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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ayreon - Discografia Comentada

Contemplem o fantástico, brilhante, fabuloso, espetacular Ayreon, o melhor Metal Opera em atividade! Repito: o melhor Metal Opera em atividade! E pode ter certeza que eu digo isso sem me esquecer do Avantasia. O Ayreon é uma verdadeira obra-prima resultada da brilhante mente do guitarrista e vocalista holandês Arjen Anthony Lucassen, que por incrível que pareça, não é tão conhecido assim, pelo menos não no Brasil, o que me impressiona. Mas uma notável marca do Ayreon é que conquistou fãs bem fiéis e apaixonados pelas histórias contadas, e claro, pela musicalidade maravilhosa, complexa e dopante. Eu sou um deles, e conheço outros que sentem o mesmo.
Sou suspeito demais para escrever essa postagem, pois sou fã de carteirinha! Acho que nunca desenvolvi uma publicação com tanta paixão e tanta vontade! O principal motivo é por eu ser fã, mas não é apenas por isso; o Ayreon tem uma identidade, uma sonoridade muito própria, um diferencial que o põe à parte das demais bandas e projetos, e o torna merecedor de uma bela resenha. É de fato um expoente do Metal.
Por anos eu via por aí uma tal banda chamada "Ayreon", mas realmente levou um tempão pra eu baixar algo, e mais outro tempão pra resolver ouvir. Admito que no princípio eu não gostei do trabalho. Comecei com o espetacular álbum "01011001", de 2008, e não achei muita graça, o que me deixa encabulado se parar pra pensar agora. Semanas depois, fui dar uma chance ao excelente "The Human Equation", de 2004, e o azedo foi o mesmo. Novamente, semanas se passaram, e em uma última tentativa, pus o "Universal Migrator Part I: The Dream Sequencer" pra tocar. O fogo da paixão se acendeu logo no primeiro minuto da introdução. Ouvir aquela voz mecânica dizendo "Dream Sequencer system online" fez eu me apressar em ler a letra. Segui lendo e ouvindo a bela voz de Lana Lane (que é casada com o excelente tecladista estadunidense Erik Norlander) interpretando a voz da máquina chamada "Sequenciador de Sonhos" que se comunica com um colonizador marciano que está para usá-la (mais detalhes sobre a história eu darei mais abaixo). A partir daí, já era. Fui engolindo o álbum, me apaixonando a cada música, seja pela letra ou pela sonoridade viajante, dopante. O efeito acabou sendo progressivo, pois fui caçando um álbum atrás do outro e viciando em todos. Não é à toa que é o meu álbum preferido. É até por isso que trago essa postagem completinha, com todos os lançamentos do Ayreon, inclusive singles. Eu sou tão fã que estou sempre entrando em contato com o Arjen Anthony Lucassen e elogiando ele, e até mesmo trocando algumas ideias e informações, digamos, exclusivas, que com certeza ajudarão a compôr essa postagem. Além disso, tenho um canal no Youtube onde apresento as canções traduzidinhas direitinhas.
Com cada um sempre é uma experiência diferente conhecer determinada banda, e essa foi a minha com o Ayreon. Sua sonoridade é complexa, até mesmo estranha. Eu diria até que é uma banda para se ouvir com o coração, mas que também depende das letras, sem dúvidas, pois a sonoridade estaria meio que despida de sentido verdadeiro se a letra não for acompanhada, pois a fusão de sonoridade e letras é a verdadeira magia dos trabalhos, criando verdadeiras obras-primas. Sonoramente falando, o que é executado é, na verdade, Progressive Rock, ou Progressive Metal, dependendo do álbum em questão, misturado com Symphonic Metal e algo atmosférico, além de outras influências. Inclusive, nunca vi uma banda utilizar tanto os violões em meio aos teclados e guitarras. Arjen os introduz com maestria! Particularmente acho que o Progressivo é o gênero perfeito em caso de uma sonoridade realmente foda e técnica.
Agora, não é só porque eu gosto mais do Ayreon que do Avantasia que eu o considero o melhor Metal Opera. É também por fatores como a diferença de som, pois o Avantasia não faz algo tão diferente assim, e o Ayreon faz, e muito. As letras do Ayreon são anos-luz mais viajantes e mais profundas, mais elaboradas. Outro motivo, que pra mim é um dos principais, é que o Arjen é capaz de explorar de um modo bem melhor sucedido o potencial dos vocalistas convidados do que o Tobias. No Ayreon eles dão mais de si, produzindo músicas onde os caras cantam destruindo. No Avantasia também, mas nem tanto assim se for colocar o Ayreon como parâmetro. Claro que isso não quer dizer que os vocalistas estão lá mandando ver o tempo todo, destruindo no gogó 100% do tempo. Quer dizer que suas vozes são perfeitamente aproveitadas de acordo com a música. Tudo se encaixa de modo milagroso! Opinião minha, claro.
O Arjen é um cara socialmente recluso, pelo menos diz ser, e sempre se dedicou à música para si mesmo, como passatempo e satisfação própria. Seu primeiro trabalho lançado foi por sua carreira solo, o excelente álbum "Pools of Sorrow, Waves of Joy", que veio em 1994. Tudo foi composto para ele mesmo, sem pensar em fãs nem nada do tipo. Tanto que o álbum é apenas ele, muito na base do violão e de sua voz, no máximo contando com os backing vocals das vocalistas também holandesas Mirjam van Doorn e Debbie Schreuder. Tudo na simplicidade, com temas diversos sobre a vida, algumas das letras inspiradas também nas vidas de amigos seus. Até aí, tudo bem, até que ele decide pôr as mãos na massa em uma ideia que ele vinha tendo.
O Arjen é um multi-instrumentista, fã de Rock Progressivo (como YesPink FloydDeep PurpleUriah Heep, entre outros) e seriados antigos de ficção científica como Star Trek, coisas bem viajantes. Combinação perigosa, não é? Pois é... Em seus trabalhos, o Arjen toca todos os instrumentos, menos a bateria, que no caso do debut varia de faixa em faixa entre Davy Mickers e Ernst van Ee (HelloïseHighway Chile). Então Arjen começou a fazer convites para vários vocalistas participarem do projeto, e assim o que seria seu segundo álbum solo foi tomando forma. Quando ficou pronto, o título seria "Ayreon: The Final Experiment", mas a gravadora sugeriu que Ayreon se tornasse o nome do projeto, já que era uma proposta bem diferente do seu primeiro disco. A ideia foi acatada por Arjen, que assim deu início a um projeto que ainda viria a lançar muitas obras-primas. Com isso, em 1995, o debut "The Final Experiment" é lançado, álbum que é frequentemente apontado como um dos primeiros Metal Operas e o ressuscitador do gênero Rock Opera. Esse lindo disco conta com diversas participações especiais em diversos setores, não vou mencionar todos, mas a maioria é holandesa mesmo. Entre os vocalistas, fazem parte do projeto Edward ReekersIan Parry (ElegyConsortium Project), Lenny Wolf (Kingdom Come), Leon Growie (Vengeance), Jay van Feggelen, entre outros. Os nomes não tão conhecidos não podem ser subestimados, pois todos são perfeitos e têm vozerões. Vide Lenny Wolf destruindo na "Eyes of Time", por exemplo. Os backing vocals de Mirjam van Doorn e Debbie Schreuder se mantém dando uma sublime beleza às canções.
O "The Final Experiment" é um disco que mistura Prog Rock com um pouco de Power e Folk Metal. Isso se deve ao fato de que é uma história fantasiosa, o início dos contos do projeto. Vou falar um pouco sobre a história em cada disco, mas sem dar spoilers, coisa que eu faria sorrindo, pois é fascinante. Mas se eu ficar spoilando, vai perder a graça! O conto começa no ano de 2084, ano da trágica Guerra Final que dizimou completamente a humanidade e o planeta Terra. A fim de impedir que isso viesse a acontecer novamente, cientistas desenvolveram um programa de computador chamado "Telepatia Temporal", e iniciou uma missão chamada "Experimento Final", que consiste no envio de ondas para o passado, contendo visões de como viria a ser o fim da Terra e da humanidade. Essas ondas são captadas pelo menestrel (um trovador, que conta histórias em forma de música e poesia) chamado Ayreon, que devido ao fato de ser cego, possui os demais sentidos mais aguçados e acaba sendo atingido por essas ondas. Após o incidente, o disco segue narrando sua história, que se passa principalmente no reino de Avalon, local onde Ayreon foi acolhido pelo mago Merlin, o Rei Arthur e sua rainha Gwenhwyfar, após ter sido banido de sua aldeia ao ser considerado um demônio devido a suas palavras de mal presságio. A história tem um final incomum!
Logo no ano seguinte, em 1996, o segundo e excelente disco é lançado, intitulado "Actual Fantasy". Esse é o único álbum não-conceitual do projeto. Ele não tem nada a ver com o personagem Ayreon e sua história. Ele foi composto em volta de um conceito de fantasia eletrônica, como se os personagens paralelos em cada canção estivessem dentro de um programa de computador. As participações vocais foram reduzidas nesse disco, contando com, basicamente, apenas três vocalistas integrais: novamente Edward Reekers e sua bela voz, que fazem participação em todas as faixas, Robert Soeterboek (Wicked Sensation) e Okkie Huysdens. Mas isso não diminui de forma alguma o brilho do álbum, que sem dúvidas é foda. Faixas do cacete como "Abbey of Synn", "Beyond The Last Horizon" e "Forevermore" estão aí pra ver, além de "Computer Eyes", que é uma das canções que o próprio Arjen mais gosta.
O sucesso de fato viria com a primeira verdadeira obra-prima do Ayreon, que foi lançada em 1998 e recebeu o título "Into The Electric Castle". Trata-se de um exímio Rock Progressivo, organizado em Rock Opera, tocado com perfeição e maestria ao longo canções compostas de modo invejável, com direito a teclados Hammond e tudo mais, companheiros fiéis da sonoridade do Ayreon. O trabalho conta com diversas atmosferas ao longo de seus dois discos, fazendo o ouvinte adentrar na história e perceber diferentes emoções entre os personagens.
O número de participações especiais nesse álbum já aumenta consideravelmente, pois a história é toda desenvolvida e bem trabalhada. Ela já retorna ao conceito da história principal, mas tudo só viria a ser entendido mais claramente nos álbuns subsequentes. Aqui a história se passa em uma dimensão paralela, onde um alienígena chamado "Eterno das Estrelas" encabeça um experimento com oito seres humanos escolhidos de diferentes espaços temporais e diferentes regiões do planeta: um escocês da Idade Média, um indiano, um dos Cavaleiros da Mesa Redonda do Rei Arthur, um romano, uma egípcia, um hippie e um homem do futuro. Ao longo do disco, os personagens dialogam entre si a partir das vozes dos vocalistas, e discutem onde estão e o que devem fazer. Logo na segunda e fantástica canção, "Isis and Osiris" já é possível ver a divergência de pensamentos: enquanto o escocês tenta compreender do que se trata o lugar, se é a hora de pagar por seus pecados, o romano acredita que está no submundo sobre as mandíbulas de Occus, o cavaleiro de Avalon acha que estão em uma missão em busca do Santo Graal e a egípcia acredita que é o convite de Ísis e Osíris para entrar em seu grande salão. A história vai tendo sequência e o alienígena vai conduzindo seus destinos, e de fato, alguns morrem. A revelação do propósito do experimento é explicada no fim do disco pelo próprio Eterno.
Canções notáveis desse magnífico trabalho são, além da já mencionada "Isis and Osiris", outras como "Time Beyond Time", "Across The Rainbow Bridge", "The Garden of Emotions", "The Castle Hall" e "Another Time, Another Space", pelo menos pra um pontapé inicial, não querendo de forma alguma diminuir as demais, que são no nível! As participações especiais também já começam a ficar de um nível mais internacionalmente conhecido. Os personagens são interpretados por Jan van FeggelenEdward ReekersRobert Westerholt (guitarrista do Within Temptation), George Oosthoek (Kutschurft), Anneke van Giersbergen (The Gathering), Edwin BaloghDamian Wilson (Threshold) e Sharon den Adel (Within Temptation).
No sensacional embalo de "Into The Electric Castle", mais confiante e mais musicalmente maduro, Arjen Anthony Lucassen decide ser ainda mais ousado em sua próxima dupla de álbuns. Ousado em todos os sentidos mesmo: sem medo de inovar e experimentar, sem medo de explorar sua própria sonoridade e criatividade, e sem medo de contar com participações especiais de peso. Esses dois discos são os meus preferidos do projeto: começando pelo "Universal Migrator Part I: The Dream Sequencer", que mencionei lá no princípio da postagem, lançado em 20 de junho de 2000. O disco explora os confins do Rock Progressivo e do Psicodélico, com muito, muito efeito atmosférico dos teclados, propiciando uma sonoridade viajante e muito profunda, difícil de não se envolver. Até meu pai pega esse disco pra ouvir por conta própria! As músicas grudam na cabeça, principalmente as profundas passagens de sintetizadores e os solos de guitarra cheios de feeling. Meus olhos até lacrimejam quando ouço "My House On Mars" (principalmente), "2084", "And The Druids Turn To Stone" ou "The First Man On Earth". É profundamente magnífico!
A história é o complemento da base iniciada no primeiro disco, "The Final Experiment". A história de "The Dream Sequencer" se passa no ano de 2112 e narra a trajetória de um ser humano que nasceu em Marte e nunca viu o planeta Terra. A Guerra Final e toda a destruição prevista por Ayreon de fato aconteceu, pois ninguém ouviu aos seus avisos, tornando o Experimento Final um fracasso, e a humanidade está praticamente extinta, e a Terra estéril de vida, sendo esse colonizador o último ser humano vivo, um ser humano que nunca esteve na Terra. À beira da morte, ele utiliza uma máquina chamada "Sequenciador de Sonhos", que produz um tipo de hipnose que pode levar o usuário às suas próprias lembranças, ou além. No caso, o colonista utiliza o programa "Migrador Universal", que o leva para além de suas lembranças, para a história da humanidade, e até do universo. Ao longo do disco ele vai voltando cada vez mais no tempo, passando por um caótico jogo de imagens.
Já se tratando dos vocalistas, se fazem presentes Lana Lane (Roswell Six), Floor Jansen (ReVamp, ex-After Forever), Johan Edlund (Tiamat), Damian Wilson (Threshold), Edward ReekersNeal Morse (TransatlanticFlying Colors), entre outros, além do próprio Arjen Anthony Lucassen, que está sempre cantando coisa ou outra em todos os álbuns.
Já a segunda parte da aventura virtual do colonista marciano foi lançada um mês depois, em 20 de julho de 2000, e se chamou "Universal Migrator Part II: Flight of The Migrator". A sonoridade aqui já muda em relação à parte um, pois agora o Symphonic Power/Progressive Metal bastante galático é explorado, e agora contando com vocalistas mais agressivos e de alto renome mundial, além de uma sonoridade também mais agressiva. Essa dupla de discos me impressiona mais do que quaisquer outros trabalhos do Ayreon porque eles são fodas de uma forma bem minuciosa! Não são apenas as letras que são super bem compostas, com belas palavras escolhidas e uma verdadeira fertilidade para sua imaginação: a atmosfera das canções também, que retratam com exatidão o que se passa no momento da letra! A parte dois do "Universal Migrator" é campeã nisso. É tudo perfeito, em seu devido lugar, fazendo parecer realmente que você está passando por uma estrela, ou pelo Big Bang, ou pelo buraco negro, buraco de minhoca ou buraco branco, entre diversos outros detalhes simplesmente magníficos. Um puta trabalho!
A história é a sequência de onde o colonista marciano parou na parte um, mas agora em escala universal. Ele volta tanto no tempo que o Sequenciador de Sonhos o alerta que podem haver perigos, pois ninguém nunca havia "preencarnado" para tão longe antes, por isso uma confirmação de fator de risco se fazia necessária. Ele confirma e a aventura começa, começando no Big Bang, onde, no momento da explosão, uma grande alma foi criada, chamada "Migrador Universal", que se subdividiu em milhões de outros e espalhou vida pelo universo. O colonista então acompanha o Migrador que eventualmente alcança o planeta Terra, seguindo-o em sua jornada pelo tempo e espaço até chegar no planeta azul. Em seu caminho, eles passam por uma pulsar (estrela de nêutrons recém explodida), supernovas, pelo Quasar 3C273 (localizado na constelação de Virgem, a 2 bilhões de anos luz de nosso planeta), por um buraco negro, consequentemente pelo buraco de minhoca, até sair pelo buraco branco e se deparar na galáxia M31 (conhecida como galáxia de Andrômeda) e descobrir que naquela região, na constelação de Alfa Pegasi, girando em torno da estrela de Sirá, jaz um corpo celeste chamado Planeta Y. Sua relação com a história geral, você vai saber acompanhando e ouvindo esse e os demais álbuns! Dei spoiler até demais nessa, hahaha! É muito bem elaborado, sinônimo de perfeição e não deve ser difícil compreender por que eu sou tão fã!
Já se tratando de participações especiais, pode ficar de boca aberta: Russell Allen (Symphony XAdrenaline Mob), Ralf Scheepers (Primal Fear), Andi Deris (Helloween), Bruce Dickinson (Iron Maiden), Fabio Lione (Rhapsody of FireVision Divine), Timo Kotipelto (Stratovarius), entre outros! É, rapaz, o Arjen pegou pesado mesmo nos nomes, hahaha!
Mais tarde naquele ano de 2000 saiu a primeira compilação do projeto, intitulada "Ayreonauts Only", contendo, além de algumas canções dos trabalhos até então, algumas versões demo e single de outras músicas. O disco também contém a faixa "Cold Metal", lançada por um outro projeto paralelo que Arjen estava levando, chamado Ambeon, um projeto lindo que aproveitou as mesmas bases instrumentais dos discos anteriores do Ayreon e criou novas músicas, lideradas pela angelical voz de Astrid van der Veen.
Mais lançamentos só foram sair no ano de 2004, começando pela "reissue" do Actual Fantasy, contendo uma faixa bônus. Na sequência, vem o excelente duplo "The Human Equation", que se mostra bem diferente de qualquer outro trabalho que o Ayreon já tinha lançado, mais um reflexo da ousadia de Arjen. A sonoridade é diferente principalmente por motivos de força maior, pra não ficar fazendo nada repetitivo. Daí o Arjen explorou novos horizontes e criou esse álbum que mistura Power e Progressive Metal/Rock, e que, na minha opinião, é superestimado demais. De fato ele é foda, mas não tanto quanto vejo as pessoas clamando por aí, como se fosse o melhor trabalho que a maravilhosa mente de Arjen já criou.
A princípio, o ouvinte até chega a pensar que é um álbum conceitual que não tem nada a ver com a história original do Ayreon, mas tem sim, e o último minuto da última música explica tudo de repente (mindblow que só o Arjen é capaz de proporcionar). A história de "The Human Equation" se passa em um hospital, onde o personagem principal se recupera após sofrer um acidente de trânsito, correndo risco de vida. Em coma, o cara se recupera em sua cama enquanto ouve as conversas de seu melhor amigo (responsável pelo acidente) e sua esposa, que chegam a trocar acusações, mas também trocam palavras de esperança sobre sua recuperação. Ao mesmo tempo, dentro de sua cabeça, uma verdadeira batalha entre razões e emoções é travada. Um filme de diversos momentos de sua vida passa por sua cabeça, o levando a ponderar se ele luta para se manter vivo ou se rende e deita no leito da morte. As emoções, como o amor, a esperança, o medo e tudo mais são personificados nas letras, de modo que eles entram em contato verbal com o paciente, gerando um verdadeiro cabo de guerra entre o otimismo e o pessimismo. Acaba que no fim do álbum é possível ouvir uma abrupta parada na música, o som do Sequenciador de Sonhos e a voz de máquina dizendo que o programa da Equação Humana foi abortado e que o Sequenciador entrou em status offline. Ou seja: era alguém usando o Sequenciador de Sonhos para reviver suas próprias memórias. Muito foda! Em cada faixa, cada vocalista fica responsável por um sentimento ou razão. O mais interessante é que essa história não veio do nada na cabeça do Arjen. Isso de fato ocorreu, mas na vida de um amigo, daí a inspiração.
Agora falando das participações especiais, dessa vez Arjen contou com James LaBrie (Dream Theater), Marcela Bovio (Stream of Passion), Eric Clayton (Saviour Machine), Magnus Enkwall (The Quill), entre outros, dando a chance para vocalistas menos conhecidos participarem do projeto, com exceção do LaBrie, atração principal do trabalho, mas que ao meu ver, é o único vocalista que não foi bem aproveitado no projeto. O LaBrie é capaz de muito mais. Contudo, toda a mudança na sonoridade, até o forte peso das distorções das guitarras e músicas mais agressivas e apelativas também são frutos da situação negativa em que Arjen se encontrava em sua vida pessoal, que acabou afetando sua música. Para mim, foi uma queda, até mesmo para o próprio Arjen, mas para outros, de jeito nenhum. Mas continuou foda de qualquer modo, na minha opinião!
Quatro anos depois, em 2008, mais um monumento do Ayreon é construído: o álbum (novamente duplo) "01011001", que marca o domínio completo do novo direcionamento musical do projeto. Um álbum Progressivo, poderoso, com passagens Folk e o detentor das composições mais complexas. É possível notar um alto nível de desenvolvimento também nas letras, ainda melhor compostas, beirando a perfeição. Aqui, as letras deixaram de ser mais "jogadas na cara", deixando pouca dúvida sobre a ideia passada, e passou a ser mais filosofada, mais racional, exigindo interpretação. Um grande avanço para um projeto que até então já era foda pra caralho.
O nome soa estranho, não é? Isso é muito a cara do Ayreon. 01011001 é um código binário que significa Y. A razão desse nome é que o álbum explica tudo sobre os Eternos, inclusive o que aconteceu com seu Planeta Y e sua raça. O primeiro disco se chama "Y", e é bastante inspirado no Star Trek, pois mostra que os Eternos são um grupo de cientistas alienígenas que discutem o futuro do planeta, de sua própria raça e o que fazer para se manterem vivos, pelo menos manter seu código genético vivo. Ao longo do disco é possível ver os diferentes pensamentos entre os Eternos: uns defendendo que o mundo de agora está melhor, pois eles têm tudo que precisam na mão, têm segurança, e outros defendendo que por causa disso o planeta está morrendo, e consequentemente a sua raça, e precisavam encontrar um modo de se salvarem e voltar a viver uma vida simples. Acontece que, rastreando a trilha de um Migrador Universal específico, eles encontraram um planetinha azul aí, e decidiram que esse era o planeta que daria sequência ao seu código genético. Então, na transição entre o primeiro disco "Y" e o segundo disco, chamado "Earth", coisas interessantíssimas acontecem acontecendo e que será necessário que você acompanhe, rsrsrs! Não tem como não se apaixonar por uma história tão viajante e tão desenvolvida. O melhor é quando na sua cabeça você compreende as relações entre os álbuns, dá aquele mindblow danado. É demais!
Em se tratando das participações especiais vocais, "01011001" conta com artistas como Hansi Kürsch (Blind Guardian), Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), Jørn Lande (MasterplanJorn), Jonas Renkse (Katatonia), Tom Englund (Evergrey), Bob Catley (Magnum), Floor Jansen (ReVamp, ex-After Forever), Simone Simons (Epica), Anneke van Giersbergen (The Gathering), entre outros! Mais um álbum com participações especiais de peso! Um disco simplesmente magnífico!
Em seguida, ainda em 2008, o EP "Elected" é lançado, contendo versões acústicas de faixas do "01011001" e um cover da canção "Elected", do Alice Cooper, cantada por Tobias Sammet (EdguyAvantasia). Já no finzinho do ano, com muita dificuldade, o Arjen escolhe algumas canções de todos os álbuns e as organiza em ordem cronológica em uma compilação nomeada "Timeline". O mais interessante é que a última faixa do terceiro disco, intitulada "Epilogue: The Memory Remains", é inédita e explica o que vem a acontecer após todos os incidentes de todos os álbuns, que se conectam no mesmo espaço temporal, finalmente. A faixa é cantada por Jasper Steverlinck, um vocalista desconhecido que detém uma voz fascinante! Ao fim de 2008, o Ayreon acabou infelizmente entrando em hiato, pois com todo o profissionalismo do Arjen, ele ouviu às críticas (que me deixam encabulado) que diziam que sua sonoridade não está oferecendo nada de novo. Preocupado em ficar fazendo mais do mesmo, ele deu um hiato ao projeto por tempo indeterminado. Disse que só lançaria um novo álbum depois que tivesse algo diferente em mente, e isso poderiam levar até mais de uma década. Acho uma pena terem feito esse tipo de crítica pois a sonoridade já tinha mudado de modo drástico em "The Human Equation", e "01011001" é um aprimoramento perfeito. Mas...
Enquanto isso, para ir desenvolvendo novas ideias com mais naturalidade,  o Arjen passou a se dedicar a projetos paralelos. O primeiro deles foi o Guilt Machine, projeto de Progressive Metal que contou com o desconhecido Jasper Steverlinck como vocalista. O resultado do trabalho foi o álbum "On This Perfect Day", lançado em 2009, que é muito foda! É bem diferente do Ayreon, mas ao mesmo tempo é possível notar aqueles certos traços, pois não tem jeito, é a musicalidade do Arjen. Mas o importante é estar tentando fazer algo diferente e estar dando certo.
Nesse meio tempo, o Arjen começou a dar indícios de que o Ayreon ia acabar definitivamente pois as vendas diminuíram. Para as bandas em geral isso não é tão trágico, mas pra ele sim, pois ele não gosta de se apresentar ao vivo, prefere ficar quieto e fazer música de estúdio. Então a única fonte de renda dele para manter o projeto vivo são as vendas. Mas felizmente ele acabou mudando de ideia, e tudo se manteve simplesmente como um hiato.
Continuando sua dedicação em trabalhos paralelos em busca de uma sonoridade diferente, ele também lançou em 2010 lançou o "Victims of The Modern Age" por seu projeto de Power/Progressive Metal chamado Star One (que também já havia lançado álbum anteriormente, em 2002), além de, em 2012, ter vindo à tona o lançamento do segundo álbum de estúdio de sua carreira solo, intitulado "Lost In The New Real", um monumental trabalho que dá uma bela explorada em diversos gêneros como o Hard Rock, Prog Rock, Psicodélico, Heavy Metal, entre outros. O mais interessante é que o trabalho, que é um álbum duplo, como é costume do Arjen, é um disco feito para ele mesmo, pensando em agradar a ele ele mesmo, voltando às origens. Pouco depois, sai a notícia de que ele estava planejando um novo trabalho, e que seria um Ayreon. Nem tantas informações sobre o novo disco foram divulgadas naquele momento, pois ele ainda estava trabalhando firme na composição instrumental.
Todavia, já em 2013, as novidades começam a ser divulgadas, e aos poucos, foi sendo revelado que o álbum contaria com membros completamente novos, que nunca haviam participado de nenhum trabalho do Arjen. Portanto, sem Damian Wilson, sem Russell Allen, sem Anneke. Mas isso não é sinônimo de menor qualidade, uma vez que estamos falando de Arjen Anthony Lucassen. Nada ruim sai da mente desse cara.
Para entreter, bem como divulgar, o Arjen foi soltando no Youtube, a exemplo do que fez com o Star One, o concurso "adivinhe o músico", que solta um trecho das novas faixas e pede pra galera adivinhar quem está cantando ou tocando os instrumentos. Ouvindo aqueles trechos, eu já sabia que viria mais uma obra-prima, mais um disco espetacular, e mais Progressivo do que nunca. E assim foi.
No dia 28 de outubro, finalmente, o magnífico "The Theory of Everything" foi lançado. O nome mesmo já cria uma grande expectativa ao que será ouvido, e o nome das faixas também aguçam esse sentimento. O plantel, embora seja limitado devido a quantidade de personagens da nova trama, é de peso, e alguns são simplesmente legendários. Os vocalistas são Marco Hietala (NightwishTarot), Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Tommy Karevik (Kamelot, ex-Seventh Wonder, que foi chamado porque o Roy Khan (ex-Kamelot) recusou o convite, alegando não mais cantar), JB (Grand Magus), além de Michael Mills (Toehider) e Sara Squadrani (Ancient Bards), intérpretes que impressionaram a todos por serem inesperados e mostrarem que o Arjen tem os ouvidos bem abertos. Nos teclados, simplesmente uma equipe que o universo não consegue suportar junta por pouco: Keith Emerson (ex-Emerson, Lake & Palmer), Rick Wakeman (ex-Yes) e Jordan Rudess (Dream Theater). Impressionante, não? Pois é. Com uma equipe tão poderosa, só poderia sair um álbum poderoso.
No que diz respeito ao instrumental, "The Theory of Everything" reúne tudo o que o Arjen 'aprendeu' até hoje enquanto desenvolveu o Ayreon. Ele tem elementos de todos os álbuns anteriores, criando uma fenomenal fusão entre, principalmente, "Into The Electric Castle" e "The Human Equation", somados com pesados elementos de "01011001". Contudo, isso não quer dizer que o disco seja apenas cópias, muito pelo contrário: ainda há espaço para identidade própria. Tal propriedade pode ser percebida com os elementos introduzidos por Arjen nas músicas: muito Folk (através de instrumentos de sopro) e prolongados usos de violinos e orquestrações. Outros elementos mais antigos podem ser percebidos, aqueles clássicos para a manutenção de um Prog Rock característico e de qualidade como os teclados Hammond, que são companheiros quase integrais da audição e são perfeitamente introduzidos.
É muito interessante perceber que o número de faixas é enorme, não é? Mas por que isso? Bom, na verdade, o álbum é compreendido em quatro grandes faixas, ou "fases", sendo elas: "Singularity", de 23:29; "Symmetry", de 21:31; "Entanglement", de 22:34; e "Unification", de 22:20. Elas estão divididas em dois CDs, duas pra cada lado. Logo, temos uma experiência de em torno de 45 minutos por álbum, ou uma hora e meia o disco inteiro, como é natural dos trabalhos do Ayreon, serem álbuns duplos, completos, com mais duração que o comum. É marca do Progressivo, todos sabemos disso, rs! Plus, cada uma dessas quatro grandes faixas estão subdivididas em outras, que somam um total de 42 faixas menores. Cada fase é interconectada, logo, não sentimos a passagem de uma música para outra, afinal, na verdade é uma longa faixa só. Por isso, cada uma delas tem duração pequena, em torno de 2 ou 3 minutos. Mas por que 42 faixas? Bom, na verdade, isso é proposital. O disco se chama "The Theory of Everything", "A Teoria de Tudo", e segundo a fantástica série de livros "O Guia do Mochileiro das Galáxias", de Douglas Adams, 42 é a resposta para tudo, incluindo o universo e a vida.
Dessa vez, a história não tem absolutamente relação alguma com a principal. Arjen optou por uma história alternativa, mas também genial. "The Theory of Everything" narra a história de um garoto (Prodígio) associal, que apesar de sua dificuldade de introdução na sociedade, é um gênio matemático nunca visto antes. Mas seus pais não reconhecem isso, e principalmente seu pai, que é cientista e obcecado pela resolução da equação da Teoria de Tudo, não o dá atenção. Seu professor é quem percebe seu potencial ao descobrir que o garoto solucionou equações que há muito ele não conseguia, e aí a história engrena. No fim de tudo, a equação da Teoria de Tudo é solucionada, mas há mistérios envolvendo o que houve, tal como o que pode ter acontecido, e como, para que O Pai tenha conseguido chegar no farol e ajudar o Prodígio a finalmente resolver as equações da Teoria de Tudo, uma vez que ele sofreu um acidente e morreu na noite anterior após perder o sentido de viver devido à perda do afeto de seus entes queridos (O Prodígio e A Mãe). A história é realmente magnífica e cheia de pontos interessantíssimos. Como sempre, é preciso acompanhar para que os sons das passagens façam sentido, pois Ayreon é isso: sentimento e compreensão. Ouvir Ayreon sem saber as letras é como assistir um filme mudo!
Então aí está a discografia do fantástico projeto Ayreon, mestrado por Arjen Anthony Lucassen, o que, na minha opinião, é o melhor Metal Opera em atividade. Isso é música de verdade! Muita gente não conhece. Seria interessante que as pessoas dessem uma chance, e não apenas uma, mas várias, porque pode viciar depois que começar a compreender a musicalidade. De primeira talvez desça meio quadrado, por isso alguma insistência pode se fazer necessária... ou não! Talvez se você começar pelo álbum certo ao seu gosto, já goste e acabe se expandindo pros outros. Mas eu acho bem complicado alguém, depois de algumas ouvidas, permanecer não curtindo. É maravilhoso demais! Pelo tamanho da minha resenha dá pra ter uma ideia de como como sou fã. Acho que até o momento, é a postagem que mais escrevi, sem dúvidas, merecidamente. O Ayreon merece uma postagem até maior! Desfrutem dessa obra-prima!

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 Sail Away To Avalon (Single) (1995)

01 - Sail Away To Avalon (Radio Edit)
02 - The Charm of The Seer
03 - Nature's Dance (Home Demo)
04 - Eyes of Time (Vocals By Leon Goewie)

 The Final Experiment (1995)

01 - Prologue
02 - The Awareness
03 - Eyes of Time
04 - The Banishment
05 - Ye Courtyard Minstrel Boy
06 - Sail Away To Avalon
07 - Nature's Dance
08 - Computer Reign (Game Over)
09 - Waracle
10 - Listen To The Waves
11 - Magic Ride
12 - Merlin's Will
13 - The Charm of The Seer
14 - Swan Song
15 - Ayreon's Fate

Bonus CD (2005):
01 - Dreamtime (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Astrid Van Der Veen)
02 - Eyes of Time (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Ruud Houweling)
03 - The Accusation (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Rodney Blaze)
04 - Ye Courtyard Minstrel Boy (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Esther Ladgies)
05 - Sail Away To Avalon (Semi-Acoustic Version) (Vocals By John Cuijpers)
06 - Nature's Dance (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Peter Daltrey)
07 - Waracle (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Marcela Bovio)
08 - Merlin's Will (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Irene Jansen)
09 - The Charm of The Seer (Semi-Acoustic Version) (Vocals By Valentine)

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 The Stranger From Within (Single) (1996)

01 - The Stranger From Within (Single Version)
02 - The Dawn of Man
03 - The Stranger From Within (Long Version)

 Actual Fantasy (1996)

01 - Actual Fantasy
02 - Abbey of Synn
03 - The Stranger From Within
04 - Computer Eyes
05 - Beyond The Last Horizon
06 - Farside of The World
07 - Back On Planet Earth
08 - Forevermore

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 Into The Electric Castle (1998)

CD 1:
01 - Welcome To The New Dimension
02 - Isis and Osiris
03 - Amazing Flight
04 - Time Beyond Time
05 - The Decision Tree (We're Alive)
06 - Tunnel of Light
07 - Across The Rainbow Bridge

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CD 2:
01 - The Garden of Emotions
02 - Valley of The Queens
03 - The Castle Hall
04 - The Tower of Hope
05 - Cosmic Fusion
06 - The Mirror Maze
07 - Evil Devolution
08 - The Two Gates
09 - "Forever" of The Stars
10 - Another Time, Another Space

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 Temple of The Cat (Single) (2000)

01 - Temple of The Cat (Vocals By Jacqueline Govaert)
02 - Temple of The Cat (Vocals By Lana Lane)
03 - My House On Mars
04 - Valley of The Queens

 Universal Migrator Part I: The Dream Sequencer (2000)

01 - The Dream Sequencer
02 - My House On Mars
03 - 2084
04 - One Small Step
05 - The Shooting Company of Captain Frans B. Cocq
06 - Dragon On The Sea
07 - Temple of The Cat
08 - Carried By The Wind
09 - And The Druids Turn To Stone
10 - The First Man On Earth
11 - The Dream Sequencer Reprise

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 Universal Migrator Part II: Flight of The Migrator (2000)

01 - Chaos
02 - Dawn of A Million Souls
03 - Journey On The Waves of Time
04 - To The Quasar
05 - Into The Black Hole
06 - Through The Wormhole
07 - Out of The White Hole
08 - To The Solar System
09 - The New Migrator

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 Temple of The Cat (Acoustic Version) (Single) (2000)

01 - Temple of The Cat (Acoustic Version)
02 - Temple of The Cat (Single Version)
03 - Nature's Dance

 Ayreonauts Only (Compilation) (2000)

01 - Into The Black Hole
02 - Out of The White Hole
03 - Through The Wormhole
04 - Carpe Diem (Chaos) (Demo Version)
05 - Temple of The Cat (Acoustic Version)
06 - Original Hippie's Amazing Trip (Medley)
07 - Beyond The Last Horizon
08 - The Charm of The Seer (Demo Version)
09 - Eyes of Time
10 - Nature's Dance (Demo Version)
11 - Ambeon: Cold Metal

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 Actual Fantasy Revisited (2004)

01 - Actual Fantasy
02 - Abbey of Synn
03 - The Stranger From Within
04 - Computer Eyes
05 - Beyond The Last Horizon
06 - Farside of The World
07 - Back On Planet Earth
08 - Forevermore
09 - The Dawn of Man

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 Day Eleven: Love (Single) (2004)

01 - Day Eleven: Love (Radio Edit)
02 - Day Two: Isolation (Album Version)
03 - No Quarter (Led Zeppelin Cover)
04 - Space Oddity (David Bowie Cover)

 The Human Equation (2004)

CD 1:
01 - Day One: Vigil
02 - Day Two: Isolation
03 - Day Three: Pain
04 - Day Four: Mystery
05 - Day Five: Voices
06 - Day Six: Childhood
07 - Day Seven: Hope
08 - Day Eight: School
09 - Day Nine: Playground
10 - Day Ten: Memories
11 - Day Eleven: Love

CD 2:
12 - Day Twelve: Trauma
13 - Day Thirteen: Sign
14 - Day Fourteen: Pride
15 - Day Fifteen: Betrayal
16 - Day Sixteen: Loser
17 - Day Seventeen: Accident?
18 - Day Eighteen: Realization
19 - Day Nineteen: Disclosure
20 - Day Twenty: Confrontation

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 Loser (Single) (2004)

01 - Loser (Star One Version)
02 - How You Gonna See Me Now (Alice Cooper Cover) (Acoustic Version)
03 - Into The Black Hole (Live) (Acoustic Version)
04 - The Castle Hall (Acoustic Version)

 Come Back To Me (Single) (2005)

01 - Come Back To Me
02 - August Fire
03 - When I'm Sixty-Four (The Beatles Cover)
04 - Back 2 Me
05 - Day Seven: Hope (Instrumental Version)
06 - Day Eight: School (Instrumental Version)
07 - The Stranger From Within (Demo Version)
08 - The Two Gates (Demo Version)

 01011001 (2008)

CD 1 - Y:
01 - Age of Shadows
02 - Comatose
03 - Liquid Eternity
04 - Connect The Dots
05 - Beneath The Waves
06 - New Born Race
07 - Ride The Comet
08 - Web of Lies

CD 2 - Earth:
01 - The Earth Extinction
02 - Waking Dreams
03 - The Truth Is In Here
04 - Unnatural Selection
05 - River of Time
06 - E=MC²
07 - The Sixth Extinction

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 Elected (EP) (2008)

01 - Elected (Alice Cooper Cover feat. Tobias Sammet)
02 - E=MC² (Unplugged)
03 - Ride The Comet
04 - Day Six: Childhood (Piano Version)

 Timeline (Compilation) (2008)

CD 1:
01 - Prologue
02 - The Awareness
03 - Eyes of Time
04 - The Accusation (Acoustic Version Taken From The Special Edition)
05 - Sail Away To Avalon (Single Version)
06 - Listen To The Waves
07 - Actual Fantasy
08 - Abbey of Synn
09 - Computer Eyes
10 - Back On Planet Earth
11 - Isis and Osiris
12 - Amazing Flight

CD 2:
01 - The Garden of Emotions
02 - The Castle Hall
03 - The Mirror Maze
04 - The Two Gates
05 - The Shooting Company of Captain Frans B. Cocq
06 - Dawn of A Million Souls
07 - And The Druids Turned To Stone
08 - Into The Black Hole
09 - The First Man On Earth
10 - Day Two: Isolation

CD 3:
01 - Day Three: Pain
02 - Day Six: Childhood
03 - Day Twelve: Trauma
04 - Day Sixteen: Loser
05 - Day Seventeen: Accident?
06 - Age of Shadows (Edit Version)
07 - Ride The Comet
08 - The Earth Extinction
09 - Waking Dreams
10 - The Sixth Extinction
11 - Epilogue: The Memory Remains

 The Theory of Everything (2013)

CD 1:
Phase I: Singularity:
01 - Prologue: The Blackboard
02 - The Theory of Everything Part 1
03 - Patterns
04 - The Prodigy's World
05 - The Teacher's Discovery
06 - Love and Envy
07 - Progressive Waves
08 - The Gift
09 - The Eleventh Dimension
10 - Inertia
11 - The Theory of Everything Part 2

Phase II: Symmetry:
12 - The Consultation
13 - Diagnosis
14 - The Argument 1
15 - The Rival's Dilemma
16 - Surface Tension
17 - A Reason To Live
18 - Potential
19 - Quantum Chaos
20 - Dark Medicine
21 - Alive!
22 - The Prediction

CD 2:
Phase III: Entanglement:
01 - Fluctuations
02 - Transformation
03 - Collision
04 - Side Effects
05 - Frequency Modulation
06 - Magnetism
07 - Quid Pro Quo
08 - String Theory
09 - Fortune?

Phase IV: Unification:
10 - Mirror of Dreams
11 - The Lighthouse
12 - The Argument 2
13 - The Parting
14 - The Visitation
15 - The Breakthrough
16 - The Note
17 - The Uncertainty Principle
18 - Dark Energy
19 - The Theory of Everything Part 3
20 - The Blackboard (Reprise)

Ouvir (YouTube)



CD 3 (Instrumental):
Phase I: Singularity:
01 - Prologue: The Blackboard (Instrumental Version)
02 - The Theory of Everything Part 1 (Instrumental Version)
03 - Patterns (Instrumental Version)
04 - The Prodigy's World (Instrumental Version)
05 - The Teacher's Discovery (Instrumental Version)
06 - Love and Envy (Instrumental Version)
07 - Progressive Waves (Instrumental Version)
08 - The Gift (Instrumental Version)
09 - The Eleventh Dimension (Instrumental Version)
10 - Inertia (Instrumental Version)
11 - The Theory of Everything Part 2 (Instrumental Version)

Phase II: Symmetry:
12 - The Consultation (Instrumental Version)
13 - Diagnosis (Instrumental Version)
14 - The Argument 1 (Instrumental Version)
15 - The Rival's Dilemma (Instrumental Version)
16 - Surface Tension (Instrumental Version)
17 - A Reason To Live (Instrumental Version)
18 - Potential (Instrumental Version)
19 - Quantum Chaos (Instrumental Version)
20 - Dark Medicine (Instrumental Version)
21 - Alive! (Instrumental Version)
22 - The Prediction (Instrumental Version)

CD 4 (Instrumental):
Phase III: Entanglement:
01 - Fluctuations (Instrumental Version)
02 - Transformation (Instrumental Version)
03 - Collision (Instrumental Version)
04 - Side Effects (Instrumental Version)
05 - Frequency Modulation (Instrumental Version)
06 - Magnetism (Instrumental Version)
07 - Quid Pro Quo (Instrumental Version)
08 - String Theory (Instrumental Version)
09 - Fortune? (Instrumental Version)

Phase IV: Unification:
10 - Mirror of Dreams (Instrumental Version)
11 - The Lighthouse (Instrumental Version)
12 - The Argument 2 (Instrumental Version)
13 - The Parting (Instrumental Version)
14 - The Visitation (Instrumental Version)
15 - The Breakthrough (Instrumental Version)
16 - The Note (Instrumental Version)
17 - The Uncertainty Principle (Instrumental Version)
18 - Dark Energy (Instrumental Version)
19 - The Theory of Everything Part 3 (Instrumental Version)
20 - The Blackboard (Reprise) (Instrumental Version)

Ouvir (YouTube)

3 comentários:

  1. Caramba, obrigadão por disponibilizar os links, projeto musical fantásssstico esse. =D

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  2. Mto foda esse Ayreon .. Lucassen ehvum genio...

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  3. Sensacional! Arjen é espetacular! Seus projetos são maravilhosos! Valeu por divulgar. Música boa é pra isso! Parabéns!

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