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domingo, 7 de julho de 2013

Iahweh - Discografia

A gente não quer (ou muitas vezes quer sim), mas podemos ou nos apegar mais ou rejeitarmos determinadas bandas dependendo de sua temática. Essa resistência é mais aliviada com temas gerais diversos, como política, crítica social, mitologia, lendas, terror. Mas quando o assunto é religião, de repente os julgamentos ficam um pouco mais delicados. Pessoas religiosas não se importam com religiosidade, claro, mas as menos religiosas (ou não-religiosas) e mais críticas, como eu, acabam instintivamente ficando com um pé atrás. Mas será que vale a pena?
De fato é chato você querer ouvir uma banda de seu estilo musical preferido e ela abordar temas que você não concorde e que muita gente leva a sério. Pior ainda se for cantado em português. Mas se o ouvinte tiver personalidade, ele vai ignorar essa barreira que sinceramente é fútil, uma vez que em qualquer língua ouvimos bandas abordando temas que concordamos ou discordamos frequentemente, e vai dar uma chance ao que realmente importa: a sonoridade. Se não gostar, pode ser pelo fator natural do gosto de cada um, e se gostar, parabéns, um preconceito foi vencido.
Esse caso mais delicado acontece com o Iahweh, banda de White Metal originária de Taubaté, em São Paulo. Conheci o grupo por meio de amigos cristãos que os elogiavam, e me fizeram ver o videoclipe da faixa "Neblim", tocada, no caso desse registro, em conjunto com a Orquestra Filarmônica do Cone Leste Paulista. Foi meu primeiro contato com a voz espetacular de André Leite. Não tive como negar que era um puta vídeo de uma puta canção, apesar de ser orquestral e no disco ser mais Metal! Tempos depois, comecei a me aprofundar nos caras, vi de forma mais clara que vale muito a pena ouvir o lindo som, e agora aqui vai a postagem. Mesmo dentro das áreas em que mais a pessoa pode ter "problemas", pérolas podem ser encontradas. Temos mais exemplos no Brasil mesmo, como o Oficina G3, que muita coisa vale a pena, em especial o álbum "Depois da Guerra", de 2008.
A banda foi formada em 1993, e o nome Iahweh foi escolhido pois significa "aquele que é e que faz acontecer", ou de forma mais resumida, "sou quem sou", nome no qual os hebreus libertados do Egito no Êxodo clamavam ao próprio Deus.
Em 1996, o debut "Alfa e Ômega" encontra a luz do lançamento através do selo CODIMUC, contando com uma formação que é uma verdadeira incógnita, exceto o vocalista, que é o Neli Sestari. Não encontrei nenhuma indicação a mais sobre quem são os demais músicos. De qualquer modo, esse disco é um Heavy Metal bem rústico, de riffs arrastados, muito mais a fim de evangelizar levando a mensagem divina com clareza, objetividade e louvor do que de fazer música complexa e bem produzida. Apesar de não ser dos melhores álbuns pra se ouvir (até pela qualidade da gravação), ele conta com ótimos solos de guitarra, que ajudam a curtir as músicas que chegam a dar uma entediada, ao meu ver. O principal sucesso foi "Salve Rainha", uma oração católica transportada para  a música. Vários shows foram apresentados após o lançamento, dando ao conjunto o privilégio até de acompanhar a banda Cristoatividade, considerada a pioneira do Rock Cristão no país.
Após o debut, o Iahweh encontrou problemas internos que acabaram por levar a banda a um hiato no ano de 2000. Contudo, a paralisação não durou tanto tempo: em 2001 tudo voltou sob uma nova formação, agora com Júlio César no vocal, e não me arrisco a dizer quem foram os demais integrantes frente a carência de informações. Os trabalhos e as apresentações voltaram a fazer parte da vida da banda, e o tempo foi passando e tudo foi se encaminhando bem, apesar da demora.
Somente em 2008 é que o silêncio de novidades foi ser quebrado. O Iahweh mostrou as caras definitivamente contando com Júlio César  ainda no vocal, Toninho e Tiago Mattos nas guitarras, Alessandro Bittencourt no baixo e o prodígio Eloy Casagrande na bateria após ter lançado o álbum "Neblim" naquele mesmo ano. Esse disco os deu diferenciação, os retirou da condição de "apenas mais uma banda querendo mesclar Metal e Cristandade". O potente e afiado vocal cantando com paixão e fervor e a o Melodic Heavy Metal desenvolvido pelos instrumentos dos demais membros, complementados frequentemente por um ar gospel principalmente nos refrões, fazem desse álbum uma bela obra não só do Metal Cristão, mas do Metal brasileiro. O amadurecimento não se expressa apenas pela harmonia e beleza dos arranjos, mas também na forma poética e levemente abstrata como as letras são compostas, alcançando com precisão o objetivo traçado através  do próprio nome "Neblim", que significa "Profeta": espalhar a palavra de Deus, evangelizar. Bom, levar o som os caras estão conseguindo muito bem, evangelizar é que eu não sei, pois não fui vítima dessa trama. Hahaha... "Bem Mais Que A Dor", "Sem Deixar de Te Amar", a lindíssima "Misericórdia Senhor", "Ruah", além da faixa-título, são belos pontapés iniciais pra quem quer dar uma chance aos caras.
Agora com o talentoso vocalista André Leite na fronteira, a banda colheu mais frutos. O alto nível de "Neblim" os rendeu o I Troféu Louvemos O Senhor na categoria de melhor álbum de Rock em 2009, além do já citado lindamente produzido videoclipe da faixa-título em conjunto com Orquestra Filarmônica do Cone Leste Paulista em 2010, gravado no galpão do departamento de Engenharia e Arquitetura da Universidade de Taubaté.
Por enquanto isso é tudo que rolou com a banda, mas não com alguns integrantes. O baterista Eloy Casagrande todos conhecemos; ainda adolescente ingressou na experiente banda do Andre Matos na época do "Mentalize", de 2009, tocou com outros artistas e atualmente também está no Sepultura, e o "nordéstino" cearense André Leite chegou a ingressar no Hangar de Aquiles Priester. Infelizmente a passagem foi breve, se limitando apenas à gravação do acústico "Acoustic, But Plugged In!" em 2011.
O Iahweh, sem dúvida alguma, é foda pra caralho. "Neblim" é um belíssimo disco ao nível de superar qualquer resistência por diversidade religiosa. Todos de alguma forma ouvimos músicas religiosas, mas em inglês. Eu mesmo sou apaixonado nos judeus israelenses do Orphaned Land, super religiosos. Claro que ouvir em inglês dá pra mascarar. Ouvir em português já é um tanto mais tenso. Apesar de maravilhosa, ouvir "Misericórdia Senhor" no talo pode atrapalhar quem tem resistência, mas qualquer coisa, é só ouvir baixo, ou dar os pulos, porque a banda faz por onde e é digna de atenção. Afinal, eu realmente acredito que o que importa é a musicalidade, e o que é passado nas letras não pode impedir uma pessoa de ouvir uma banda e até viciar nela. Se você já é cristão, então sinta-se em casa, pois o Iahweh vai te encantar e elevar o seu lado religioso!


 Alfa e Ômega (1996)

01 - Iahweh
02 - Sede
03 - Coríntios 13
04 - Entregue-se
05 - Promessa
06 - História do Mário
07 - Salve Rainha
08 - Êxodo
09 - Bençãos
10 - Vitória de Jesus
11 - Profecia


 Neblim (2008)

01 - Bem Mais Que A Dor
02 - Eterno Deus
03 - Sem Deixar de Amar
04 - Misericórdia Senhor
05 - Getsêmani
06 - Ruah
07 - Lágrimas
08 - Paz No Coração
09 - Verdadeiro Amor
10 - Neblim
11 - Sangue e Água
12 - Jesus Is The Rock
13 - Salve Rainha (Versão Orquestrada)
14 - Volta

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 Deserto (2014)

01 - Sentido da Vida
02 - Novos Passos
03 - Deserto (feat. Padre Fábio de Melo)
04 - Hold On Strong For Your Life
05 - Entre Sorrisos e Choros
06 - Renascer do Amor
07 - Escolha
08 - End of Sacrifice
09 - Abra Os Olhos
10 - Voe Alto
11 - Música Na Alma
12 - Versos Contrários do Que Chorou
13 - Fogo do Espírito
14 - Fortes Ondas
15 - New Story
16 - Rio Caudal

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2 comentários:

  1. Uma das melhores bandas do segmento... Qualidade nas harmonias e arranjos, letras lindíssimas, e mostra que da pra fazer metal com letras em português. Parabéns a vcs por postarem bandas de todos os estilos do metal.

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