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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Christopher Lee - Discografia

Christopher Lee... esse senhor merece todo o respeito que o mundo pode oferecer. A imagem à esquerda retrata com exatidão um belo adjetivo para o homem: um rei. Ao ouvir seu nome, talvez alguns não façam ideia de quem seja ele, ou nunca tenham ouvido falar, mas com certeza já o viram por aí. Na geração dos meus avós e meus pais, Christopher Lee foi eternizado como o melhor personagem de Conde Drácula da história do cinema até então, através de uma sequência de filmes sobre o rei dos vampiros nas décadas de 50, 60 e 70, entre outros diversos filmes estrelados por ele.
Nos tempos modernos, no novo milênio, na minha geração, com certeza, todos já o viram interpretar o mago Saruman na trilogia d'O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. Pois é, é ele mesmo.
Christopher Frank Carandini Lee nasceu em 27 de maio de 1922 em Londres, na Inglaterra. Seu legado nos cinemas ultrapassou a marca de oito décadas e 300 filmes. Foi um homem mais do que bem-sucedido na vida profissional. Mas o Sir não era coroado apenas na indústria cinematográfica. Christopher Lee, mesmo com idade avançada, era vívido. Incansável. Insaciável. Um homem ambicioso, que por sinal nunca se deu por satisfeito. Mesmo consagrado tanto popularmente quanto por diversas premiações, ele não parava. Por isso, com certeza, vivia se realizando também na vida pessoal... e isso se estende ao mundo da música.
Sua voz baixa (em termos de notas musicais) têm tudo a ver, a princípio, com Música Erudita, gênero no qual ele cantava com extrema maestria e beleza. Sua carreira musical teve o pontapé inicial exatamente nessa vertente. Já que a postagem é sobre ele, então estou trazendo toda a magnífica discografia, incluindo os discos não-Metal. Logo, todos poderão desfrutar, caso estejam interessados (e não se arrependerão, caso se interessem nas obras-de-arte) de todos os discos de Christopher Lee.
Encabeçando essa maravilhosa discografia, vem o magnífico "Christopher Lee Sings Devil, Rogues & Other Villains", lançado no ano de 1996, já com Lee por volta dos 74 anos de idade. O disco é lindo e clássico, uma grande pedida para quem gosta e se delicia com essa vertente, principalmente pelo fato da set-list contar com covers de diversas peças e compositores clássicos como Wolfgang Amadeus MozartGilbert & SullivanCharles GounodRichard Wagner, entre outros, variando entre sinfonias compostas de forma mais pesada e obscura, às mais "allegro" e até mesmo até as vertentes mais cômicas. Uma delícia de classe!
A sequência se dá apenas em 2006, quando mais um sensacional álbum de covers saiu, intitulado "Revelation". Dessa vez, são regravações de músicas de época que são executadas, contando com a mesma perícia vocal de mestre do Lee. Disco leve, relaxante e maravilhoso de se ouvir. Nessa época, já fazia pelo menos dois anos que o ator estava se envolvendo com o Metal.
Para quem é ligado no Metal Melódico, Christopher Lee não é nenhuma novidade, pelo menos audivelmente. É sabido, de forma geral, que ele trabalhou com o Manowar no álbum "Battle Hymns MMXI" de 2010, assim como é mais sabido ainda que desde 2004, já trabalhava o épico Rhapsody of Fire, narrando suas épicas sagas e dando um clima ainda mais medieval e cinematográfico à sonoridade daquela banda. Porém, o ator e músico não usa sua grave e impactante voz apenas para narração; ele também é capaz de usá-la para cantar Metal, e muito bem, principalmente quando eleva o tom. Mas claro, não é nenhum agudo á lá Michael Matievich (Steelheart) da vida, pois seu tom é gravíssimo, baixo. Mas a experiência de ouvi-lo cantando o gênero musical mais amado do planeta é peculiar e orgulhosa.
Seu primeiro contato com o Metal aconteceu ao cantar em dueto com Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Vision Divine) na linda single "The Magic of The Wizard's Dream", faixa que fez parte do álbum "Symphony of Enchanted Lands II - The Dark Secret", de 2004, cuja single intitulada com o nome da faixa só saiu em 2005. Desde então ele foi se envolvendo cada vez mais com o Metal, influenciando-se principalmente pelo Rhapsody.
Com isso, em 2010 aconteceu algo realmente interessante e atrativo para quem curte Metal Épico: vem à luz o álbum "Charlemagne: By The Sword and The Cross", que é um disco estupendo, bombástico e épico. Ele não é exatamente Metal; apenas as duas últimas faixas contam com distorções de guitarra, segundo o que meus não tão treinados ouvidos detectam. Mesmo assim, o trabalho é frequentemente rotulado como Symphonic Metal. A produção é pesada e fantástica, contando com duas bandas de Metal, uma orquestra de 100 membros, além de vocalistas convidados especialmente para determinados trechos da história. É realmente foda todo o clima medieval, o classicismo da estruturação das canções, sem mencionar a carga histórica do que é narrado, pois sim, o disco é muito mais narrado do que cantado, ao lado de outras vozes com o mesmo clima "Age of Empires", como a de Christina Lee.
A história narrada versa sobre o rei Charlemagne, também conhecido como Carlos O Grande, ou Carlos I. Ele teve sua ascensão no século VIII, foi o primeiro Rei dos Francos, o primeiro Imperador Romano Sagrado, e por sua vez, o primeiro imperador do oriente europeu desde a queda do Império Romano do Oriente na segunda metade do século V. A história conta que o rei fez campanha contra os saxões e bávaros, impondo o Cristianismo por onde passava, conquistando o oriente e centro europeu. Frequentemente creditado como o responsável pela unificação da Europa, propiciando um verdadeiro renascimento cultural, religioso e artístico, desenvolvendo um sentimento de identidade, nacionalismo. Inclusive, as monarquias francesa e germânica são consideradas descendentes de seu reinado. Sua supremacia teve fim em 814, quando morreu.
O que ninguém esperava é que uma sequência sobre Charlemagne fosse construída, e muito menos que seria na configuração "Heavy Metal". Cem por cento Heavy Metal. Provocando positiva ansiedade e curiosidade, o álbum "Charlemagne: The Omens of Death" foi anunciado em 2013. Seu lançamento aconteceu no dia 27 de maio, data em que completou 91 anos de idade. O line-up conta, além de Christopher Lee nos vocais, com o jovem guitarrista guatemalteco Hedras Ramos, seu pai, o baixista Hedras Ramos Sr., e o baterista inglês Ollie Usiskin. Os arranjos das linhas de guitarra foram compostos por Richie Faulkner (Judas Priest), e novamente, vários vocalistas convidados especiais foram convocados.
O álbum saiu merecendo adjetivos já esperados: épico, magnífico, forte, pesado. A minha primeira experiência ao ouvir foi estranha, pois a segunda faixa "Charles The Great", que é quando começa de fato a contar a história, o modo como Christopher Lee canta me lembrou (e ainda lembra) de forma clara o Falcão cantando "The Mummy" no Massacration. Hahahaha... Com todo respeito à Lenda, mas é que parece mesmo, confiram ao baixar! Mas essa impressão fica apenas com essa faixa, que é foda! O restante do disco também é brilhante e envolvente, com orquestras sempre presentes e solos de guitarra técnicos e rápidos. Os refrões são cantados em coro, evidenciando o flerte com o Rhapsody of Fire. Muito interessante também é o próprio Christopher Lee interpretando Charlemagne na faixa "The Betrayal", comandando seu exército. Lembra vividamente essa cena d'O Senhor dos Anéis. Enfim, um disco que vale muito a pena guardar na memória!
É uma enorme pena que no dia 7 de junho de 2015, Christopher Lee tenha vindo a falecer por insuficiência cardíaca e respiratória.
Christopher Lee, que foi ator, cantor, além de escritor, sem sombra de dúvidas merece uma atenção e respeito que atravessa gerações. Uma lenda capaz de nos surpreender com trabalhos fantásticos, seja na indústria cinematográfica quanto na fonográfica. A prova de que o tempo envelhece o corpo, mas não a sanidade, se você mantiver sua cabeça ativa e permanecer saudável. Com trabalhos completamente "metalizados", o ato de curvar em reverência a esse rei há de ser ainda mais inclinado. Que o som de Saruman em Isengard inunde vossos ouvidos!


 Christopher Lee Sings Devils, Rogues & Other Villains (1996)

01 - A More Humane Mikado (Gilbert & Sullivan Cover)
02 - Mack The Knife (Die Dreigroschenoper Cover)
03 - Non Più Andrai (Wolfgang Amadeus Mozart Cover)
04 - The Clock Scene (Modest Moussorgsky Cover)
05 - Serenade (Charles Gounod Cover)
06 - Ghostriders In The Sky (Written By Stan Jones)
07 - Hagen's Watch (Richard Wagner Cover)
08 - Epiphany (From Sweeny Todd)
09 - Le Veau D'Or (Charles Gounod)
10 - I Stole The Prince (Gilbert & Sullivan Cover)
11 - Credo In Un Dio Crudel (Giuseppe Verdi Cover)
12 - Song of The Flea (Modest Moussorgsky Cover)
13 - The Streets of Laredo
14 - Donner's Song (Richard Wagner Cover)
15 - Man of La Mancha

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 Revelation (2006)

01 - The Impossible Dream (The Quest Cover)
02 - I, Don Quixote (Man of La Mancha Cover)
03 - Carmencita (Quiero Y No Quiero Querer Cover)
04 - The Toreador March (Flamenco Cover)
05 - O Sole Mio (It's Now Or Never Cover)
06 - High Noon
07 - Wanderin' Star
08 - Oh What A Beautiful Mornin'
09 - Name Your Poison
10 - Toreador March (Heavy Metal Mix)
11 - The Little Drummer Boy
12 - Silent Night
13 - My Way
14 - Behind The Music (with Christopher Lee)

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 Charlemagne: By The Sword and The Cross (2010)

01 - Overture
02 - Act I: Intro
03 - Act I: King of The Franks
04 - Act II: Intro
05 - Act II: The Iron Crown of Lombardy
06 - Act III: Intro
07 - Act III: The Bloody Verdict of Verden
08 - Act IV: Intro
09 - Act IV: The Age of Oneness Out of Diversity
10 - Act V: Intro
11 - Act V: Starlight
12 - Finale
13 - Iberia
14 - The Bloody Verdict of Verden (Instrumental)

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 A Heavy Metal Christmas (EP) (2012)

01 - The Little Drummer Boy
02 - Silent Night

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 Charlemagne: The Omens of Death (2013)

01 - The Portent
02 - Charles The Great
03 - The Siege
04 - Massacre of The Saxons
05 - Dawning of A New Age
06 - Let Legend Mark Me As The King
07 - The Betrayal
08 - The Devil's Advocate
09 - The Ultimate Sacrifice
10 - Judgement Day

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 Metal Knight (EP) (2014)

01 - I, Don Quixote
02 - The Impossible Dream
03 - The Toreador March
04 - My Way (Radio Edit)
05 - I, Don Quixote (Extended Version)
06 - The Impossible Dream (Extended Version)
07 - The Toreador March (Extended Version)

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 Darkest Carols, Faithful Sing (Single) (2014)

01 - Darkest Carols, Faithful Sing
02 - Darkest Carols, Faithful Sing (Extended Vocals)
03 - Darkest Carols, Faithful Sing (Instrumental)

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2 comentários:

  1. Gênio, assisti seus filmes desde moleque. Me fazia tremer como Drácula !!!!
    Grande mestre, agora só os sortudos aí do outro lado vão poder ter o previlegio de estar com vc. RIP mestre... + 1 X VLW WOTM. Walker, força irmão . Obrigado.

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