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domingo, 15 de setembro de 2013

James LaBrie - Discografia

A voz de James LaBrie é uma daquelas que me acompanhou desde novinho, mas eu não sabia que era dele. Com a sorte de ter pais com bom gosto musical, a eclética playlist histórica deles sempre contou com músicas de época ou músicas que os agradassem de algum modo, principalmente oitentista, e, claro, Rock e Metal entravam na jogada até com certa frequência, apesar de não serem adeptos definitivos.
Dream Theater era uma das bandas que figurava no gosto deles, a partir de faixas como "Pull Me Under", "Another Day", "Under A Glass Moon" e "Metropolis". Eu muito ouvia eles ouvindo e curtia também, sem saber que banda era. Só na adolescência é que eu fui baixar os álbuns, pois ouvia avulsamente "Another Day" com alguma frequência e sentia a necessidade de me aprofundar. Comecei com o pé direito: "Images and Words", de 1992, meu preferido até hoje. Foi um flashback nostálgico absoluto, principalmente os riffs iniciais de "Under A Glass Moon". Foi aí que vi como a banda era foda, aprendi sobre os membros, me expandi aos demais álbuns e descobri quem era o proprietário daquela voz que me agradava desde pequeno. Esse é o cara!
Nascido em 5 de maio de 1963 em Penetanguishene, no estado de Ontário, no CanadáKevin James LaBrie ingressou no mundo musical desde bem cedo, tendo começado a cantar e tocar bateria aos 5 anos de idade, inspirado por seu pai. Era como uma "necessidade nervosa", pois desde os três anos já cantava músicas que tocavam no rádio (mesmo não sabendo as letras, cantando portanto as melodias) e batucava tudo que tinha na casa. Com as pessoas à sua volta notando seu talento com as cordas vocais mesmo sendo tão novo, fizeram o que aqui no Brasil não se faz: investiram. O jovem Kevin iniciou aulas de canto, seu professor o colocou na turma de canto, e ainda entrou numa banda com seu pai, tio e irmãos.
O jovem LaBrie cresceu bem influenciado. Ouvindo Rock, Metal e Música Clássica (bandas como MetallicaJourneyJudas PriestAerosmithVan Halen, e compositores clássicos como MozartVivaldi e Beethoven) e sabendo que o que realmente lhe interessava era o canto, parou de tocar bateria aos 17 anos. Aos 18, quando mudou-se para Toronto, sua vida musical começou a se agitar; fez parte de diversas bandas, algumas delas até sérias, quase conquistando contratos e tudo, como o Winter Rose, que tocava Glam. Foi nessa época que um empresário o avisou sobre o Dream Theater, banda nova iorquina que estava em busca de um vocalista. Correu atrás e o resultado todos conhecemos: fez renome mundial na história do Rock e Metal, principalmente Progressivos, ao lado do guitarrista John Petrucci, do baixista John Myung, do tecladista Jordan Rudess e do baterista Mike Portnoy (substituído em 2011 por Mike Mangini).
Além da banda principal, James LaBrie emprestou sua voz a diversas bandas e projetos por aí afora, tal como AyreonShadow GalleryFates WarningFrameshift, entre outros, e até mesmo faz parte do projeto True Symphonic Rockestra desde 2004.
Dentre seus diversos trabalhos e aparições, uma em especial eu demorei até demais para descobrir que existia: sua carreira solo, tema dessa publicação, que existe desde 1998. Até fui pego de surpresa quando vi, pois nem amigos viciados no Dream Theater jamais tinham comentado sobre comigo, e eu nunca tinha explorado o que LaBrie já havia feito além da banda, até porque os holofotes ficam mais direcionados para John Petrucci e Mike Portnoy.
Pois bem, na verdade, a carreira solo não começou solo, mas uma banda mesmo, apesar de não ser a vontade do vocalista. A gravadora achou que não era uma boa ideia pôr seu nome à frente, por isso, no princípio, sua carreira solo se chamou Mullmuzzler, palavra que define aquele que prevê os pensamentos dos outros antes mesmo que possam ser expressos em palavras. Contando com Mike Keneally na guitarra, Bryan Beller no baixo, Mike Mangini (SIM, ele mesmo) na bateria e Matt Guillory nos teclados, dois álbuns um tanto similares foram lançados sob esse nome: "Keep It To Yourself", em 1999, em "Mullmuzzler 2", de 2001. São dois discos fáceis de ouvir, não muito pesados (uma vez que são Progressive Rock), que contam com lindas canções compostas de forma que lembra principalmente o "Awake" (1994), do Dream Theater, ao menos aos meus ouvidos, o que faz esses trabalhos recomendados àqueles que têm como preferência a época inicial do grupo nova iorquino.
Interessante foi a transição do título da banda, que sempre essencialmente foi mesmo solo. No primeiro disco, era "Mullmuzzler". No segundo, "James LaBrie's Mullmuzzler", dando já uma referência a si próprio, uma vez que o Dream Theater já estava chegando às nuvens, e ao lançar o terceiro, por fim, já era levado puramente seu nome.
Após a saída do guitarrista Mike Keneally para a entrada de Marco Sfogli, veio então o álbum que representa o total controle do nome, bem como certa mudança na sonoridade, é o excelente "Elements of Persuation", lançado em 2005. Dessa vez, com um som mais firme, pesado e experimental, o que é apresentado é um Progressive Metal altamente acoplado com Heavy e Groove Metal, resultando em músicas de riffs bem graves. O disco conta também com um "sal a gosto", como a introdução de algo mais Nu Metal de forma esporádica, como na faixa "Alone", com travadas e "DJrismos", talvez até como remanescente do "Octavarium" do Dream Theater, lançado no mesmo ano e que também tem uma jogada mais moderna. Mas não é nada que atrapalhe os ouvidos dos ouvintes mais chatos. Certa cartada mais profunda e atmosférica também é notada, coisa que viria a ser cada vez mais utilizada nos discos seguintes. Não querendo tretar mas já tretando, a faixa "Crucify" me assusta. Quem quiser ouça de 1:21 até 1:40, e depois pegue a faixa "Fragile Equality" do Almah e ouça de 00:41 até 00:59 ou pode seguir até 01:26. Não tô acusando de nada, não entendo disso, mas é legal como as passagens se assemelham. Após o lançamento, mais alterações no line-up se sucederam com a saída do baixista Bryan Beller e do baterista Mike Mangini, cedendo vaga a Ray Riendeau e Peter Wildoer. Este último teria um impacto decisivo numa nova proposta musical que viria a seguir, pois o baterista também é vocalista, e seu vocal é o gutural rasgado.
Após lançar "Prime Cuts" em 2008, uma compilação com músicas inéditas, remixes e covers, seguiu-se mais um silêncio de dois anos até o lançamento de "Static Impulse", em 2010. Se alguém esperava algo ainda mais próximo do Dream Theater, acabou por não ser correspondido, pois a cada lançamento, mais se distancia. Dessa vez a sonoridade flerta mais com o Metalcore, mas mantendo uma pegada Groove e elementos de Progressive Metal, principalmente nos teclados. A explorada nos vocais guturais rasgados do baterista Peter é muito bem aproveitada, nos presenteando com um disco muito foda, a ponto de não atrapalhar nem que é mais distante dos rótulos "core", acredito. Aqui, o lado mais atmosférico é praticamente deixado de lado, criando um disco mais "seco".
Esse lado Metalcore veio a ser ainda mais explorado no álbum mais recente, o fantástico "Impermanent Resonance", que chegou em 2013. Certamente, o melhor disco dessa nova sonoridade. Não apenas o Metalcore está mais bem executado, demonstrando que LaBrie dominou o gênero, mas também está impactante devido à volta da pegada atmosférica, propiciando músicas profundas e viajantes com uma aura moderna e tecnológica, ao mesmo tempo em que são fortes e bem preenchidas. Outro ponto mais que notável é a sua performance vocal. Eu não ouvia ele cantando tão bem e com tanta vivacidade há muito tempo! O mais maneiro é que apesar das pesadas guitarras, a voz não ficou fora de sincronia como acontecia em alguns álbuns do Dream Theater como "Train of Thought", de 2003, onde você chega a pensar "cara, isso tá pesado demais pra voz dele." O trabalho é realmente foda! Vale muito a pena ouvir, independente de sua preferência musical!
Como extensão do "Impermanent Resonance", logo em janeiro de 2014 um EP foi lançado, intitulado "I Will Not Break". Ele contém as faixas bônus que posteriormente entraram no disco de 2013, bem como novas mixagens de faixas de álbuns anteriores. De forma geral, como o próprio nome "extended play" diz, ele soa exatamente da mesma forma do álbum.
Quando o assunto é a carreira solo, é complicado eleger um melhor álbum. Precisa-se dividir em duas fases: época Progressive Rock, época Metalcore. Isso pra ser rústico. Por isso, é preciso ouvir com pensamentos diferentes cada fase, tendo em mente quais são as propostas musicais e o que esperar. Particularmente, na primeira fase, "Mullmuzzler 2" é o melhor, e na fase atual, "Impermanent Resonance" é o top.
Ao longo de tantos anos de carreira, principalmente nos dias de hoje, ouvimos muita gente falando que James LaBrie não canta nada, críticas que para mim não têm procedência. O canadense é um grande músico, deixou sua marca na história do Metal e tanto sua voz quanto o Dream Theater influenciaram e ainda influenciam diversas bandas que surgiram posteriormente, pois são responsáveis pela moldagem do que Metal Progressivo é, por isso são a maior referência do estilo. Acredito ter cabimento sim dizer que tem determinadas músicas que são pesadas demais pra sua voz, mas dizer que ele é um mau vocalista... acho que não. O cara é foda! Essa voz magnífica e de fato única são carregadas por minha mente desde os tempos mais primórdios de minha vida. Respeito com o homem!


 Keep It To Yourself (1999)

01 - His Voice
02 - Statued
03 - Shores of Avalon
04 - Beelzebubba
05 - Guardian Angel
06 - Sacrifice
07 - Lace
08 - Slow Burn
09 - As A Man Thinks


 Mullmuzzler 2 (2001)

01 - Afterlife
02 - Venice Burning
03 - Confronting The Devil
04 - Falling
05 - Stranger
06 - A Simple Man
07 - Save Me
08 - Believe
09 - Listening
10 - Tell Me


 Elements of Persuasion (2005)

01 - Crucify
02 - Alone
03 - Freak
04 - Invisible
05 - Lost
06 - Undecided
07 - Smashed
08 - Pretender
09 - Slightly Out of Reach
10 - Oblivious
11 - In Too Deep
12 - Drained


 Prime Cuts (Compilation) (2008)

01 - Afterlife (Extended Version)
02 - Red Barchetta (Rush Cover)
03 - Shores of Avalon (Radio Mix)
04 - Vertebrates
05 - A Time and A Place (ELP Cover)
06 - This Time This Way
07 - His Voice
08 - As A Man Thinks
09 - A Simple Man
10 - No Returning


 Static Impulse (2010)

01 - One More Time
02 - Jekyll Or Hyde
03 - Mislead
04 - Euphoric
05 - Over The Edge
06 - I Need You
07 - Who You Think I Am?
08 - I Tried
09 - Just Watch Me
10 - This Is War
11 - Superstar
12 - Coming Home
13 - Jekyll Or Hyde (Demo Version) (Bonus Track)
14 - Coming Home (Alternate Mix) (Bonus Track)


 Impermanent Resonance (2013)

01 - Agony
02 - Undertow
03 - Slight of Hand
04 - Back On The Ground
05 - I Got You
06 - Holding On
07 - Lost In The Fire
08 - Letting Go
09 - Destined To Burn
10 - Say You're Still Mine
11 - Amnesia
12 - I Will Not Break
13 - Unraveling (Bonus Track)
14 - Why? (Bonus Track)

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 I Will Not Break (EP) (2014)

01 - I Will Not Break
02 - Unraveling
03 - Why?
04 - Coming Home (Alternate Mix)
05 - Jekyll Or Hyde (Demo Version)
06 - Just Watch Me (Demo Version)
07 - I Tried (Jason Miller Re-mix)
08 - Over The Edge (Mutrix Re-mix)
09 - Euphoric (NeonGenesis Re-mix)

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Um comentário:

  1. Esse último álbum (Impermanent Resonance) é bem legal. Que os próximos continue nessa levada.

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