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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Arjen Anthony Lucassen - Discografia Comentada

Arjen Anthony Lucassen é um dos músicos que protagoniza o topo da minha lista de ídolos. O quanto esse multi-instrumentista holandês é magnífico não é brincadeira! Com toda certeza ele é um artista único, diferenciado. Além de dotar de grande técnica como guitarrista, tecladista ou também como compositor (que é um dos seus pontos mais fortes, de forma positivamente destrutiva), Arjen também conta com um diferencial que não se vê em qualquer um: identidade própria. Ele é dono de seu próprio jeito completamente único de fazer música, de tocar um instrumento. É aquele cara que você ouve um solo ou passagem e já fala "esse é o Arjen, eu sei disso!"
Sou um grande fã de sua musicalidade por completo. Ele é simplesmente um gênio, um exemplo a se seguir, que impressionantemente não tem o reconhecimento merecido, pelo menos não no Brasil. Talvez isso seja atrapalhado por ele próprio, que não curte muito sair em turnê e fazer shows, fazendo com que o seu nome e o nome de seus projetos não seja tão divulgado. Mas apesar de ele tipicamente fazer música para estúdio, isso não tira de modo algum o brilho intenso de suas obras-primas.
Dentre seus diversos projetos, inegavelmente o mais conhecido e o mais poderoso é o fascinante Ayreon, uma de minhas bandas favoritas, que cultivo um amor de lacrimejar os olhos e considero o melhor Metal Opera existente. Sou tão fã dele e de seus projetos que periodicamente dou uma passada na página do Facebook do Ayreon e comento ou pergunto algo, entro em contato com o Arjen, que gentil como ele só, sempre responde de forma atenciosa. Entre outros projetos notáveis está sua carreira solo (alvo dessa postagem), Star OneGuilt Machine, entre outros.
O gênio Arjen Anthony Lucassen nasceu em HilversumHolanda, no dia 3 de abril de 1960. Seu amor pela música começou já bem cedo, antes dos 10 anos de idade, quando conheceu o The Beatles e se tornou fã. Seu desejo de aprender a tocar guitarra surgiu por volta de seus 12 anos, quando viu Ritchie Blackmore (Blackmore's Night, ex-Deep Purple) tocando no disco ao vivo "Made In Japan". Uma de suas primeiras bandas recebeu o nome de "Mother", mas suas atividades oficiais mesmo no mundo da música se iniciaram relativamente tarde, já com 20 anos de idade, como guitarrista e backing vocal da banda Bodine, que fazia Heavy Metal, sob o pseudônimo "Iron Anthony". Foram quatro anos de trabalho até suas atividades se encerrarem em 1984, após lançar três álbuns. Sua sequência na cena se deu ao ingressar em outra banda de Heavy Metal, o Vengeance, onde lançou quatro álbuns. Após oito anos de banda, o Arjen sentiu que precisava seguir caminhos próprios e mais progressivos. Foi aí que ele deixou o Vengeance, em 1992, e decidiu seguir carreira solo.
Mesmo já tendo feito parte de duas bandas, esse lance de sair se socializando e fazendo música para agradar aos outros não era muito a praia do Arjen. Ele diz ser socialmente recluso, não gosta de público, movimento, agitação de shows... mas isso não o impede de ser gentil, é apenas uma preferência dele. Tanto que ele até mora no meio do nada no interior silencioso da Holanda com Lori Linstruth, sua empresária. Mas seu amor pela música e vontade de fazer algo para si mesmo, e inspirado em suas influências progressivas e psicodélicas, começou a trabalhar em seu primeiro álbum solo, um álbum feito exclusivamente para agradar a ele próprio.
O resultado de seu trabalho de auto-satisfação saiu logo em 1994, sob o nome "Anthony", intitulado "Pools of Sorrow, Waves of Joy". O disco é bom demais, de um modo bem humilde! É aquele tipo de trabalho que é foda por sua simplicidade, levado basicamente à violão e voz. O disco não é Progressive Rock puro; dependendo da canção, é possível notar diferentes influências externas como o Folk, o próprio Heavy Metal, algo épico, e até mesmo o Country. Tocando todos os instrumentos e contando com algumas linhas de baixo gravadas por Peter Vink e os belos backing vocais de Debbie Schreuder e Mirjam van Doorn, o trabalho conta com agradáveis canções, entre elas "Wrong Side of The Street", "Summer's In The Air", "Days of The Knights, "Little Miss Understood", entre outras que não ficam pra trás, e o encerramento "Pools of Sorrow", que é estranhamente peculiar, terminando com uma atmosfera futurista, que deixa subentendido que o Arjen já tinha em mente algo relacionado ao Ayreon. Contudo, liricamente falando, as composições são completamente diferentes do que é narrado em quaisquer outros futuros projetos que ele viria a criar, falando apenas de coisas da vida ou do passado. Infelizmente, o álbum não foi bem sucedido, mas para o bem do Metal, ele não desanimou: pôs em prática uma ideia que vinha tendo, uma ideia que ressuscitava o gênero Rock Opera e que viria a render muitos frutos no futuro.
Esse mestre nunca foi fã de sua própria voz; ele admite suas limitações. Um dos motivos que o levaram a criar um trabalho completamente diferente foi exatamente isso, pois ele queria grandes vozes cantando suas canções com maestria, e ele próprio não podia contar com isso. Foi aí que ele começou a trabalhar em um novo álbum, que viria a ser o seu segundo de estúdio, intitulado "Ayreon: The Final Experiment". Porém, por pressão da gravadora, ele acatou a ideia de pôr "Ayreon" como o nome de um novo projeto, e "The Final Experiment" como o nome do que viria a ser o debut... e assim foi. Contando com vocalistas como Ian Parry (Consortium ProjectElegy), Edward ReekersLenny Wolf (Kingdom Come), entre outras feras desconhecidas, em 1995 teve início um grandioso projeto, que viria a ser o que na minha opinião é o melhor Metal Opera existente.
O Ayreon deu ao Arjen um notável status de grande compositor de Rock/Metal Operas, recebendo grande reconhecimento ao longo dos anos, mas que infelizmente não é à altura de sua genialidade e criatividade. O crescente sucesso o fez se animar e sair criando projetos como o Star OneAmbeonStream of Passion, nos presenteando com uma verdadeira sequência de trabalhos fantásticos, ao lado de grandes vocalistas do Metal mundial como Russell Allen (Symphony XAdrenaline Mob), Bruce Dickinson (Iron Maiden), Fabio Lione (AngraRhapsody of FireVision Divine), Andi Deris (Helloween), Hansi Kürsch (Blind Guardian), Floor Jansen (NightwishReVamp, ex-After Forever), Damian Wilson (Threshold), Jørn Lande (JornMasterplan), Anneke van Giersbergen (Agua de Annique, ex-The Gathering), Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), James LaBrie (Dream Theater), Timo Kotipelto (Stratovarius), entre vários outros! Todos os seus trabalhos valem a pena serem ouvidos! É possível também notar que trabalhos ao vivo são raros em sua discografia, só existindo dois: "Live On Earth", de 2003, pelo Star One, e "Live In The Real World", de 2006, pelo Stream of Passion. É devido ao que já foi mencionado: ele não gosta muito de tocar ao vivo. Logo, sua única fonte de renda é a venda dos discos.
Após anos de glória, pareceu, no ano de 2007, que tudo viria a ter um fim, pois foi um período realmente negro na vida do Arjen, que caiu em depressão devido ao seu divórcio, e ainda sofreu de aflição por anosmia (perda completa do olfato). A consequência disso, junto com o fato das vendas de seus trabalhos terem sofrido uma queda, fez com que ele começasse a declarar que encerraria o Ayreon. Felizmente, ele deu a volta por cima e lançou um dos álbuns que são o cume da perfeição na cena metálica como um todo: "01011001", que é simplesmente extraordinário! Apesar do alto nível do disco, Arjen ainda acredita humildemente que ele poderia ter feito melhor (doideira!), pois sentiu que sua recente depressiva fase de sua vida afetou sua sonoridade, que de fato, saiu mais pesada do que o comum. O impressionante é que a mídia crítica especializada criticou o álbum negativamente por "não oferecer nada de novo", desanimando Arjen e fazendo-o entrar em status de hiato com o projeto até que encontrasse novas inspirações.
Sua busca por novas inspirações o incentivou a criar o fodástico Guilt Machine, onde lançou o excelente "On This Perfect Day" em 2009, contando com o desconhecido vocalista Jasper Steverlinck, detentor de uma voz foda. Além disso, reativou o Star One e lançou o também fodástico "Victims of The Modern Age" em 2010, que foi muito bem criticado pela mídia, de forma justa, pois é muito foda! Em 2011, relançou o álbum "Fate of A Dreamer" de seu antigo projeto Ambeon, dessa vez com dois discos, sendo o primeiro o álbum normal com três faixas bônus e o segundo sendo inteiro de acústico de canções tanto do Ayreon quanto do próprio Ambeon, naturalmente com a lindíssima e precisa voz de Astrid van der Veen. Entretanto, isso não provocou uma volta do projeto, que continua declaradamente encerrado.
Já em 2012, foi a vez de sua carreira solo ganhar uma chance, que desde 1994 não recebia. Todo o acúmulo de experiência adquirido ao longo de todos os anos com outros projetos foram muito bem aplicados em "Lost In The New Real", que tem como resultado uma mistureba entre tudo que tem a ver consigo, seja a sonoridade desenvolvida com Ayreon e Star One, seja suas influências de Rock Progressivo e Psicodélico, entre outros aditivos externos como Hard Rock, Blues, entre outros. Esse fodástico disco é um exemplar perfeito do quão competente é Arjen Anthony Lucassen, e do quão alto é seu nível como músico, demonstrando versatilidade. O álbum foi uma surpresa agradavelzíssima para os fãs! E claro que o Arjen não poderia deixar de fazer um tributo às suas influências, já que o disco remonta a todo seu passado; o segundo CD contém regravações de Pink FloydLed ZeppelinBlue Öyster CultFrank Zappa e The Alan Parson's Project. Eu gosto bastante da capa, pois ela soa exatamente como o Arjen desejava: antiga, parecendo-se com uma cena de séries antigas (até porque ele é muito fã de Star Trek, grande inspiração para a história narrada no Ayreon), com um cientista de estilo "padrão" usando um mecanismo tecnológico com tela flutuante. O legal é que a imagem estampada nessa tela é de Marte, retratando o domo onde a máquina "Sequenciador de Sonhos" está localizada, em referência aos álbuns "Universal Migrator Part I: The Dream Sequencer" (meu preferido) e "Universal Migrator Part II: Flight of The Migrator", ambos do Ayreon e lançados em 2000. A composição das letras também é bastante pessoal, apesar de ser ficção científica: o Arjen se põe na história. Ele narra um tipo de viagem virtual onde ele próprio é o personagem principal chamado "Mr. L", abreviação para "Mister Lucassen". Tal inclusão própria já havia ocorrido antes, na faixa "The Truth Is In Here", terceira do segundo CD do "01011001" do Ayreon, onde Mr. L é um humano que recebe os "Sonhos Despertantes", que são uma forma dos Eternos (raça alienígena) de entrar em contato com os humanos e guiar seu futuro, transmitindo principalmente conhecimento para o desenvolvimento da civilização. Acho bastante interessante essa auto-inclusão! Arjen é criativo demais!
Em agosto daquele mesmo ano de 2012, o Arjen anunciou em seu canal no Youtube que estava trabalhando em um novo disco. Mais tarde, em outubro, revelou que seria o próximo álbum do Ayreon. Enquanto isso, coisas boas e ruins aconteceram: a boa é que ele participou do Avantasia, gravando as linhas de guitarra de uma das músicas do álbum "The Mystery of Time", lançado apenas em 2013. Mas essa não foi a primeira vez que os dois trabalharam juntos, pois o Ayreon tem um EP lançado em 2008 chamado "Elected", onde Tobias Sammet canta a faixa-título, cover do Alice Cooper. A ruim é que um novo problema de saúde se manifestou em Arjen: um zumbido no ouvido provocado por ouvir música alta demais em fone de ouvido, prejudicando o aparelho auditivo de ambos os ouvidos de forma irreversível, tornando os zumbidos seus companheiros eternos. Ele costumava usar aqueles headphones que tapam completamente o ouvido, e ouvia música enquanto saía para correr.
Como eu costumo dizer, nada de ruim sai da cabeça desse cara, que é um verdadeiro produtor de obras-primas, um exímio músico de qualidade incontestável. Todos os projetos e trabalhos de sua carreira são dignos de atenção especial! Dificilmente eu me torno tão fã de algum músico ou banda. Isso só acontece quando sou impressionado de forma arrebatadora, e Arjen Anthony Lucassen foi capaz disso.

|    Official Website    |    YouTube Channel    |


 Pools of Sorrow, Waves of Joy (1994)

01 - Wrong Side of The Street
02 - Summer's In The Air
03 - Best of Friends
04 - Days of The Knights
05 - Crescendo
06 - Not Over You
07 - Cry Yourself To Sleep
08 - Night of The City
09 - Little Miss Understood
10 - A-Losin' You
11 - Escape
12 - Midnight Train
13 - Country Girl, City Boy
14 - Pools of Sorrow

 Lost In The New Real (2012)

CD 1:
01 - The New Real
03 - Parental Procreation Permit
04 - When I'm A Hundred Sixty-Four
05 - E-Police
06 - Don't Switch Me Off
07 - Dr. Slumber's Eternity Home
08 - Yellowstone Memorial Day
09 - Where Pigs Fly
10 - Lost In The New Real

CD 2:
01 - Our Imperfect Race
02 - Welcome To The Machine (Pink Floyd Cover)
03 - So Is There No God
04 - Veteran of The Psychic Wars (Blue Öyster Cult Cover)
05 - The Social Recluse
06 - Battle of Evermore (Led Zeppelin Cover)
07 - The Space Hotel
08 - Some Other Time (The Alan Parsons Project Cover)
09 - You Have Entered The Reality Zone
10 - I'm The Slime (Frank Zappa Cover)

Ouvir (Spotify)

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