forma descompromissada e amistosa, o Ankhalimah, cujo nome é uma interessante fusão entre três palavras: "Ankh" (conhecido símbolo da vida egípcio), "Kalimah" (palavra árabe retirada dos Seis Kalimahs do Islã) e "Ancalima" (palavra da língua élfica Sindarin, d'O Silmarillion de J.R.R. Tolkien. Significa " o mais brilhante" ou "o mais radiante"). O vocalista Guilherme Klausner e o guitarrista Yuichi Inumaru, fundadores, não tinham pretensão alguma além de ocuparem-se como um mero hobby. Com isso, a primeira formação contou também com Gabriel Martins na segunda guitarra, Victor Hugo Lopes no contrabaixo e Cadu Franco na bateria.
Em vista que a banda não era séria e cada membro tinha seus próprios afazeres (como estudos, principalmente), os primeiros tempos foram bem conturbados no que diz respeito à estabilidade da formação. Membros iam e vinham. Alguns saíam por questões de direcionamento musical, outros, por brigas, tal como ocorreu entre os dois fundadores, desembocando na saída de Yuichi. Todavia, pouco depois eles fazem as pazes e voltam a tocar juntos no projeto. O período também foi marcado pelo início de projetos e bandas paralelas, demonstrando ainda pouca seriedade com o Ankhalimah.
O auge do incômodo da instabilidade foi em 2010, quando a banda não suportou a instabilidade e os problemas frequentes entre antigos e novos membros, e se desfragmentou por completo, levando os músicos a se dedicarem a outros projetos. Por exemplo, o guitarrista Arthur Fernandes (que chegou em meio a tempos conturbados e saiu um pouco antes do fim da banda) e o fundador Yuichi Inumaru formaram o Metais de Transição, enquanto o também recém-chegado guitarrista Pedro Drummond e o vocalista e fundador Guilherme Klausner iniciaram o Neon Black.
Naquela época, de forma prática, o Metais de Transição funcionava melhor que o Ankhalimah. Contudo, no finzinho de 2010, a banda encontrou seu fim, o que levou Yuichi a ter a ideia de profissionalizar sua paralisada ex-banda. Para isso, contou com a colaboração do vocalista Guilherme e do guitarrista Arthur novamente, baseado na convicção de que essa formação seria fixa e unida. E assim foi. O máximo que ocorreu foi a entrada do tecladista Caio Dieguez (Scarlet Horizon) em 2011, ano em que o projeto foi oficialmente reativado, e nenhum outro membros oficial foi adicionado. Passaram a contratar músicos para auxiliá-los, eliminando, assim, problemas de ego, e finalmente os cavalos começaram a puxar a carroça efetivamente.
Com norte traçado, os trabalhos de composição de material autoral tiveram início em maio de 2011. Ao longo de um ano de trabalho, demos foram lançadas, e a sonoridade desenvolvida e cada vez mais caracterizada, moldando o veloz amadurecimento. Algumas das faixas até tinham sido compostas em tempos anteriores, mas ganharam uma cara completamente nova. Pegando 'emprestado' o baterista Tauanã Guarino, o Ankhalimah finalmente estava pronto para entrar em estúdio para gravar o debut no segundo semestre de 2012, trabalho árduo concluído no fim do ano.
Produzido por Marcelo Oliveira (Hydria) e repleto de classe e vibrações interessantes, o debut "I" foi lançado de forma independente em janeiro de 2013 através da disponibilização para download grátis em seu site oficial. O nome "I" faz alusão tanto à palavra "eu" quanto ao número 1, simbolizando ao longo do álbum a reflexão filosófica do conflito do homem que vive no ego, separado da unidade.
Sonoramente falando, o registro é maravilhoso o suficiente para capturar a atenção de todos que são adeptos do estilo, quiçá de fora também. Guilherme Klausner, apesar de não elevar às alturas o tom de sua voz como reza o "código do intérprete vocal de Power Metal", mostra-se dono de uma voz bela e de tom médio a grave que se encaixou muito bem em uma sonoridade que explora bombásticos teclados, fortes coros e muitos momentos de turbulência, momentos esses que ele tende a "agressivar" a voz. O interessante é que o álbum conta com uma sonoridade realmente pegada, com bateria participativa e variada, bumbos que não param de tomar porrada, guitarras frenéticas e solos habilidosos e velozes que duelam com os solos dos teclados. Por vezes, a atmosfera super preenchida cede espaço a pianos, violinos, entre outros instrumentos, e até mesmo momentos de calmaria ao som de violão (quando não se trata de faixas exclusivamente baladas).
Cá está mais uma banda que, de fato, utiliza seus instrumentos, sua criatividade e seu conhecimento de maneira acima da média, exalando uma musicalidade rica e maravilhosa. Mais uma banda brasileira de qualidade para o nosso acervo. Estejam prontos para uma experiência formosa e neoclássica!

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 I (2013)

01 - Ankhalimah
02 - Radiant
03 - Two Edged
04 - Edge of Madness
05 - For Our Best
06 - Magnetic
07 - Nell Mezzo del Camim
08 - Prison of Vices
09 - Vampire
10 - Plot Against Humanity
11 - Valentine

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