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sábado, 2 de novembro de 2013

Ghoultown - Discografia

Existem bandas que são um tanto fora daquilo que costumamos ouvir com frequência que acabam por nos tocar de tal forma que ficamos altamente viciados. Isso, claro, é interessante, pois é por aí que expandimos nosso gosto musical; basta a banda certa surgir, ou a música certa, ou até mesmo o refrão certo. Foi assim comigo em relação ao Ghoultown: distante de algo costumeiro, mas fascinante. Bastou que eu ouvisse a música certa do álbum certo.
No caso desse fantástico grupo texano, a questão do álbum certo tem um peso enorme na forma como ouço aos caras. Digo isso porque o Ghoultown é uma daquelas bandas que você vicia pra cacete em um trabalho específico, e quando vai se expandir aos demais, apesar de gostar deles, a mesma química não rola tanto, e você percebe que, se não fosse "Aquele Trabalho", provavelmente você não se prenderia a eles, mesmo que sejam bons!
Minha primeira experiência foi ouvindo a empolgante (principalmente pela letra) "Drink With The Living Dead", que inclusive traduzi no meu canal no Youtube. A canção é proveniente do álbum "Life After Sundown", de 2008, um puta CD que eu poderia rasgar elogios eternamente. Os demais são ruins? Certamente não, rapaz! Mas esse simplesmente tem um diferencial à parte, que dura do primeiro ao último segundo e o põe claramente em evidência em relação aos demais, por ser mais maduro, melhor trabalhado, mais coeso, atraente.
Você já deve estar se perguntando que porra de banda é essa e o que esses cowboys fazem, né? Esses caras são simplesmente brilhantes e diferentes de qualquer coisa que você já tenha ouvido, apesar de, por se tratar de um som faroeste, te fazer lembrar de outras bandas. Mas o máximo é isso: "lembrar".
Ghoultown é uma banda de selo de qualidade único que faz uma mistura de elementos um tanto distantes entre si: são postos no liquidificador o Horror Punk, o Gothabilly e o Country. O resultado dessa batida é um som único, faroeste, texano/mexicano e apaixonante, interpretados por letras à base de bebedeiras em um faroeste zumbi. Pode parecer bobeira, mas a forma como esses caras contam as histórias nas canções é muito foda e empolgante!
O velho oeste viu o surgimento do Ghoultown à distância em meio à poeira em 1998, em Dallas, no TexasEstados Unidos, por iniciativa do vocalista e guitarrista Lyle Blackburn, que leva o pseudônimo Count Lyle. O músico já havia registrado uma passagem relevante no mundo metálico anos antes, no período entre 1988 e 1989, quando foi baterista, e de 1990 a 1996, quando moveu-se para o baixo do excelente Solitude Aeturnus, banda de Doom Metal também do Texas. Rapidamente um time foi montado, que por sinal contava com, além do fundador, Jake Middlefinger na outra guitarra, Lizard Lazario no violão, Queeno DeVamps no baixo, X-Ray Charles nas baquetas e Dez Black e/ou J. Luis nos trompetes (informações imprecisas).
Os cowboys não perderam tempo e já em 1999 lançaram seu primeiro registro, o ótimo e promissor "Boots of Hell". Certamente, um belo aperitivo sobre o que viria a ser a banda: um country com clima mexicano graças aos frequentes trompetes com belas pitadas de Rock/Punk. Gosto muito do trabalho! Outro detalhe magnífico é como a voz de Count Lyle combina perfeitamente com a atmosfera. Difícil pensar em outro vocalista que preencheria com perfeição esse posto. Os frutos do lançamento não poderiam ser melhores para uma banda iniciante: rápidas e positivas críticas e diversas aparições em compilações.
O tempo se passou então com a banda fazendo apresentações e trabalhando em seu debut. O resultado final saiu no início de 2001, sob o nome "Tales From The Dead West". Título muito maneiro, mas ao meu ver, disco nem tanto. O considero o mais fraco e menos atraente, não chegando a empolgar em quase momento algum. Gosto mesmo da faixa "Killer In Texas", que é um clássico da banda. As outras são mais medianas, apesar de não serem completamente ruins. O EP anterior me agrada bem mais. Ainda assim, ele mostra bem o perfil que viria a ser desenvolvido pela banda no decorrer dos lançamentos posteriores, e mesmo com o som ainda tímido, já tinham uma identidade, um jeito Ghoultown de ser. Entretanto, parece que a mídia da época discorda de mim, e que bom! As resenhas vieram positivíssimas, a banda ganhou maior visibilidade e passou a ser uma das atrações principais de grandes festivais, chegando a dividir palco com bandas como D.R.I.Hank IIIDick Dale, e, principalmente, uma de suas grandes influências, o Misfits.
O ano seguinte trouxe interessantes avanços para os caras. Pra começar, foram escolhidos para bolarem a trilha sonora do filme "American Nightmare", obrigando até mesmo o roteiro a ser alterado afim de incluir uma performance de camafeu por parte da banda, pois o diretor os havia assistido ao vivo e se encantou.
Pouco depois, mais uma ótima novidade chegou: o segundo álbum de estúdio, intitulado "Give 'Em More Rope". Sem sombra de dúvidas, um registro bem superior ao debut. Está mais forte, mais lúcido, mais profissional. Amadurecimento natural. Destaque para o uso dos trompetes, que são melhor explorados, criando um clima mexicano mais atrativo, impulsionado por uma melhor produção. Gosto muito desse disco, mas ele ainda não é tão forte no que diz respeito ao Punk Rock. O instrumental se mostra mais focado na climatização do cenário, aproxima-o mais do Country. Contudo, as melhorias deram a luz a belas canções como "Fisful of Demons", "Dia de Los Muertos", "Return of The Living Dead", "Dirty Sanchez" e "Bloodshot". Posteriormente, um contrato foi assinado com a Angry Planet Records, que se aliou à Corazong Records para a distribuição do álbum na Europa e Canadá.
Já 2003 foi completamente marcado por atividade no mundo cinematográfico enquanto faziam turnês pela costa leste dos Estados Unidos. "Killer In Texas" foi incluída na trilha sonora da curta-metragem "Headcheese", que foi lançada junto do filme "Freak". Pouco depois, músicas foram compostas para entrarem nos filmes "Slice of Life" e "Hallow's End", ambos de Jon Keeyes, que estavam para ser lançados.
O primeiro álbum ao vivo chegou às prateleiras em 2004. Gravado em sua terra natal, "Live From Texas!" não colheu positivas críticas à toa. A performance é poderosa e apreciativa, pois mesmo apenas ouvindo você sente a força e empolgação dos membros da banda, principalmente pela performance vocal de Count Lyle, que se mostra um cara de voz firme de verdade, não se resumindo a estúdio. Logo, satisfaz aos fãs mais exigentes, que sempre esperam fidelidade vocal nos palcos.
Dois mil e cinco passou sem grandes novidades para o Ghoultown. Porém, 2006 concedeu um grato presente aos fãs: o lançamento do fodaço terceiro álbum de estúdio "Bury Them Deep"! Ao meu ver, esse sim é o divisor de águas do "perfil Ghoultown"; o prelúdio do que a banda realmente é (mesmo que ainda viesse a ser melhor desenvolvido no próximo álbum), e de quanto potencial suas mãos e mentes resguardam. Aqui a sonoridade é dignamente mais coesa: o poder de um Punk animado, rápido, bem tocado e guiado por guitarras bem distorcidas e constantes backing vocals somado com violões devidamente tocados e graves correm perfeitamente de mãos dadas com a atmosfera mexicana soprada pelos trompetes. A tarefa de destacar faixas é até complicada, pois é foda do início ao fim e é bem linear. Se procura algo ainda mais Punk, são aconselháveis, em especial, as duas últimas músicas, "Texas Bound" e "Walkin' Through The Desert (With A Crow)". Daqui pra frente as coisas só melhorariam!
Em 2008, os texanos lançaram um vinil em edição limitada intitulado "Skeleton Cowboys", que contém apenas três faixas. Subsequentemente, aquele que considero uma verdadeira obra-prima foi lançado: o magnífico álbum "Life After Sundown"! Ele não é tão pesado quanto seu antecessor, mas ao mesmo tempo em que as guitarras são pesadas, variadas e participativas, muito espaço é aberto para violões, trompetes, percussões e trechos que dividem calmaria e tensão lado a lado. "Life After Sundown" não simboliza apenas um amadurecimento e domínio completo da proposta musical, mas também da proposta lírica. As letras te engolem muito bem sucessidamente para dentro desse faroeste negro e morto, e te empolgam. Vemos dois lindos perfis aqui: o de amadurecimento e completa coesão de todos os elementos em músicas como "Against A Crooked Sky", "Werewolves On Wheels", "I Spit On Your Grave" e "Drink With The Living Dead"; e um lado que relembra mais ao álbum anterior pelo afiado Punk apresentado em "Dead Outlaw", "Find A Good Horse" e "Under A Phantom Moon". Essa maravilha ainda abre espaço para mais um capítulo da série "cover melhor que a versão original", pois, na minha opinião, melhoraram de forma significativa a "London Dungeon", originalmente do Misfits. Esse disco é brilhante, o auge, e recomendadíssimo pra quem deseja conhecê-los.
Um DVD foi lançado em 2009, levando incluso uma mini-single nomeada "Mistress of The Dark", limitada a 2000 cópias. Essa belezinha nos trás seis faixas tão fodas quanto o último álbum, dentre as quais duas são inéditas ("Mistress of The Dark" e "My Halloween"), outra é regravada ("Return of The Living Dead", originalmente do álbum "Give 'Em More Rope", 2002), a verdadeira jogada de marketing e porta de entrada para muitos fãs, incluindo eu: a faixa "Drink With The Living Dead", e duas versões remixadas da faixa-título, feitas pra você não gostar mesmo.
Desde então o Ghoultown não lança nenhum material inédito, nem dão previsão disso. Até chegaram a lançar a compilação "The Unforgotten: Rare & Un-Released". Fora isso, nada relevante. A banda segue ativa, firme e forte, e eu aguardo ansioso por um próximo álbum! Já passou da hora, rsrs! A formação atual consiste em Count Lyle no vocal e guitarra, Jake Middlefinger na outra guitarra, Lizard Lazario nos violões, Santi no baixo, Dalton Black na bateria e percussão e Randy Grimm no trompete.
Acredito que valha a pena todo tipo de público dar atenção a esses cowboys. São diferentes e altamente fodas! Em especial quem curte um "Rock pé-na-porta", bem Stoner/Southern, vai correr risco de viciar, pois foi o que aconteceu com alguns do ramo que apresentei a banda! É capaz daqueles que não lerem a resenha baixarem algum disco mais fraco e não acharem grande coisa, por isso uma lidinha não vai fazer mal. Apreciem essa maravilha, é fodástico pra caralho!


 Boots of Hell (EP) (1999)

01 - Boots of Hell
02 - After 2
03 - Killer In Texas
04 - Pale Skin Diva
05 - Southern Witch


 Tales From The Dead West (2001)

01 - La Noche Diablo
02 - RotoRiculous
03 - Killer In Texas
04 - Ghost Riders In The Sky
05 - The Burning
06 - The Worm
07 - Midnight Train
08 - Gunslinger
09 - Death of Jonah Hex
10 - Running From The Sun


 Give 'Em More Rope (2002)

01 - Intro
02 - Fistful of Demons
03 - Dia de Los Muertos
04 - Return of The Living Dead
05 - Wicked Man
06 - Dirty Sanchez
07 - Hang Me High
08 - Smoke Break
09 - Wait Until Dark
10 - Man With No Name
11 - Bloodshot
12 - Draggin' Your Bones
13 - Whipping Post
14 - Bandito Sunrise
15 - Carry The Coffin
16 - To The Gallows


 Live From Texas! (Live) (2004)

01 - To The Gallows (Intro)
02 - Fistful of Demons
03 - Boots of Hell
04 - Wait Until Dark
05 - Man With No Name
06 - Pale Skin Diva
07 - Dia de Los Muertos
08 - Gunfight At Red Sands
09 - Dirty Sanchez
10 - Death of Jonah Hex
11 - Killer In Texas
12 - Carry The Coffin
13 - The Worm
14 - Return of The Living Dead
15 - Legend of Everett Sykes (Bonus Studio Track)


 Bury Them Deep (2006)

01 - Requiem At Sundown
02 - TeKilla
03 - Blood On My Hands
04 - Mexican Moonshine
05 - Bury Them Deep
06 - Revolución
07 - Texas Bound
08 - Walkin' Through The Desert (With A Crow)


 Skeleton Cowboys (EP) (2008)

01 - Skeleton Cowboys
02 - London Dungeon (Misfits Cover)
03 - Hog Trail (Online Bonus Track)


 Life After Sundown (2008)

01 - Cruel Winds of Dusk
02 - Dead Outlaw
03 - Against A Crooked Sky
04 - Werewolves On Wheels
05 - I Spit On Your Grave
06 - Thunder Over El Paso
07 - Find A Good Horse
08 - Drink With The Living Dead
09 - London Dungeon (Misfits Cover)
10 - Train To Nowhere
11 - Under The Phantom Moon
12 - Life After Sundown


 Mistress of The Dark (Bonus DVD Single) (2009)

01 - Mistress of The Dark
02 - Return of The Living Dead
03 - My Halloween
04 - Drink With The Living Dead
05 - Mistress of The Dark (Reanimated Mix)
06 - Mistress of The Dark (Dance of The Dead Mix)


 The Unforgotten: Rare & Un-Released (Compilation) (2012)

01 - Bury The Hatchet
02 - Killin's A Bitch (and This Bitch Is Killin' Me)
03 - The Legend of Everett Sykes
04 - Skeleton Cowboys
05 - The Ballad of Clarence Heckles
06 - Hog Trail
07 - Boots of Hell
08 - After 2
09 - Killer In Texas
10 - Pale Skin Diva
11 - Southern Witch
12 - Death of Jonah Hex (Alternative Version)
13 - Ten Seconds To Blood
14 - Wicked Man (Alternative Version)
15 - Fistful of Demons (Alternative Version)
16 - Gunslinger
17 - TeKilla (Live)
18 - Dirty Sanchez (Live)
19 - Revenge of Dirty Sanchez (Live)
20 - Between The West and The Setting Sun (Demo)
21 - After 2 (Demo)


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