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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Carach Angren - Discografia

É bem verdade que eu nem pretendia postar essa banda agora, mesmo que eu seja fã roxo desses caras há tempos. Demoraria um tempo ainda. Mas hoje é dia 16 de agosto. É meu aniversário. Duas décadas de vida. Agora é rumo à velhice! Hahaha... E quem ganha são os visitantes! Também estou postando porque se o site sobreviver por longos anos a fio ainda, quero olhar pra trás e lembrar: "postei uma banda que sou apaixonado, o Carach Angren, no dia do meu aniversário de 20 anos de idade... faz tempo, hein?" Porque, de um ponto de vista mais profundo, o Warriors Of The Metal não apenas é um recinto de downloads, mas uma espécie de diário para nós administradores; cada postagem nos relembra algo. Portanto, que o diário tenha sequência.
Pois é... Carach Angren. Acredito que aqueles que conhecem esses holandeses entendem muito bem como tenho motivos de sobra para ser fã de carteirinha, ainda mais eu, que caio em amores pelo Metal tocado de forma artística em todos os setores. Trata-se de uma banda de alto nível e sinistramente bela em de diversas maneiras. Uma banda que sabe mexer com o seu ser tanto no que diz respeito à atmosfera das canções quanto pelas letras, compostas com maestria, com palavras bem colocadas, bem escolhidas, que casam de forma concisa com a sonoridade, impulsionadas pelo vocal teatral e vívido por parte de Seregor, provocando uma verdadeira fervilhação na sua imaginação. Esses caras são demais! Dotam de uma classe tipicamente holandesa, pois parece que esse povo está um passo a frente quando envolvem-se bandas que fazem uso de orquestrações.
Essa obra-prima da música pesada teve seu início em LangraafLimburg, na Holanda, no ano de 2003 por iniciativa do tecladista, pianista e responsável pelas orquestrações Clemens Wijers, que leva o pseudônimo Ardek (algo comum na banda), ao lado de seu amigo Seregor (Dennis Droomers), vocalista e guitarrista. Ambos faziam parte da banda Vaultage, que tocava Black Metal cru. Mas o grupo veio abaixo e, convidando o baterista Namtar (Ivo Wijers), irmão de Ardek, uma nova banda e uma nova proposta nasceram. O nome "Carach Angren" foi apresentado a Ardek de modo descompromissado, e ele gostou, soou sombrio, combinando com o que a banda viria a tocar, então adotou. Ele provém do Sindarin, língua élfica da série de livros "The History of The Middle-Earth", de J. R. R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis", e significa "Mandíbulas de Ferro".
Pelas fotos promocionais e pelas capas dos álbuns não fica difícil perceber esses maestros fazem um Metal mais extremo. Mas isso não é motivo para os mais distantes do estilo deixarem de ouvir. Muito pelo contrário: pode servir como porta de entrada para esse ramo. Tendo o Anorexia Nervosa e o Cradle of Filth como influências claras e declaradas pelo próprio Ardek, o Carach Angren executa um Symphonic Black Metal que não cabe no rótulo. Eu chamaria de Orchestral Black Metal, pois o parâmetro é outro, definitivamente. Tendo raízes nessas belas influências, a banda desenvolveu diversos pontos que se responsabilizam por os porem em destaque dentre as demais bandas do gênero. Para começar, ao longo de seus lançamentos, um caráter próprio foi criado, uma identidade. Você ouve e sabe que são eles. Outro ponto são as letras, tanto as palavras de vocabulário um pouco mais rebuscado em alguns momentos quanto o modo como as músicas são compostas.
Eles sempre contam histórias fantasmagóricas. O lirismo é apresentado como se fosse um livro: são lineares. Não há exatamente um refrão. É tudo retilíneo. Dificilmente algo é repetido. Ainda assim as músicas grudam na cabeça, após algumas ouvidas, claro, pois a sonoridade é um pouco complexa devido à sua grande riqueza.
O primeiro lançamento da horda foi o moderado "The Chase Vault Tragedy", demo lançada em 2004. A influência principalmente do Cradle of Filth é bem evidente nesse trabalho. Com qualidade melhor e de com influências igualmente evidenciadas, vem o ótimo EP "Ethereal Veiled Existence", disco também independente de 2005. Mas é incrível como uma banda que conta com músicos cresce, e como é notada uma grande diferença entre os trabalhos independentes do início da carreira e os oficiais após o amadurecimento e acúmulo de experiência.
Três anos depois, em 2008, após assinar com a Maddening Media, com classe, a primeira obra-prima foi lançada: o debut "Lemmendam". O disco narra uma história muito conhecida pelo povo holandês, que se passa no bosque Schilveldse Bossen, onde vivia uma bela moça em uma chácara. Ela tinha o costume de vestir um longo manto branco para perambular na floresta, e os fazendeiros sempre reparavam nela, até que dois se apaixonaram. Ela não podia escolher um dos dois, e é aí que as coisas desandam. Inexplicavelmente, um incêndio ocorreu à noite e mesmo toda a água do fosso não foi suficiente para apagar as chamas, e a bela moça morreu lá. Tempos depois, durante a Revolução Francesa, os franceses que foram trabalhar na área acabaram vendo seu fantasma, evento no qual chamaram de "la madame blanche", que significa "a madame branca", ou "a moça branca", como queiram. Daí de "la madame" o nome juntou para "lammendam".
Musicalmente falando, trata-se de um estupendo disco. Orquestrado, sinfônico, pesado, incrível! Um primeiro passo com o pé direito à altura do que a banda realmente é. Claro que influências de Cradle of Filth são perceptíveis ao longo do álbum, mas ainda assim, o modo como introduzem as os arranjos orquestrais e estilo geral das músicas já davam ao Carach Angren um ar de "Carach Angren", que felizmente viria a ser desenvolvido e melhor moldado nos trabalhos subsequentes. Esse é de fato o disco mais pesado dos caras, onde as orquestrações andam no mesmo compasso da porradaria frenética da bateria e o peso das guitarras, chegando a lembrar inclusive bandas como o Fleshgod Apocalypse. Mas a banda viria a melhorar o que já era foda, e não é pouca coisa!
O disco seguinte representaria não apenas um amadurecimento progressivo, mas também a expansão para uma outra história que exige toda uma atmosfera específica, o que representa um desafio maior ao profissionalismo, e claro, os maestros corresponderam à altura. Novamente via Maddening Media, "Death Came Through A Phantom Ship" emergiu do Cabo da Boa Esperança em 2010 para nos trazer assombração, medo e má-sorte. Mas por que mencionei desse jeito, e justamente o cabo que liga os oceanos Atlântico e Índico? Porque esse espetacular álbum também narra mais uma história assombrosa (e náutica) muito conhecida pelo povo holandês e pelos mais cultos: a do navio fantasma Holandês Voador, capitaneado por Willem Van der Decken. De fato existe um registro de que seu navio zarpou de Amsterdã em direção às Índias Holandesas, claro, passando pelo Cabo da Boa Esperança por volta de 1680. O resto é lenda, mas isso assombra marinheiros até os dias atuais. Lá o navio do capitão Van der Decken foi pego por uma cruel tempestade. Seu colega-chefe pediu em nome de Deus que eles não atravessassem e aguardassem a tempestade acalmar, mas o capitão, que já era conhecido na Holanda como um cara cruel e temperamental, não acatou a decisão, se enfureceu com a ordem negada, jogou seu colega no mar com a Bíblia, assumiu o timão e gritou "nem que Deus me deixe navegando até o dia do Julgamento Final, eu vou cruzar o Cabo!" A tempestade então diminuiu, uma voz dizendo que o capitão estava condenado a navegar até o dia do Julgamento Final foi ouvida, e os marinheiros do navio foram morrendo um a um, até sobrar somente Van der Decken, que ainda tenta cruzar o Cabo. É julgado como mera miragem, mas até hoje marinheiros dizem avistar o Holandês Voador, caracterizado por ser negro, fantasmagórico, com manchas de sangue nas velas e sempre velejando contra o vento, simbolizando má-sorte. Até nazistas já se negaram a batalhar em Suez porque haviam supostamente visto o galeão. Incrível, não é?
É claro que o Carach Angren conseguiu corresponder uma história magnífica com uma sonoridade magnífica! A experiência ao ouvir esse álbum, que claramente dota de um profissionalismo e competência incríveis, é de que você está em alto mar. As orquestrações, o modo como é cantado, os backing vocals, tudo dá um ar náutico à atmosfera, chegando inclusive a criar uma sonoridade cheia de classe e até dançante. O desenvolvimento de uma sonoridade própria está ainda mais aguçado aqui, se desvencilhando um pouco mais de suas influências. Apesar de toda a maestria de "Death Came Through A Phantom Ship", esse ainda não é "O Álbum" da banda, aquele que os selaria de vez no underground e daria o rosto exato do Carach Angren. Ele viria a seguir.
Esse álbum que simplesmente merece ser a porta de entrada para novos ouvintes foi lançado em 2012, agora via Seasons of Mist, sob o lindo e negro título "Where The Corpses Sink Forever", que pode ser interpretado de duas formas: a literal, onde você imagina cadáveres afundando em um pântano obscuro por toda a eternidade, e o que a banda quer passar, que é o tempo entre o tiro que um soldado recebe e sua queda no solo, que do ponto de vista do soldado, dura uma eternidade. Foi através desse trabalho que conheci a banda, e de fato, é o álbum mais cativante, mais coeso, mais estruturado, mais poderoso, o responsável pelo diferencial do Carach Angren. Liricamente falando, dessa vez os maestros não falam nenhuma história real específica. Agora eles deixam sua imaginação fluir, mas se mantendo na linha fantasmagórica e torturadora. As histórias geralmente se passam durante a Segunda Guerra Mundial, misturando assombrações no contexto. É simplesmente perfeito. Prova da alta capacidade de composição magistral são faixas como "The Funerary Dirge of A Violinist", por exemplo, que eu mesmo traduzi e pus no meu canal no Youtube. São verdadeiros poetas obscuros.
Musicalmente falando, é simplesmente incrível e bombástico o modo como esses caras evoluíram até mesmo no sentido das orquestrações, que são pesadas, poderosas, negras. Te engolem e te sufocam. O disco recebe atenção em simplesmente todos os detalhes. A própria faixa "Lingering In An Imprint Haunting" é algo que eu chamo de perfeição musical, pois cada detalhe é pensado, faixa com várias atmosferas, coros, trechos mais pesados, trechos mais melódicos. Uma verdadeira mistura de emoções que se estende ao longo dos 42 minutos de duração dessa obra-prima cujo único defeito é ser tão curta.
A banda evoluiu como um todo, chegando felizmente até Seregor, que tem uma performance vocal completamente teatral, reproduzindo com exatidão o que se passa nas letras: medo, tortura, dor, esperança, desconfiança, cansaço.
Velho, sou fã pra caralho, e acredito ter motivos de sobra pra isso. Essa banda é foda pra caralho e vai tomar no cu. Hahaha... Então aí está uma banda que me cativa há tempos e que com certeza vai cativar muita gente. O mundo ainda vai ficar pequeno para ela. Ainda vai crescer muito, se tudo der certo. Eles merecem. São mestres!


 The Chase Vault Tragedy (Demo) (2004)

01 - In Death It Began... (Intro)
02 - The Chase Vault Mystery
03 - Paranormal Kinetic Activity
04 - Sepulchral Disequilibrium

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 Ethereal Veiled Existence (EP) (2005)

01 - There Was No Light
02 - The Ghost of Raynham Hall
03 - After Death Premises
04 - Ethereal Veiled Existence
05 - Yonder Realm Photography


 Lammendam (2008)

01 - Het Spook Van de Leiffartshof
02 - A Strange Presence Near The Woods
03 - Haunting Echoes From The Seventeenth Century
04 - Hexed Melting Flesh
05 - Phobic Shadows and Moonlit Meadows
06 - The Carriage Wheel Murder
07 - Corpse In A Nebulous Creek
08 - Invisible Physic Entity
09 - Heretic Poltergeist Phenomena
10 - La Malédiction de La Dame Blanche


 Death Came Through A Phantom Ship (2010)

01 - Electronic Voice Phenomena
02 - The Sighting Is A Portent of Doom
03 - And The Consequence Macabre
04 - Van der Decken's Triumph
05 - Bloodstains On The Captain's Log
06 - Al Betekent Het Mijn Dood
07 - Departure Towards A Nautical Curse
08 - The Course of A Spectral Ship
09 - The Shining Was A Portent of Gloom


 Where The Corpses Sink Forever (2012)

01 - An Ominous Recording
02 - Lingering In An Imprint Haunting
03 - Bitte Tötet Mich
04 - The Funerary Dirge of A Violinist
05 - Sir John
06 - Spectral Infantry Battalions
07 - General Nightmare
08 - Little Hector, What Have You Done?
09 - These Fields Are Lurking (Seven Pairs of Demon Eyes)

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 This Is No Fairytale (2015)

01 - Once Upon A Time...
02 - There's No Place Like Home
03 - When Crows Tick on Windows
04 - Two Flies Flew Into A Black Sugar Cobweb
05 - Dreaming Of A Nightmare In Eden
06 - Possessed By A Craft Of Witchery
07 - Killed And Served By The Devil
08 - The Witch Perished In Flames
09 - Tragedy Ever After
10 - Dreaming Of A Nightmare In Eden (Orchestral Version) (Bonus Track)

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6 comentários:

  1. Obrigado, eu estava a tempos procurando os dois eps do carach angren, e agora eu encontrei, muito obrigado e continuem com esse cite, eu já baixei muitas músicas por aqui, vlw

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  2. Hola, no entiendo mucho el portugués, ayuda por favor, cuales es la contraseña para descomprimir los discos? Agradezco tu ayuda!

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    1. Não há senha. Nenhum dos arquivos disponíveis no Warriors Of The Metal são protegidos por senha.
      Se pediu uma senha, então com certeza não foi baixado aqui.

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  3. Melhor artigo que eu vi na minha vida, esclareceu tudo sobre a banda e os elogios fazem eu gostar mais ainda da banda, valeu mesmo cara, tava precisando saber sobre os álbuns ;)

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  4. Um dos melhores artigos que eu li na minha vida. Cara, admiro muito seu trabalho aqui no Warriors e de toda equipe, me identifico muito pq gosto muito de escrever. Essa história da dama branca e do holandes voador eu só tenho uma coisa a dizer: QUE FODA!!!! No meu caso, dá mais poder e beleza pras minhas saber disso, admiro muito quando o metal é mesclado com arte (até antropologia wow), enfim, sempre to por aqui e sempre leio esses artigos maravilhosos, só fiquei com uma dúvida: seu canal, teria como passá-lo pra gente?

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    1. E vei, fala pra nós depois o que vc achou do novo álbum dos caras... Esse clipe da When Crows Tick On Windows que masterpiece, que foda!

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