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domingo, 3 de março de 2013

Hagbard - Discografia Comentada

Essa é daquelas postagens "para a bagaça toda e dá uma olhada"! É uma daquelas postagens interessantes, que realmente merecem atenção, pois se trata, mais uma vez, de som brasileiro e emergente! Essa banda me despertou uma admiração ainda maior pelas bandas que estão emergindo com força, e principalmente, pela cena mineira. Eu realmente fico abobado com o underground desse Estado. Bem ativo, bem apoiado, bem movimentado, o que naturalmente faz com que mais e mais bandas se inspirem e surjam naquele território. Tenho uma certa inveja especial de Juiz de Fora, cidade de origem desses caras. Pois é... todo tipo de banda já saiu de Minas Gerais, e com o declínio do Tuatha de Danann, um novo e bastante promissor conjunto de Folk Metal vem ganhando seu merecido espaço, e é sobre ele que se trata essa postagem: o Hagbard!
Seu belo som medieval chegou aos meus ouvidos graças ao Luqui di Falco, guitarrista da banda Glitter Magic (também de Juiz de Fora, recomendadíssima, assim como o Hard Desire), que tem uma natural parceria conterrânea com o Hagbard. O Folk Metal é um gênero que me chama bastante a atenção, e sendo brasileiro, então, é uma mão na roda, pois eu costumo reclamar que o país não exporta Folk Metal, nem Doom Metal. Fui ouvir, e olha... não tem do que reclamar!
As atividades do Hagbard se iniciaram no ano de 2010, por iniciativa dos guitarristas Lincoln Brian e Tiago Gonçalves e do tecladista Gabriel Soares, com a proposta de sonoridade já definida: mesclar Folk e Heavy Metal, mas desenvolvendo uma identidade própria. "Hagbard" foi o nome escolhido pois era como um herói que foi rei dos mares era chamado na Mitologia Nórdica, e isso se encaixa perfeitamente na história narrada pela banda.
Após a formação ser completada com a entrada do vocalista Igor Rhein, do baixista Daniel Saab e do baterista Everton Moreira, o primeiro trabalho lançado pelo conjunto veio, logo em 2011: uma demo intitulada "Warrior's Legacy", que conta com quatro faixas autorais que demonstram com fidelidade a sonoridade a ser seguida, e tiveram uma merecida repercussão positiva. A qualidade da gravação é muito boa e a sonoridade já se mostra magnífica, com composições bem arranjadas e dignas de um Folk de qualidade. Destaque para o fato de que apesar da sonoridade Folk não ter nenhum absurdo de peso como o Eluveitie (que mistura Death Metal), por exemplo, e se aproximar mais de algo feito pelo Tuatha de Danann ou pelo Cruachan, o tipo de vocal utilizado é o gutural fechado, o que dá à atmosfera um sentimento verdadeiramente pagão. Os obrigatórios teclados também desempenham bem o seu papel, assim como o uso de coros que trazem à sua mente imagens de bardos e guerreiros cantando em uma taverna enquanto a cerveja os acompanha! O mini-disco rendeu bons elogios da mídia crítica especializada, alavancando o nome do Hagbard e ao número de 40 mil visualizações da demo no MySpace e quase 1300 likes em sua página oficial no Facebook em um tempo relativamente curto.
Mas a repercussão positiva não rendeu apenas bons números; renderam também apresentações por grandes festivais da região sudeste, como o Roça 'n' Roll, o Odin's Krieger Fest e o Viçosa Metal Fest, dividindo o palco com nomes como Andre MatosTuatha de DanannCathedral e Chakal.
Entre 2010 e 2012, algumas mudanças no line-up ocorreram, como as saídas do guitarrista e fundador Lincoln Brian e do baixista Daniel Sabb. Muitas mudanças nos postos aconteceram nesse período, até que a formação se firmou novamente com a entrada de Danilo Marreta (guitarra), Rômulo "Sancho" (baixo). A posição de baterista também chegou a sofrer mudanças, pois por um período em 2011, Sandro Leonarde ocupou o posto, mas não por muito tempo, pois Everton Moreira retornou.
Já no ano de 2012, o Hagbard entrou em uma nova etapa de sua existência: iniciaram os processos de gravação de seu debut. O nome já está escolhido: será "Rise of The Sea King". A previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2013. Enquanto isso, o disco está sendo produzido por Leo Simas no Estúdio Aba em Juiz de Fora, e mixado e masterizado na Suécia por Jerry Torstensson (Draconian), que também foi responsável pelo mesmo trabalho com o debut "Bad For Health" do Glitter Magic. Moral, né? Claro! Sua musicalidade sem dúvidas justifica isso.
Para ir aquecendo o forno enquanto o debut não sai, no dia 9 de março de 2013, o grupo liberou a fantástica single intitulada "Lost In The Highlands". Ela contém apenas duas faixas: a inédita "Berserker's Requiem", e a regravação da "Let Us Bring Something For Bards To Sing", que originalmente fazia parte da demo. É realmente uma pena que só tenha duas músicas. Na verdade, é uma pena que seja uma single! Poderia ser o álbum! Quando você tá curtindo lá fissuradão, o disco acaba! Já perdi as contas de quantas vezes repeti. A qualidade de gravação é excelente, mesmo se tratando de um disco independente, assim como o debut também será independente. Mas a qualidade é evidenciada pelo fato de que estão tendo acesso a bons estúdios, com bons equipamentos e uma equipe profissional. Com isso, as músicas têm muito mais vida, e a atmosfera pagã é infinitamente mais forte e contagiante, bem mais densa.
A single deixou um gostinho insaciável de quero mais, o que dá ansiedade e expectativa para o lançamento do debut.
Após assinarem com o selo russo Sound Age Productions (a mesma do Alkonost, e também do Arkona, antes de migrarem para a Napalm Records) em 2013, conseguiram o lançamento de seu esperado primeiro álbum ainda no emsmo ano, e aqui está ele, no nosso site! A beleza desse disco não se resume apenas à lindíssima capa, desenvolvida por Jobert Mello (que também já trabalhou com outras bandas como SabatonPrimal FearShadowsideWoslom, entre outras); a musicalidade também se apresenta de forma digna, tornando-se ainda mais impressionante se parar para pensar que se trata apenas do primeiro disco.
A experiência que testemunhamos é de, claramente e logo à primeira vista, um álbum com produção de alta qualidade. A mixagem e remasterização de Jerry Torstensson (Draconian) foram feitos de forma sublime, não escondendo nenhum instrumento e dando às músicas que já eram mais antigas uma aura nova e mais potente.
No que se trata das músicas em si, temos uma experiência de fato épica e pagã. Os vocais guturais de Igor Rhein, que pendem entre o rasgado e o fechado, são companheiros amigos da sonoridade geral. O espaço é preenchido por backing vocals épicos e heróicos, somados com pesados riffs de guitarra que compartilham espaço com flautas e violinos colocados em seu devido lugar, bem como violões, que por vários momentos auxiliam de forma primordial na sensação de volta a séculos atrás. Digo que flautas e violinos são postas nos momentos certos pois muitas bandas insistem literalmente o tempo todo em mantê-los, oferecendo pouca variação nos acordes e na forma de utilizar, deixando faixas inteiras com climas de mesmice. Não é o que ocorre aqui.
Muito percebe-se a influência do Death Metal no direcionamento musical, rendendo passagens que, apesar de porradeiras, não atrapalham o resto da experiência. Pelo contrário: aguçam. A presença de uma vertente metálica tão forte é uma "culpadas" pela sonoridade ser tão turbulenta. Quase todas as músicas são pegadas e um tanto semelhantes entre si, caracterizando um álbum linear. De certa forma, é um defeito, mas nesse caso, amenizado pelo fato do álbum ser do caralho!
Todavia, "Rise of The Sea King" não é todo assim. Faixas de "descanso" também se fazem presente, como as baladas e belíssimas "Mystical Land" e "Hidden Tears". A primeira conta apenas com os vocais limpos executados por Gabriel Soares, mostrando que sabe mais do que tocar teclados e flautas. Sua voz encaixou-se perfeitamente, principalmente por nostalgicamente se assemelhar à do Bruno Maia (Kernunna, ex-Tuatha de Danann). Já o segundo caso funciona como um interlúdio entre duas faixas, por ser curtinha (apenas 2 minutos). "Hidden Tears" estrela Vitória Vasconcelos e sua linda voz na linha de frente. Ambas os casos nos presenteiam com faixas alternativas dentro do próprio gênero, tornando a audição mais variada e "descansando os ouvidos" antes das músicas mais fortes que vêm a seguir. É possível perceber, pela numeração, que elas foram lotadas em posições estratégicas.
O melhor de tudo nessa obra é saber que os mineiros foram capazes de produzir um álbum complexo, rico e viciante, e ainda saber que são capazes de muito mais, uma vez que é apenas o primeiro álbum e exibem tanta competência. Honestamente, é viciante mesmo, e muito disso se deve ao defeito de ser tão curto (somente 36 minutos de duração), obrigando-o a repetir a dose, caso tenha tempo. Outro probleminha é que pelo fato do disco ser tão linear e as músicas se parecerem umas com as outras um pouco, poucas execuções não serão suficientes para dissimilar. Você vai gostar do álbum, mas separar a individualidade de cada faixa vai exigir um pouquinho mais de dedicação, porém, não é nada que ofusque drasticamente o brilho desse álbum que é, de longe, o melhor do gênero que já ouvi.
Em 2015 foi a vez do EP "Tales of Frost and Flames" sair! Como é de se esperar, o trabalho está fantástico. O título é uma clara referência à série As Crônicas de Gelo e Fogo, do autor George Martin. Esse maravilhoso trabalho se estende por 17 minutos compreendidos em cinco faixas, sendo uma a introdução, e as outras quatro, canções propriamente ditas.
Gravado em Juiz de Fora, mixado e masterizado por Vincenzo Avallone no Deep Water Recordings na cidade de Salermo, na Itália, e com arte gráfica assinada pelo brasileiro Jobert Mello (que também já desenhou capas de bandas como Primal Fear e Sabaton), o EP tem como ponto central a inspiração em um best-seller que também veio a se transformar em um seriado de TV, claro, Guerra dos Tronos. Essa referência não poderia ter dado mais certo.
Os juiz-foranos apostaram, aqui, em uma abordagem ainda mais épica, mais ambiental e envolvente, a fim de tornar o som mais próximo de algo cinematográfico. É como ouvir a um prólogo de princípio, decorrer, e fim de saga, trazendo imagens dos personagens das Crônicas à sua cabeça e tudo o que já foi feito por eles.
Embora o passo seja um tanto mais lento em comparação com o debut "Rise of The Sea King", de 2013, devido à veia mais ambiental, de jeito nenhum os caras deixam de apostar nos vocais guturais e em um pegada mais agressiva em determinados trechos. Há tempo e momento para tudo, desde passagens em coro mais guerreiro, quanto para passagens agressivas e até mesmo músicas de beleza e calmaria, como "Stormborn Queen", ou de auge de agressividade, como "High As Honor", que finaliza o disco.
Passado um ano, mais o segundo álbum de estúdio dos mineiros chega às prateleiras. Intitulado "Vortex To An Iron Age", esse é um registro que melhor define os contornos do que é o Hagbard de fato. Aqui a banda demonstra segurança, estabelecendo claramente sua zona de conforto - que é de difícil execução, isso há de ser ressaltado - e indicando uma personalidade que já vinha tomando forma com o EP anterior. Digo, "Rise of The Sea King" foi um álbum bastante vigoroso, uma notável obra de Pagan Death Metal; no entanto, em "Tales of Frost and Flames" o conjunto densificou sua atmosfera e atribuiu forte característica épica à ela, além de certa dose de sentimentalismo. Essa diferença entre os dois trabalhos é pouca, mas sensível, e "Vortex To An Iron Age" é a sequência sonora direta do EP quase que por osmose.
O disco foi gravado em Juiz de Fora (MG) entre julho e dezembro de 2015 e novamente mixado e masterizado por Jerry Torstensson (Draconian) em seu Dead Dog Farm Studio localizado em Säffle, na Suécia. Diferente de "Rise of The Sea King", que foi lançado e distribuído pelo selo russo SoundAge Productions, "Vortex To An Iron Age" está sendo lançado no Brasil em formato digipack através do selo Heavy Metal Rock, que também dispõe do primeiro título em seu catálogo. A bela arte gráfica é de autoria de Marcelo Vasco, que se tornou especialmente famoso após criar as capas de bandas como Slayer e Borknagar.
Trata-se de um álbum intenso onde cada elemento instrumental se mescla à luz da aura epicista dos teclados. Os instrumentos tradicionais como a guitarra de Danilo "Marreta", o contrabaixo de Rômulo "Sancho" e bateria de Everton Moreira se mostram firmes, conferem peso e fazem jus ao nome "Pagan Death Metal" do rótulo. Eles não são sempre pegados, entretanto, já que linhas mais melódicas são introduzidas - em duradouro casamento com a atmosfera mágica - assim como as músicas, no geral, não são de todo violentas, mesmo com todos os atributos para sê-lo. O ritmo delas é mais constante, mas com naturais transições para algo mais pegado ou algo mais calmo, de acordo com o momento ou a música. Claro, há potência e vigor, mas certamente a alma do trabalho é o encanto que a incidência dos teclados de Gabriel Soares e a ampla exploração de violinos do convidado especial Vinícius Faza Paiva proporcionam - e como esses instrumentos dão o ar da classe!
É sempre muito interessante também a preocupação dos mineiros com as linhas vocais. Nunca introduzem apenas um tipo de técnica, nem têm discos sempre lineares. Os guturais rasgados de Igor Rhein são a técnica mais explorada, tal como precisa ser. Mais do que anteriormente, aqui seu vocal soa mais pagão, já que a produção não o deslocou do instrumental e sim o "fundiu" a ele, deixando-o um pouco mais baixo, porém conectado com o ambiente. O leve reverb na voz faz parecer que Rhein esbraveja em uma floresta neblinada ao crepúsculo - o que é perfeito para os heroicos propósitos Folk da banda. Inclusive, backing vocals em cadenciados corais são frequentemente acionados, aumentando o tom épico e dando dinâmica às canções. Nesses corais, participam o convidado Maurício Fernandes e o tecladista Gabriel Soares, cuja voz se destaca. Como em todos os outros trabalhos, Gabriel apresenta seu belo vocal limpo em mais uma faixa tranquila, estrategicamente posicionada em meados do set e intitulada "Last Blazing Ashes". A faixa conta inclusive com a participação de Luqui di Falco (Glitter Magic) no violão. Coroando as participações especiais, Lívia Kodato empresta suas cordas vocais em "Inner Inquisition", elevando o repertório de vozes do trabalho.
"Vortex To An Iron Age" é um registro foda de uma banda madura que encontrou sua identidade mesmo em meio a um estilo difícil de se destacar. A atmosfera é densa e mais "fechada", é verdade, o que reduz o potencial assimilativo logo na primeira ouvida, mas vale ouvir mais uma vez e se deixar imergir nessa sonoridade que fantasia bem o teor lírico inspirado nos "valores de eras antigas, de um mundo onde a força e o ferro eram aliados ao orgulho e à honra", conforme conta a própria banda. É uma experiência pagã quase cinematográfica.
Agora, conhecer esses caras já é um grande impulso para eles, até porque eu acredito que seja um pouco difícil alguém não curtir eles. Mas melhor que isso é dar apoio à banda, comprando o material, que não está nada caro: A single "Lost In The Highlands" está disponível para venda por apenas R$ 5,00! O meio de compra é pelo e-mail - contact@hagbardofficial.com -. É possível também realizar a compra de download através do site Bandcamp; só clicar aqui. O custo é de apenas US$ 3,00. Barato e fácil, não? Fácil de apoiar!
Para encerrar, gostaria de agradecer ao Luqui di Falco pela oportunidade de conhecer esses excelentes caras, e também à toda a banda pela liberação do material e das informações! Gostaria também de parabenizá-los pelo som impecável e promissor! Espero que tudo dê certo e vocês nos tragam muito orgulho! Muito obrigado!
Se algum de nossos usuários é produtor, promove eventos underground, ou conhece alguém que promova, ou qualquer coisa que possa dar a esses caras a possibilidade de tocar na sua cidade ou região, divulgar seu som e te dar a oportunidade de assisti-los ao vivo, por favor, não deixe de entrar em contato com a banda. Deixarei aqui informações mais diretas do Hagbard:

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SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: hagbardband@yahoo.com.br
contact@hagbardofficial.com


 Warrior's Legacy (Demo) (2011)

01 - Warrior's Legacy
02 - Let Us Bring Something For Bards To Sing
03 - March To Glory
04 - Mystical Land

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 Lost In The Highlands (Single) (2013)

01 - Berserker's Requiem
02 - Let Us Bring Something For Bards To Sing

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 Rise of The Sea King (2013)

01 - Eulogy of Ancient Times
02 - Warrior's Legacy
03 - Berserker's Requiem
04 - Mystical Land
05 - Let Us Bring Something For Bards To Sing
06 - Sail To War
07 - March To Glory
08 - Hidden Tears
09 - Dethroned Tyrant
10 - Until The End of Day

Download (Ulozto)
Download (4shared)

 Tales of Frost and Flames (EP) (2015)

01 - Intro
02 - Cursed Dwarf
03 - War For The Dawn
04 - Stormborn Queen
05 - High As Honor

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 Vortex To An Iron Age (2016)

01 - Intro
02 - Never Call The Sage To Drink In Your Home
03 - Bridge To A New Era
04 - Iron Fleet Commander
05 - Last Blazing Ashes
06 - Death Dealer
07 - Relic of The Damned
08 - Inner Inquisition
09 - Deviant Heathen
10 - Shield Wall
11 - Outro

Ouvir (Spotify)

Um comentário:

  1. Acabei de descobrir esses caras e o som deles é do caralho. Valew por disponibilizar.

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