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sábado, 9 de março de 2013

Celtic Frost - Discografia

Apesar de seus integrantes não se sentirem realizados e humildemente negarem, não há dúvidas quanto a importância do Celtic Frost na cena underground, principalmente em relação ao Metal Extremo. Sua musicalidade foi influente, vindo em pouco tempo a se tornar uma verdadeira divisora de águas no mundo metálico, contribuindo, ao lado do Venom e do Bathory para o desenvolvimento dos gêneros mais extremos do Heavy Metal como o Death Metal, o Black Metal e o Thrash Metal. Inclusive, o Celtic Frost é um dos responsáveis pelo desenvolvimento de gêneros mais depressivos e underground como o Gothic Metal e o Doom Metal. Bandas como TherionDimmu BorgirSepulturaGorgorothEmperorEnslavedMayhem são apenas alguns exemplos de sua influência. Uma importância de peso pra uma banda que teve uma rápida ascensão e uma queda brusca, estranha e confusa, seguida de uma impressionante reascensão, e o fim definitivo.
O Celtic Frost iniciou suas atividades no ano de 1984, na cidade de Zurique, na Suíça, quando o vocalista e guitarrista Tom Gabriel Fischer, na época usando o pseudônimo Tom Warrior, havia encerrado as atividades de sua banda anterior chamada Hellhammer, que havia sido formada em 1982 apresentando uma sonoridade diferente do que era feito na época, por ser uma das primeiras bandas a fazerem Metal Extremo, assim como o Venom.
A primeira formação contou com, além de Tom Warrior, Martin E. Ain no baixo (seu amigo remanescente do Hellhammer) e o baterista de sessão Stephen Priestly. Esses foram os responsáveis pelo primeiro lançamento da banda, o EP "Morbid Tales", que fez um estouro na cena underground, possibilitando já cedo uma turnê na Alemanha e na Áustria. Sucesso que foi dado sequência pelo EP "Emperor's Return" em 1985. Nessa postagem, eu não coloquei os dois trabalhos separadamente. Ao invés disso, fiz somente como uma compilação, que foi lançada em 1999 sob os mesmos nomes.
Já antes do lançamento do debut, a posição de baixista sofreu alteração, com a saída de Ain e a chegada de Dominic Steiner, mas por pouco tempo, pois após as gravações, Ain retornou. Além disso, as baquetas dessa vez estavam nas mãos de Reed St. Mark. Com isso, no fim de 1985, o debut "To Mega Therion" é lançado, apresentando ao mundo da melhor forma possível quem era o Celtic Frost. Nome familiar esse, não? Claro! É desse álbum que o Therion absorveu inspiração para nomear a banda!
Ao contrário das demais bandas do estilo, o Celtic Frost não seguiu um estilo específico. Pegando uma inspiração de bandas como Black SabbathJudas Priest e o próprio Venom, desenvolveram uma sonoridade completamente original, apesar do rótulo de Thrash Metal se aplicar bem. Seu som completamente experimental ao mesmo tempo que conquistou uma grande quantidade de fãs, fez com que muitos "old school" não poupassem crítica. Mas a verdade é que esse é um ótimo disco que apresenta os primórdios do Gothic/Doom Metal, com um Thrash obscuro, com uso de instrumentos clássicos para dar uma pegada de orquestra e até vocais líricos femininos, criando uma mistura peculiar para a época. Um álbum arcaico que vale ouro aos ouvidos.
A experimentação seguiu firme em seu próximo álbum, intitulado "Into The Pandemonium" e lançado no ano de 1987. Aqui, novos horizontes são explorados, com violinos, o uso de vocais limpos (mais um marco para o Gothic/Doom Metal), um Thrash menos pegado, e direito a música em francês com vocal feminino e tudo. Para assoprar o castelo de cartas de vez, o disco incrivelmente conta com uma faixa remix, para delírio negativo dos fãs mais conservadores. As críticas dos fãs vieram mais fortes do que nunca dessa vez, considerando o Celtic Frost uma banda traidora do movimento. Ao meu ver, mais um ótimo álbum, mas que apesar das inovações, não se diferencia tanto assim de seu antecessor, seguindo basicamente a mesma linha.
O ano seguinte foi turbulento para a banda, pois após uma turnê nos Estados Unidos, o Celtic Frost entrou em crise financeira, os membros começaram a criar intrigas uns com os outros, e a própria banda teve problemas com a gravadora, que resultou em uma temporária suspensão das atividades. Entretanto, em seis meses o conjunto voltou sob uma nova formação, com a nova saída do baixista Martin E. Ain por problemas com o agora Tom Gabriel (pois Tom Warrior deixou de usar pseudônimo), sendo substituído por Oliver Amberg na guitarra e Curt Victor Bryant no baixo fazendo do trio um quarteto dessa vez. A transformação em quarteto foi a pavimentação do caminho para o que talvez tenha sido a maior cagada da curta história do Celtic Frost. Dessa vez, a experimentação foi longe demais e a banda por sinal quis seguir o que estava fazendo sucesso: o Hard Rock. Pois é. "Cold Lake" foi lançado no fim daquele ano apresentando uma grande tendência ao gênero, revoltando grande parte dos fãs pelo fato de terem se vendido. Apesar de não ser difícil notar os traços de Hard na sonoridade, ele não é tão Hard assim. Parece que a tarefa de executar esse gênero foi árdua para eles, pois não conseguiram se desprender completamente de sua sonoridade original, criando uma atmosfera um pouquinho tosca, por assim dizer, mas até certo ponto, até positiva. Eles conseguiram o que queriam, mas não da forma que esperavam: atingiram o mercado dos Estados Unidos, mas de forma tímida.
Antes de lançar o próximo fiasco de vendas, a formação se modificou novamente, pois o baixista Martin E. Ain retornou, o guitarrista Oliver Amberg foi demitido e Ron Marks, que era guitarrista ao vivo, veio como membro de sessão. Essa formação lançou o disco "Vanity/Nemesis" em 1990, que apesar de resgatar suas raízes com um Thrash Metal bem feito, produzindo um ótimo álbum, eles não recuperaram sua reputação, pois a cena já os havia crucificado. Sem forças e reputação para continuar, o Celtic Frost ainda lançou a compilação "Parched With Thirst Am I and Dying" em 1992 e veio a se dissolver em 1993. Era esperado ainda nos anos que se seguiram que a banda lançasse um álbum final, que receberia o nome "Under Apollyon's Sun", mas ele nunca veio. Ao invés disso, o que surgiu foi um projeto formado por Tom Gabriel chamado Apollyon Sun, que lançou seu primeiro e único álbum "Sub" em 2000. Esse projeto tem algumas raízes no próprio Celtic Frost, mas de um modo geral, a sonoridade é outra: Industrial Metal. Mas em todo esse tempo de inatividade do Celtic Frost, o que reinava era o silêncio absoluto.
Contudo, já em 2001, uma nova faísca se acende novamente: Tom Gabriel e Ain começam a compôr novas canções juntos com o guitarrista Erol Unala (que havia trabalhado com Tom Gabriel no Apollyon Sun) e o baterista Franco Sesa. Muito atraso aconteceu por questões de gravadora e financiamento, fazendo com que os trabalhos só ficassem prontos de fato em 2005. O resultado de todo o trabalho almejando criar o disco mais pesado e obscuro que a banda já havia lançado foi apresentado ao público em maio de 2006, sob o nome "Monotheist". A banda cumpre a sua promessa de fazer um álbum pesado e obscuro, porque é mesmo. Mas o mais notável é que uma parte de sua atmosfera faz você sentir que eles não deixaram de ser o que sempre foram, e outra, mais interessante, é que o Gothic Metal é muito apresentado, o que é engraçado, em vista de que eles foram os que deram os primeiros passos do estilo, outras bandas surgiram e desenvolveram, e eles voltaram e embarcaram no gênero já desenvolvido. Mas ao meu ver, é o melhor disco do Celtic Frost!
O lançamento rendeu a eles a mais extensa turnê de suas carreiras, sendo atração principal em diversos festivais pelo mundo, incluindo o Wacken Open Air. Esses shows contaram até com um um guitarrista de sessão adicional, o V Santura. Foi impressionante a volta por cima e a receptividade do público.
Com o embalo, a banda começou já a falar sobre o lançamento de mais um disco, dessa vez mais extremo e ainda bem obscuro. Infelizmente, esse disco nunca saiu, pois em abril de 2008, o fim do Celtic Frost foi anunciado por Tom Gabriel Fischer no website da banda, devido a problemas interpessoais entre Tom e Ain. O baixista ainda chegou a alegar que o conjunto estava em standby, mas o fim foi marcado de vez quando a confirmação do fim veio em setembro daquele ano, e Tom apareceu com uma nova banda, o Triptykon.
Desde então, Tom Gabriel Fischer segue firme em sua nova banda, que absorve aquilo feito pelo Celtic Frost, mas de uma forma mais extrema. O álbum "Eparistera Daimones", lançado em 2010, mostra bem isso, e alguns chegam a dizer inclusive que é melhor do que o próprio Celtic Frost, opinião na qual partilho.
Então aí está a discografia de uma banda importantíssima para o desenvolvimento e o surgimento de diversas bandas e gêneros que ouvimos hoje em dia. Uma banda com um fim trágico e uma trajetória aos trancos e barrancos. Eu particularmente acho a banda ótima, por que não dizer é excelente? Mas sinceramente, não acho isso tudo. Acho um tanto distante do clamor que algumas pessoas fazem por ela, mas é impossível negar sua importância mesmo assim. Acho que os aprendizes superaram (e muito) seus mestres. Opinião minha.


 To Mega Therion (1985)

01 - Innocence and Wrath
02 - The Usurper
03 - Jewel Throne
04 - Dawn of Meggido
05 - Eternal Summer
06 - Circle of The Tyrants
07 - (Beyond The) North Winds
08 - Fainted Eyes
09 - Tears In A Prophet's Dream
10 - Necromantical Screams


 Tragic Serenades (EP) (1986)

01 - The Usurper
02 - Jewel Throne
03 - Return To The Eve


 Into The Pandemonium (1987)

01 - Mexican Radio (Wall of Voodoo Cover)
02 - Mesmerized
03 - Inner Sanctum
04 - Tristesses de La Lune
05 - Babylon Fell
06 - Caress Into Oblivion
07 - One In Their Pride (Porthhole Mix)
08 - I Won't Dance (The Elders Orient)
09 - Sorrows of The Moon
10 - Rex Irae (Requiem)
11 - Oriental Masquerade
12 - One In Their Pride (Extended Mix)


 Cold Lake (1988)

01 - Human (Intro)
02 - Seduce Me Tonight
03 - Petty Obsession
04 - (Once) They Were Eagles
05 - Cherry Orchards
06 - Juices Like Wine
07 - Little Velvet
08 - Blood On Kisses
09 - Downtown Hanoi
10 - Dance Sleazy
11 - Roses Without Thorns
12 - Tease Me (Bonus Track)
13 - Mexican Radio (Wall of Voodoo Cover) (Live)


 Vanity/Nemesis (1990)

01 - The Heart Beneath
02 - Wine In My Hand (Third From The Sun)
03 - Wings of Solitude
04 - The Name of My Bride
05 - This Island Earth
06 - The Restless Seas
07 - Phallic Tantrum
08 - A Kiss Or A Whisper
09 - Vanity
10 - Nemesis
11 - Heroes


 Parched With Thirst Am I and Dying (Compilation) (1992)

01 - Idols of Chagrin (Unreleased Track)
02 - A Descent To Babylon (Babylon Asleep)
03 - Return To The Eve (Studio Jam '85)
04 - Juices Like Wine (Re-Recorded '91)
05 - The Inevitable Factor (Unreleased Track)
06 - The Heart Beneath
07 - Cherry Orchards (Edit Version)
08 - Tristesses de La Lune
09 - Wings of Solitude
10 - The Usurper (Re-Recorded '86)
11 - Journey Into Fear (Unreleased Track)
12 - Downtown Hanoi (Re-Recorded '91)
13 - Circle of The Tyrants
14 - In The Chapel In The Moonlight
15 - I Won't Dance (The Elder's Orient) (Edit Version)
16 - The Name of My Bride
17 - Mexican Radio (Wall of Voodoo Cover) (Studio Jam '91)
18 - Under Apollyon's Sun (Unreleased Track)


 Morbid Tales/Emperor's Return (Compilation) (1999)

01 - Human (Intro)
02 - Into The Crypts of Rays
03 - Visions of Mortality
04 - Dethroned Emperor
05 - Morbid Tales
06 - Procreation (of The Wicked)
07 - Return To The Eve
08 - Danse Macabre
09 - Nocturnal Fear
10 - Circle of The Tyrants
11 - Visual Aggression
12 - Suicidal Winds


 Monotheist (2006)

01 - Progeny
02 - Ground
03 - A Dying God Coming Into Human Flesh
04 - Drown In Ashes
05 - Os Abysmi Vel Daath
06 - Obscured
07 - My Domain of Decay
08 - Ain Elohim
09 - Incantation Against
10 - Synagoga Satanae
11 - Winter (Requiem)


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