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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Serj Tankian - Discografia

É, rapaz... Serj Tankian! Não acredito ser exagero chamá-lo de uma lenda viva, mesmo que sua carreira não seja exatamente longa. Digo isso me apoiando no fato de que esse rapaz é um vocalista singular. É um cara que se veste de modo abarrotadamente chique. É um cara que ao mesmo tempo em que fala besteiras, fala coisas de cunho sério, criando uma peculiar alternância dentro dos álbuns ao longo de sua carreira. É um cara que, acima de tudo, tem uma voz própria e marcante. Você não precisa saber o nome dele para já ter ouvido sua voz em algum momento da vida. Sua fama é absurda, assim como as de suas canções no System of A Down. Seu vocal não lhe concede uma identidade somente pelo fato de ter um timbre próprio (decorrente principalmente por seu fator genético) no mundo da música pesada, mas também pelo fato de muitas vezes cantar de um modo completamente zoado e engraçado!
No princípio da minha adolescência, na "idade da demência", como costumam dizer, eu não suportava esse cara. Era porque eu era arrogante mesmo e fechado, do tipo de achar que Rock ou Metal têm que ser só de um jeito (de preferência nos padrões que eu mesmo impunha) e o resto que não se enquadrava no que eu considerava foda era merda. Como ele cantava de um modo zoado, eu encarava ele como um cara que só matava nosso som. Que pensamento pobre eu tinha! Hoje admiro e me divirto demais com Serj Tankian, além de ser um admirador do SOAD, coisa que eu não era antes!
Serj Adam Tankian (ou Սերժ Թանգյան na Armênia) nasceu em Beirute, no Líbano, no dia 21 de agosto de 1967. Apesar da nacionalidade libanesa, sua origem é armênica, pois é neto de quatro avós oriundos daquele país que se refugiaram no Líbano durante o holocausto armênico, um período que perdurou por 8 anos (entre 1915 e 1923), que consistia no extermínio de pessoas de origem armênica que viviam no Império Otomano (atual Turquia), a fim de destruir qualquer traço de sua cultura. Por volta dos 8 anos de idade, sua família mudou-se para os Estados Unidos procurando escapar dos problemas políticos e econômicos libaneses, e lá Serj Tankian cresceu, ouvindo seu avô Stepan Haytayan lhe contando histórias horríveis sobre o genocídio em sua terra. Essas histórias de sangue e injustiça viriam a influenciá-lo muito em seu futuro musical. Sua infância foi por sinal tranquila e bem instruída; seus pais eram artistas, o que já o colocou de cara nesse mundo, aprendendo guitarra e canto desde cedo. Costumava cantar em dueto com seu pai, Khatchadour Tankian, e na escola era um dos melhores da classe, com notas entre 9 e 10 (convertendo pro sistema brasileiro). Ganhava dinheiro de modo humilde, trabalhando como lavador de carros e sapateiro. A tranquilidade se seguiu na vida adulta, quando estudou comércio, artes visuais e música na Cal State University Northridge em Los Angeles. Entre suas concretizações de Ensino Superior está também uma licenciatura em marketing, o que consequentemente o levou a fundar a companhia de software Ultimate Solutions. Outras coisas peculiares são que Serj Tankian é poeta, tendo inclusive lançado um livro chamado "Cool Gardens", que ele tem uma ONG fundada junto com Tom Morello (Rage Against The Machine, ex-Audioslave) chamada Axis of Justice, e que ele é vegetariano.
Os primeiros passos em direção ao estrelato mundial foram dados quando o System of A Down foi fundado em 1995. Após três álbuns lançados, a banda já tinha notável reconhecimento, principalmente por causa do disco "Toxicity" de 2001, por meio de canções como "Chop Suey!", "Aerials" e "Toxicity".
Já em 2003, era visível que Serj Tankian estava começando a explorar novos horizontes em paralelo ao SOAD. O primeiro exemplar foi o projeto Serart, que estou incluindo nessa postagem. O trabalho foi lançado em 2003 em parceria com Arto Tunçboyacıyan, resultando em um disco bastante diferente de qualquer coisa que se espere dele. É uma experiência interessante, diferente, fora da caixa. Não é exatamente Rock, e não é ruim. É uma suruba de estilos, com apenas pitadas de Rock, mas mais direcionado a algo Folk, que remonta ao deserto, ao Oriente Médio... uma parada étnica.
Após ainda lançar dois álbuns em 2005 com o SOAD ("Mezmerize" e "Hypnotize") e um EP ("Lonely Day") em 2006, que inclusive chegou a ser indicado ao Grammy mas não venceu, a banda entrou em hiato, após já ter invadido o mundo e repercutido o nome de Serj Tankian de forma poderosa e merecida. Não apenas sua voz fez toda a diferença, mas todo o conjunto: a sonoridade completamente caótica e "desordenada", as letras sobre guerra e críticas sociais e políticas (frutos da influência de seu avô) que muitas vezes se misturam com vocabulários chulos e muita ironia... tudo resultou numa banda única de várias formas, com músicos únicos de várias formas. Mesmo após o hiato, o System só veio a crescer. Mas o Serj não ficou parado; era hora de se dedicar à sua carreira solo.
Eu descrevo a sonoridade do System of A Down do jeito que eu disse acima mesmo: caótica e "desordenada". Mas falo de um modo completamente positivo. Esse tipo de som está intimamente ligado ao Serj Tankian, o que faz com que as pessoas esperem coisa parecida em sua carreira solo... mas não é bem assim. Nesse caso, ele abre o leque de seu profissionalismo e faz trabalhos excelentes de um modo, dependendo do álbum, um pouco mais leve ou cheio de classe e cultura erudita.
O primeiro disco solo veio a ser lançado em 2007, via Serjical Strike/Reprise Records (sua própria gravadora) recebendo o título "Elect The Dead". Claro que estamos falando de um álbum foda, cheio de canções com refrões que grudam na cabeça que estabelecem uma certa herança do System of A Down, apesar de ser um trabalho mais comportado se pegar o System como parâmetro, afinal, o que é executado nesse caso é um Alternative Rock próprio. Um disco bônus e uma versão completamente instrumental vieram a ser lançados um tempo depois. Estou incluindo todos no mesmo download. Nesse mesmo ano, ele se torna cidadão neo-zelandês, após cair em amores pelo país, que de fato, é belo, e muitas vezes relacionado ao fato de ser cenário de filmes ou seriados épicos como O Senhor dos Anéis ou Legend of The Seeker.
O contraste sonoro entre o que Serj fazia no SOAD e o que faz na carreira solo fica ainda mais forte quando o maravilhoso CD/DVD ao vivo "Elect The Dead Symphony" é lançado em março de 2010. O título já é um grande indicativo: sinfonia. Sim, música erudita. O espetáculo ao lado da Orquestra Filarmônica de Auckland aconteceu no início de 2009 e contou com o set-list inteiro do primeiro disco, acrescido de algumas faixas não lançadas. Não foi uma noite de Rock, mas uma noite de orquestra! Uma coisa realmente maravilhosa, e completamente contra a maré daquela sonoridade caótica do System (sempre ressaltando que meus comentários são positivos); uma noite de muita classe. A orquestra como base deu mais emoção às canções, deixando inclusive o vocal do Serj mais teatral e mais belo. Perfeito!
Claro que os trabalhos com orquestra não parariam por aí. Daí pra frente, ele viria a incorporar cada vez mais os elementos clássicos às suas músicas. No mesmo embalo, em setembro daquele mesmo ano de 2010, o álbum "Imperfect Harmonies" é lançado. Claro, um álbum completamente carregado de música erudita. Contudo, ele não é apenas na base do erudito, mas uma fusão entre Rock e orquestra, se tornando mais um disco diferente para o acervo pessoal do cantor, e mais um trabalho de alto nível. Disco para agradar a todos, muito foda! No fim de novembro, saiu o anúncio oficial de que o SOAD estava voltando à ativa, mas isso não atrapalhou a carreira solo do Serj, uma vez que eles mais faziam shows que outra coisa.
Em 2011, ano daquela bela apresentação do System no Rock In Rio, apenas um EP de remixes intitulado "Imperfect Remixes" veio à luz. Em paralelo, Serj contribuiu com o álbum "Inchbes Morananek", primeiro disco de seu pai Khatchadour Tankian
Em meados do "ano do fim do mundo", 2012, o terceiro álbum de estúdio da carreira solo do libanês é lançado, dessa vez intitulado "Harakiri". Esse excelente disco já volta um pouco às origens, com um estilo novamente mais flertado com o System, com direito até ao tal vocal mais zoado, como pode ser ouvido na faixa "Ching Chime", por exemplo, que é a minha preferida do disco. Entretanto, o lado erudito não é 100% deixado de lado, uma vez que em tímidas passagens do disco, é possível notar uma base executada por orquestra.
"Harakiri" não foi o único lançamento de 2012. De modo super agradável, respeitável e classicudo, "Orca" foi lançado mais tarde em novembro. Esse álbum é o trabalho mais erudito do músico, pois ele é completamente instrumental e orquestral. Trata-se de um disco maravilhoso, de classe, dividido em quatro atos que totalizam 34 minutos de duração e muito beleza sonora.
Para o ano de 2013, dois discos foram lançados: uma versão ao vivo do "Orca", e o "Jazz-Iz-Christ", que veio a ser o quinto de sua carreira solo.
Serj Tankian certamente é um mestre, um músico que considero de verdade devido a sua versatilidade e competência. O fato de ser um ícone do Rock já eternizado em nosso meio sem dúvida não ocorreu à toa. Seu status, sua voz, seus trabalhos, suas composições tanto "caóticas" quanto eruditas... isso e muito mais falam por si só.


 Serart (With Arto Tunçboyacıyan) (2003)

01 - Intro
02 - Cinema
03 - Devil's Wedding
04 - The Walking Xperiment
05 - Black Melon
06 - Metal Shock
07 - Save The Blonde
08 - Love Is The Peace
09 - Leave Melody Counting Fear
10 - Gee-Tar
11 - Claustrophobia
12 - Narina
13 - Zumba
14 - Facing The Plastic
15 - If You Can Catch Me
16 - I Don't Want To Go Back Empty Handed


 Elect The Dead (2007)

01 - Empty Walls
02 - The Unthinking Majority
03 - Money
04 - Feed Us
05 - Saving Us
06 - Sky Is Over
07 - Baby
08 - Honking Antelope
09 - Lie Lie Lie
10 - Praise The Lord and Pass The Ammunition
11 - Beethoven's Cunt
12 - Elect The Dead

Special Edition Bonus CD:
01 - Blue
02 - Empty Walls (Acoustic Version)
03 - Feed Us (Acoustic Version)
04 - Falling Stars

Elect The Dead Instrumental Version:
01 - Empty Walls
02 - The Unthinking Majority
03 - Money
04 - Feed Us
05 - Saving Us
06 - Sky Is Over
07 - Baby
08 - Honking Antelope
09 - Lie Lie Lie
11 - Beethoven's Cunt
12 - Elect The Dead


 Lie Lie Live (EP) (2008)

01 - Lie Lie Lie (Live From MySpace's The List)
02 - The Unthinking Majority (Live From MySpace's The List)
03 - Empty Walls (Victorious Club Mix)
04 - Sky Is Over (Fawk Yeah Remix) (EP Version)
05 - Empty Walls (Dub Remix)


 Elect The Dead Symphony (Live) (2010)

01 - Feed Us
02 - Blue
03 - Sky Is Over
04 - Lie Lie Lie
05 - Money
06 - Baby
07 - Gate 21
08 - The Charade
09 - Honking Antelope
10 - Saving Us
11 - Elect The Dead
12 - Falling Stars
13 - Beethoven's Cunt
14 - Empty Walls


 Imperfect Harmonies (2010)

01 - Disowned Inc
02 - Borders Are
03 - Deserving
04 - Beatus
05 - Reconstructive Demonstration
06 - Electron
07 - Gate 21
08 - Yes, It's Genocide
09 - Peace Be Revenged
10 - Left of Center
11 - Wings of Summer
12 - Goddamn Trigger (feat. Shana Halligan)

Limited Edition Bonus CD:
01 - Disowned Inc. (Orchestral Version)
02 - Borders Are... (Orchestral Version)
03 - Deserving (Orchestral Version)
04 - Beatus (Orchestral Version)
05 - Reconstructive Demonstrations (Orchestral Version)
06 - Peace Be Revenged (Orchestral Version)


 Imperfect Remixes (EP) (2011)

01 - Goodbye/Gate 21 (Rock Remix, feat. Tom Morello)
02 - Reconstructive Demonstrations (Rock Remix)
03 - Invisible Love/Deserving_ (Electro Remix)
04 - Goddamn Trigger (Non-Album Track)


 Harakiri (2012)

01 - Cornucopia
02 - Figure It Out
03 - Ching Chime
04 - Butterfly
05 - Harakiri
06 - Occupied Tears
07 - Deafening Silence
08 - Forget Me Knot
09 - Reality TV
10 - Uneducated Democracy
11 - Weave On


 Orca (2012)

01 - Act I: Victorious Orcinus
02 - Act II: Oceanic Subterfuge
03 - Act III: Deplhinus Capensis
04 - Act IV: Lamentation of The Beached

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 Jazz-iz Christ (2013)

01 - Fish Don't Scream
02 - End of Time
03 - Honeycharmed
04 - Arpeggio Bust
05 - Yerevan To Paris
06 - Scotch In China
07 - Distant Thing
08 - Song of Sand
09 - Garuna
10 - Balcony Chats
11 - Jinn
12 - Waitomo Caves
13 - Through Nights and Hopes
14 - Papa Blue
15 - Miso Soup

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