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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Thy Light - Discografia

Apesar do tamanho desavantajado da Europa em comparação aos demais continentes, e de sua pluralidade cultural em diferentes países, mesmo que tão próximos, aquele pedacinho de terra é um grande produtor e consumidor de Metal em geral. Todos sabemos disso. Lá, o povo é muito bem educado no que diz respeito a música pesada, o que faz com que o alto grau educacional dos países (consequência dos investimentos), acabem por criar talentosos músicos que conquistam seu público e consomem os produtos, e por consequência, influenciam novas gerações de músicos virtuosos, mantendo vivo um ciclo que por sinal, não tem fim. De lá, tantas bandas fenomenais se espalham pelo globo, tornando o Metal um estilo musical mundial, e a Europa o principal centro e foco da vertente.
Infelizmente, isso não acontece no Brasil. Não temos uma educação metálica. Para muitos, esse gênero musical que tanto amamos nem existe, o que me impressiona se paro pra pensar em algumas coisas que já ouvi gente desinformada falando. Mas não é culpa deles. Contudo, o que a Europa tem de adeptos e consumidores do estilo, nós brasileiros compensamos em grande número populacional, o que faz com que, apesar de uma esmagadora maioria da população não curtir ou não saber da existência do estilo musical mais rico do mundo, ainda assim, nossa cena seja vasta, vasta o suficiente para abranger até as vertentes mais underground e distantes de nossa realidade, e ainda por cima, em alta qualidade. Pois é, o Thy Light é mais uma dessas bandas que executam um estilo que dificilmente se imagina um brasileiro fazendo, ainda mais em uma cidade improvável: o Depressive Suicidal Black Metal.
País do Carnaval, do Samba, do futebol, do sorriso estampado no rosto, do auto astral? Não para dois amigos que vivem na cidade de Limeira, no interior de São Paulo. Em 2005Paolo Bruno e Alex Aguiar decidiram iniciar uma banda que explorasse o que há de mais contrário em nosso contexto: uma sonoridade melancólica e depressiva. Ficou decidido que Paolo cuidaria de todos os instrumentos e voz, e que Alex comporia as letras.
O primeiro registro do som dos caras veio em 2007, com a fita cassette demo "Suici.De.pression", limitada a 500 cópias e lançada através do selo australiano Ruin Productions, colhendo positivas críticas da mídia. A sonoridade atinge seu objetivo: é triste e ríspida. As guitarras são crespas e cortantes, o piano dá um toque a mais na atmosfera negativa. Auxiliando bastante na aura, teclados são utilizados na ambientação dos arredores das notas. Tudo interpretado por um vocal sofrido e arrastado por parte de Paolo, como manda o manual de instruções do gênero.
Em alguns momentos, demonstram mente aberta e se desprendem daquilo que a vertente (e a crença popular) instintivamente impõe; um belo solo é introduzido na segunda metade da faixa "In My Last Mourning...", algo não muito esperado, mas utilizado como leves elementos pelos músicos, que admitem influências externas. Detalhe que a faixa que encerra essa demonstração, "...and I Finally Reach My End", não tem letras. São apenas gritos de dor e ódio ao longo de seus 13 minutos de duração. A inspiração para a composição da obra foi a profunda depressão e melancolia causada pelo suicídio do jovem Everaldo Dolensi Junior, que tinha apenas 22 anos, no dia 18 de setembro de 2006. Em 2012, o disco viria a ser remasterizado e relançado pelo selo chinês Pest Productions, novamente com tiragem limitada a 500 cópias.
O álbum debut só veio a ser lançado cinco anos mais tarde, em julho de 2013. "No Morrow Shall Dawn", também lançado pela Pest Productions, demonstra notável maturidade e maior destreza na composição. Ao mesmo tempo em que é depressivo e conta com profundos solos, é também um tanto cinematográfico, pois os teclados são um pouco mais fortes e as lacunas melhor preenchidas nos momentos de ápice. As passagens dedicadas a algo mais suave e agônico também dão um show, levadas à base de um lento violão e até piano. Coisa linda! O que é feito também lembra um pouco ao Alcest, o que reflete, novamente, em uma maior amplitude da musicalidade executada. Por isso, o álbum se faz recomendadíssimo pra quem curte os franceses e não conhece o Thy Light.
Aqui está então uma excelente banda oriunda de solo nacional, que faz com competência e beleza algo que não se relaciona muito com o nosso contexto, por mais que vários bangers sejam adeptos dessas sub-vertentes. Conheçam a "Tua Luz" em meio às trevas envoltas do som dessa linda banda!


 Suici.De.pression (Demo) (2007)

01 - Suici.De.Pression (Introduction To My End)
02 - In My Last Mourning...
03 - A Crawling Worm In A World of Lies
04 - I Am The Bitter Taste of Gall
05 - ...and I Finally Reach My End


 No Morrow Shall Dawn (2013)

01 - Suici.De.spair
02 - Wanderer of Solitude
03 - No Morrow Shall Dawn (feat. Tim Yatras)
04 - Corredor Seco
05 - The Bridge


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