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sábado, 13 de julho de 2013

Dynahead - Discografia

Variedade de gêneros metálicos e formas de tocá-los certamente não se restringem apenas alguns países europeus; o Brasil também sabe fazer sua parte de forma competente e autêntica. Não me refiro apenas ao Folk Metal em geral com outras vertentes, mas à mistura geral de diferentes rótulos de forma sólida e uniforme. Claro que esse é um caso onde o Dynahead preenche os requisitos necessários para se enquadrar. Sua sonoridade é bastante firme e organizada, tornando-os livres de qualquer caotismo que a mistura entre diferentes vertentes pode teoricamente trazer.
A banda é oriunda de Brasília, no Distrito Federal, localidade onde vira e mexe e alguma banda decente e diferenciada mostra as caras, mas que por alguma razão não têm facilidade para chegar aos ouvidos do público geral, o que faz daqueles que os conhecem um tanto privilegiados e underground, coisa que não deveria acontecer, pois a banda deveria ser passada para todos.
No caso do Dynahead, o que ocorre é uma variação de gêneros mais melódicos e mais extremos: Progressive MetalThrash Metal (cuja fusão acabam por, em diversas passagens, soar como Metalcore, se é que o estilo não se faz presente em elementos) e até mesmo pitadas de Jazz. Parece incompatível, mas certamente todos conhecemos bandas que juntam elementos teoricamente impossíveis, e vemos grandes frutos surgirem. Esses brasilienses apresentam competência, profissionalismo e grande entendimento musical, qualidades notadas pela geração de uma musicalidade que ao mesmo tempo em que é potente, também é capaz de ser macia e provocar relaxamento, tudo dentro de uma mesma canção. A variação entre vocais fechados rasgados (bastante próximos do gutural) raivosos e vocais limpos arrastados e acalmantes por parte de Caio Duarte complementam estupendamente a atmosfera que já é passada com destreza através das notas musicais.
A banda teve início em 2004, e logo nesse mesmo ano já lançaram seu primeiro trabalho: um EP independente chamado "Unknown", que infelizmente não consegui encontrar. Fica aí o pedido de envio caso alguém tenha ou encontre uma fonte para baixá-lo. Os caras ganharam um pouco mais de expressão quando um cover de "Random Acts of Senseless Violence" do Anthrax que fizeram foi incluído no tributo "Indians... NOT!" por volta da mesma época.
Somente quatro anos depois, em 2008, é que os rapazes foram lançar seu debut. Contando com Caio Duarte no microfone, Pablo Vilela e Diogo Mafra nas guitarras, Diego Teixeira no baixo e Rafael Dantas nas baquetas, o independente (porém de qualidade profissional) "Antigen" surgiu com autoridade, demonstrando que a banda veio para música firme. A fusão entre o Prog e o Thrash se mostra digna, apesar de notavelmente a sonoridade ser mais progressiva que Thrash. Mas o fato é que é um disco pesado e pancado, propiciando vontade de bater cabeça devido a seus riffs bem distorcidos e velozes á lá Symphony X, e solos rápidos e técnicos. Um ponta-pé inicial com o pé direito.
Em seguida chega o conceitual "Youniverse", lançado em 2011, após assinar com a Voice Music. O trabalho apresenta a mesma potência e energia de seu precursor, mas com um tanto mais de maturidade não apenas na matéria instrumental, mas também lírica. A performance vocal de Caio Duarte também se mostra mais versátil e aparente. Novamente, o Jazz se faz existente, como em "Antigen", porém em tímidos elementos que mostram as caras no fim de um riff ou em alguma passagem rápida. Até aqui, acho engraçado que por vezes a voz de Caio lembra a do Serj Tankian (System of A Down) ao cantar limpo e grave.
Passado depois, a banda sofre sua primeira baixa após conseguir plena estabilidade por volta de 2007: o baterista Rafael Dantas se desliga. Isso obriga o vocalista Caio Duarte a ocupar também o instrumento para a gravação do disco seguinte. Com a questão solucionada e um contrato com a MS Metal Records em mãos, o Dynahead partiu para o estúdio e em 2013 lançou o dopante "Chordata I", a primeira parte de um conceito que terá duas. O álbum mostra uma banda ainda mais ousada, em todas as direções: o conceito dessa vez é mais complexo e elaborado, tipicamente de bandas de Metal Progressivo: um conto metafórico baseado na evolução biológica da vida e da sociedade. Instrumentalmente falando, os músicos dessa vez optaram por uma abordagem mais experimental, suave e impactante, mas sem deixar suas origens misturadas para trás. O que ocorre aqui é apenas um exaltamento do Jazz, do Progressivo (que está mais Prog que nunca) e uma bela força do atmosférico/ambiental. O efeito desse experimento é um disco que mistura de forma bela e impositiva o Prog e o Thrash Metal, com um Jazz liso escondido por trás de uma atmosfera/ambiente viajante, criando músicas que de alguma forma te deixam pensativos, em uma dimensão paralela. Bandas como Gojira ou Guilt Machine (em determinadas passagens) me vêem à cabeça ao ouvir esse belo disco. É uma experiência que só se entende ouvindo.
Então aqui está mais uma banda brasileira, diferente do que estamos acostumados a ver emergir à tona. Os caras têm uma dinâmica ampla no que fazem, e as críticas que recebem são bastante positivas, merecidamente. O Brasil tem inúmeras bandas que não perdem nem um pouco para gringos, o que falta é apoio e divulgação, independente do gênero. O Dynahead, claro, é mais um caso que vale a pena ser analisado.


 Antigen (2008)

01 - Clockwork I
02 - Layers of Days
03 - Virtual Twin
04 - Tactile Haven
05 - Join and Surrender
06 - Bloodish Eyes
07 - Depart Now
08 - Do You Feel Cleansed?
09 - Vorsicht!
10 - The Starry Messenger


 Youniverse (2011)

01 - Ylem
02 - Eventide
03 - Inception
04 - Unripe One
05 - Confinement In Black
06 - Circles
07 - My Replicator
08 - Repentance Hour
09 - Way Down Memory Lane
10 - Redemption
11 - Onset


 Chordata I (2013)

01 - Abiogenesis
02 - Bred Patterns
03 - Collective Skin
04 - Dawn Mirrored In Me
05 - Echoes of The Waves
06 - Foster
07 - Growing In Veins
08 - Hallowed Engine
09 - Inevitable

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 Chordata II (2014)

01 - Jugis
02 - Kode
03 - Legis
04 - Mortem
05 - Numinous

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