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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Isle of Q - Discografia

Existem bandas que têm uma rápida ascensão na cena, seguida por uma súbita queda que resulta em total desaparecimento, infelizmente. É como em nossa vida social quando achamos "aquela cara metade": se tudo acontecer rápido demais, haverá um ápice e de repente tudo dará errado, porém se for com calma, paciência, "cronometrado", o casal terá uma bela história a ser escrita. Coisa parecida aconteceu com o Isle of Q, que é uma banda mais que desconhecida, e que eu fico muito feliz por conhecer, e o melhor: de modo não muito comum hoje em dia.
Nos tempos atuais, conhecemos bandas de modo bastante sem graça, diga-se de passagem. Vemos em algum lugar, baixamos e pronto: conhecemos. Ou então algum amigo passa uma música em mp3 ou um vídeo no Youtube, e pronto: conhecemos mais uma! Sinto que não temos mais grandes histórias para contar... Mas claro que há exceções! Todo mundo passa por algo mais fora do ordinário, e eu também passei no caso dessa banda que, sim, não é fenomenal, preferência geral, mas é boa pra cacete! Cada música! Se não desse a sorte que dei, duvido que algum dia viria a ter o prazer de conhecê-los e obter a raridade que o disco físico deles é, principalmente no Brasil.
Tenho o privilégio de ter tido professores de inglês de alto nível nos poucos anos de curso que fiz (poucos pois já entrei sabendo bem e pulei de turma mais que pipoca). Esse privilégio me concedeu outros privilégios em forma de presentes. Quando minha professora morava em Nova Iorque, nos Estados Unidos, viveu em uma casa que, típica daquele país, tinha sótão e tudo mais. Ao revirar a bagunça que o antigo morador havia deixado no cômodo, ela encontrou uma caixa com alguns discos. Alguns não estavam em estado satisfatório de conservação, mas havia um número. Eram discos que pendiam entre PopCountryRock e até Metal. Ela não compreendeu. Apenas pensou "deve ser tudo Rock", e por algum motivo que nem ela faz ideia, não jogou fora. Só guardou. Quando voltou ao Brasil, trouxe a caixa com os CDs, e por mais alguns anos, sequer tocou neles. Sempre pensava em jogar fora, mas nunca teve coragem. Parecia que esperava a hora certa de terem utilidade mesmo! É aí que eu entro na história.
Sabendo do meu gosto (até por causa das minhas longas madeixas), por várias semanas ela lembrava e esquecia de comentar comigo sobre, até que alguma coisa que comentei em sala fez ela lembrar, e ficou de me mostrar. Na aula seguinte lá estava a caixa! Eu, na inocência, fui na sala dos professores conferir. Tinha discos do The Allman Brothers, tinha até coisa Pop lá, tinha uma compilação de tributos ao Black Sabbath, álbum do Misfits... tinha uma dezena ou mais de discos. Conferi e voltei pra sala, falando quais eu conhecia e não conhecia. Daí ela falou que havia levado pra me dar mesmo, que eu poderia escolher quais queria e que o resto jogaria fora. Sem jeito, voltei e escolhi os que eu queria, claro os que estavam em melhor estado e que realmente me despertavam interesse. Peguei uma compilação de vários artistas de Country, o álbum "Awake (2000) do Godsmack, a compilação-tributo ao Black Sabbath, uma single do Metallica da época mais comercial chamada "Until It Sleeps: Part 1" (1996), o álbum "The Dark Saga" de 1995 do Iced Earth, e, claro, o disco homônimo do Isle of Q, de 2000.
Isle of Q me despertou interesse pela capa sombria e fotos meio sinistras da banda, bem sérias. Pensei ser uma banda de Gothic ou Doom Metal, ou até Thrash Metal pelo fato do vocalista ser careca (vai entender!). Chegando em casa, ouvi os caras e não era nada disso, hahaha... Trata-se de uma banda que eu não sei definir direito, mas tem uma pegada Hard Rock que se mescla ao Heavy Metal, criando uma sonoridade firme e peculiar, nem muito puxada pra lá, nem muito puxada pra cá. Pesquisei sobre os caras e não achei simplesmente nada sobre; nem página na Wikipédia, nem site oficial, página no Last sem descrição... nada! Os caras eram um completo mistério. Por isso mesmo não sei o rótulo exato, o que me mostra que não tenho um ouvido tão bom quanto pensava! Mas deu pra perceber através de um blog onde um estadunidense narra sua experiência sobre como conheceu a banda (à moda antiga, comprando o disco na loja e apostando para não ser uma merda) que o disco era uma raridade! Não vendo por nada, hahaha!
O lado bom é que agora os caras estão com página no Facebook e muito interesse em dar continuidade ao trampo, mas os caras parecem encontrar dificuldade atrás de dificuldade desde o momento de sua formação. Eles têm suas raízes na FiladélfiaEstados Unidos, no ano de 1989, por iniciativa dos amigos David Ringler (vocal), Beau Bodine (baixo, harmonias e teclados) e Douglas Kennedy (guitarra). Começaram como uma banda cover sob o nome The Greenhouse e, apesar de na época fazerem pequenos shows e não serem autorais, nos bastidores compunham material autoral, o que acabou por rapidamente fazê-los se tornarem uma banda original. Completaram a formação com um baterista cujo nome não foi revelado e a caça por um contrato com alguma grande gravadora teve início.
Antes mesmo do esperado, em 1991, tiveram um sucesso espontâneo devido ao fato de terem sido os escolhidos dentre 3 mil bandas para competir no Yamaha Soundcheck Unsigned Band Contest, um festival organizado pela Yamaha com o intuito de promover bandas que estão sem contrato. O conjunto teve a felicidade de vencer o concurso, resultando em uma viagem ao Japão para tocar na arena Budakon! Tudo estava indo bem. A oferta de contrato por alguma gravadora era esperada, mas não acabou vindo, sabe-se lá por que.
A banda então mudou seu nome para Isle of Q (em homenagem ao ponto que os amigos costumavam se encontrar perto da faculdade onde estudavam), trocaram o baterista anterior por Darren Keith, e começaram a trabalhar de forma independente em seu disco de estreia. O debut homônimo foi lançado de forma independente (obviamente) em maio de 1994, criando moderado sucesso, com faixas sendo tocadas em diversas estações de rádio, rendendo-lhes ainda mais visibilidade.
Foi somente em 1999 que o tão esperado contrato foi oferecido pela poderosa Universal Records, que trabalhou no disco de estreia. A re-produção ficou a cargo de Terry Manning (ZZ TopLenny Kravitz, entre outros) no famoso Compass Point Studios, nas Bahamas, onde também foi re-mixado. Dessa vez com Josh Cedar na bateria, o álbum novamente homônimo foi oficialmente lançado em julho de 2000, desmembrando três grandes singles: "Little Scene" (que tem até videoclipe), "Bag of Tricks" (número 1 em execuções na Rock Radio em dezembro daquele ano) e "Here and Gone". É como eu disse: o trabalho não é a melhor coisa do mundo, mas não tem músicas ruins. Cada uma delas são muito boas, com produção competente e som lúcido, profissional. Vale mesmo a pena, mesmo que a título de conhecimento, ouvir esses caras!
Daí pra frente foi um pequeno passo para os homens que compõem o elenco, mas um grande passo para a banda: saíram no segundo semestre de 2000 em uma turnê que durou até 2001, ao lado de bandas como NickelbackFuel3 Doors DownTeslaUPOSaliva, entre outras, promovendo seu nome, dando "peso à camisa" e vendendo um número cada vez maior de cópias. Uma pena isso ter significado apenas a calmaria antes da tempestade; O tempo virou nos céus do Isle of Q, que apesar de ter estado em ascensão e ter vendido bastante, foi retirada do plantel de investimentos da Universal Records, que preferiu direcionar sua grana ao 3 Doors Down e ao Godsmack, frustrando completamente uma banda que demorou muito até mesmo pra obter um contrato com uma grande gravadora e chegar onde havia chegado. A decepção abateu tanto que sumiram do mapa. Não sabe-se se encerraram suas atividades, se estavam buscando outras gravadoras, nada. Evaporaram.
Longos anos a fio se sucederam desde então, até que em 2012, finalmente, o grupo mostrou as caras no Facebook e clamou ter interesse em voltar a lançar algo. Dizem ter músicas prontas desde antes do lançamento do debut, além de outras feitas posteriormente. Estão vendo se lançarão um tipo de compilação de lados-B ou algo assim... mas o fato é que os caras estão aí, humildemente, mas querem voltar!
O bacana de escrever essa postagem é que tô tendo a oportunidade de divulgar uma banda muito boa que conheci de forma diferente, sem mesmices interneteiras. Eu realmente espero que esses caras lancem algum material nos próximos anos e que alcancem o repetido objetivo de assinar contrato com algum selo grande. Eles merecem! Se dependesse da luta e da vontade de expressar sua música ao mundo, esses caras já estariam no topo. Conheçam essa excelente banda: Isle of Q!


 Isle of Q (2000)

01 - Little Scene
02 - Faraway
03 - Bag of Tricks
04 - Here and Gone
05 - The Clone
06 - Bittersweet
07 - Driving Nails
08 - Harder To Ignore
09 - Way Down
10 - Sweet Potato
11 - Meltdown
12 - Hideaway
13 - Rubberneck
14 - Say Goodbye


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