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sexta-feira, 20 de julho de 2012

South Cry - Discografia Comentada

Com certeza, todo mundo já se deparou com uma situação onde você curte bastante uma banda e a apoia, mas nunca parou pra pensar no que ela já passou até chegar ali e, quando fica sabendo, seu respeito e admiração por ela aumenta. É assim comigo em relação ao excelente South Cry. Tem muita banda que começa já com meio caminho andado, tendo acesso a bons equipamentos e, principalmente, tendo o apoio das pessoas ao redor. Em contrapartida, tem outras que começam bem do zero, na humildade, e, piorando as coisas, com as pessoas desacreditando e jogando pedras, tentando desanimar. O caminho do South Cry não foi fácil, mas com dedicação e paixão, o grupo vem crescendo e conquistando seu espaço cada vez mais, pelo menos em questão de acesso a bons materiais e em aquisição de bons empresários e selos. Digo isso porque o grupo ainda não conseguiu ter acesso a divulgação em larga escala, mas ao checar a qualidade de seu som e o que eles já conseguiram fazer na carreira, você pensa "esses caras têm que ser conhecidos!", e é aí que entra o trabalho de blogs de divulgação como o nosso. Toda ajuda, com certeza, é sempre bem vinda.
Deu para perceber que se trata aqui de mais uma banda emergente no blog, e claro, para estar aqui, é porque é das boas! O reforçante no meu respeito e admiração ao South Cry é que a banda é originária da cidade vizinha à minha. Sou de Cantagalo, interior do Rio de Janeiro, região serrana, e a banda é de Cordeiro. Pra melhorar as coisas, tenho uma ótima amizade com o guitarrista Guilherme Erthal, ou encurtando, Guill, o segundo da foto acima, da esquerda para a direita.
O embrião do que viria a ser o South Cry começou a tomar forma no ano de 1997, quando o guitarrista e vocalista Daltri Barros, o baixista Patrick Siliany e o baterista Victor Cunha, todos amigos e de Cordeiro, se reuniam para tocar juntos no projeto Blackout, que tinha o intuito de fazer Rock Nacional com autoria própria e letras em português mesmo.
Ao fim do ano de 1999, o vocalista e guitarrista Daltri Barros, como principal compositor da banda, decidiu mudar a proposta musical e cantar músicas em inglês. Foi aí que a procura por mais um guitarrista para contribuir melhor com a nova proposta, que tivesse o perfil certo, e topasse entrar em um projeto autoral e em inglês se iniciou. Através da Escola de Música de Cordeiro e do professor que lá lecionava, o grupo ouviu falar sobre o guitarrista Guill Erthal, que reside na cidade de Bom Jardim, próxima a Nova Friburgo. Guill estudava música com esse mesmo professor, por isso, ficou fácil seu nome vir à tona. Daltri foi visitá-lo e propôs testes para confirmar seu talento. Percebendo que Guill se enquadrava no perfil da banda e é um excelente guitarrista, foi recrutado e assim nasceu, de fato, o South Cry.
O nome escolhido para marcar o início da banda, propriamente dito, tem um significado profundo e ideológico. Os caras julgam seu som sincero e digno de atenção de qualquer pessoa do mundo. A palavra "cry" tem uma conotação de "apelo", apelo ao resto do mundo para ouvir seu som, que vem do hemisfério sul, da América do Sul. O intuito do nome é mostrar que aqui embaixo também tem Rock de qualidade, um som digno de atenção, digno de ser escutado.
Com muito esforço, o primeiro trabalho da banda foi a demo "Don't Drink My Tears", que foi tocada em algumas rádios da região e teve boas críticas, o que incentivou os caras a seguir em frente e continuar a compor. O resultado foi o independente "Beyond Metaphor", gravado no Mini Studio Digital Audio, em Bom Jardim, durante o fim de 2001 e meados de 2002, e lançado apenas em 2003, devido a muitas dificuldades. A banda não tinha instrumentos adequados, utilizavam equipamentos emprestados, e a produção não era muito boa. De qualquer modo, o álbum foi muito bem recebido pela mídia crítica especializada, recebendo elogios, inclusive, da revista Rock Brigade. Ao ouvir o álbum, é fácil compreender o porquê.
Primeiramente, o gênero é claro: Alternative Rock. O vocal de Daltri Barros é ótimo, caiu bem com o estilo. Seu vocal também ficaria ótimo cantando Grunge, lembrando até mesmo o vocal Eddie Vedder (Pearl Jam). Produzido por Tiquinho (um dos proprietários do estúdio) e pela própria banda, e dotando de excelentes canções do início ao fim, como "Lucid and Crazy", "Lambtown" (que é um verdadeiro hino por aqui), e "Virtual Freedom", o álbum rendeu um contrato com o selo Ouver Records, do Rio de Janeiro, mas apenas para distribuição, e não para divulgação. Com dificuldades, a banda seguiu fazendo shows e divulgando de forma modesta o seu trabalho, inclusive gravando um vídeo-clipe de seu primeiro hit "Virtual Freedom", também de forma independente.
A banda passou então por um tempo em branco, sem novidades. Os calafrios do hiato fizeram a necessidade de composições inéditas surgirem. Foi então que um tio de Guill Erthal financiou as gravações para o segundo álbum no Ecosom Studio, no Rio de Janeiro, que aconteceram em 2007. Produzido novamente pela banda, por Tiquinho e dessa vez também contando com Alexandre "Meu Rei", o álbum "Keep An Eye On Me" foi lançado em 2008 com notável paixão e dedicação. A proposta de fazer um som próprio continua, e o que os caras se sentiam bem em introduzir nas canções, eles introduziam. É notável o grande avanço em relação ao seu antecessor. Músicas mais maduras, mais belas, e solos de guitarra rápidos, apaixonantes, mais vívidos e frequentes. Ao longo do álbum, diversas influências são notadas, como o Heavy Metal em "Make Me Live", o Jazz e Blues em "Lucifer's Blues", e até um lado mais erudito como na excelente "Lullaby For Victims" (minha preferida), com lindas jogadas de violinos colocando um ritmo apaixonante na música. A introdução de violinos se estende à balada "They All Call It Love", mas dessa vez, apenas como base, contribuindo, ainda assim, para uma bela canção.
Ao meu ver, "Keep An Eye On Me" é o melhor álbum do South Cry, e infelizmente, foi o último ao que dei atenção. Não sabia o que estava perdendo! Mesmo que ainda não contassem com um produtor de peso, o álbum recebeu boa atenção e, claro, boas críticas, alcançando rádios famosas, como a Rádio Transamérica, com músicas como "Rebel Angel" e "Whatever You Try". Mesmo com maior notoriedade, o grupo não conseguiu maiores divulgações, fazendo com que uma grande banda permanecesse no anonimato.
Em 2009, o South Cry conseguiu dar um grande passo, quando o estadunidense Jeremiah Thompson se assumiu o cargo de empresário e fundou o selo Big Sky Records. Ele permitiu com que os trabalhos começassem a ser divulgados, timidamente, nos Estados Unidos e Dinamarca. Pelo menos seu som começou a sair do solo tupiniquim! A caça por um grandes produtores que pudessem dar suporte a um terceiro disco começou. Sem delongas, muitos se interessaram no grupo. Foi então que Sylvia Massy, ganhadora do Grammy, foi escolhida para a produção do próximo álbum.
Dessa vez, com os contatos certos e um caminho mais amplo, "Blue Moon" foi lançado em 2010, o primeiro não-independente. A prova de que a banda deu um grande passo é que o álbum foi gravado naquele mesmo ano no Compass Point Studios, nas Bahamas. Para clarear mais, é o mesmo estúdio onde bandas como Iron MaidenJudas PriestDire StraitsAC/DCThe Rolling StonesU2, entre outros, gravaram discos. Obras primas como "Piece of Mind" (1983), "Powerslave" (1984), "Somewhere In Time" (1986) e "The Final Frontier" (2010), por exemplo, foram gravados lá, assim como "Back In Black", em 1980.
O disco teve divulgação em países como Estados Unidos e Inglaterra, onde duas faixas alcançaram as primeiras posições das billboards: "Lord of Sound" e "Mayfly", duas excelentes faixas. As posições foram conquistadas graças ao trabalho de rádio e sites especializados feito pela banda, onde receberam excelentes críticas.
Sem dúvidas, "Blue Moon" é um excelente álbum. Talvez o que tenha tirado um pouco um possível brilho adicional seja o fato da gravadora ter instruído bastante o seu som. A banda não perdeu identidade, e isso não quer dizer que tenham dado ideias ruins, pois as ideias foram ótimas, mas ainda assim, ao meu ver, faltou aquele algo que se mostrou presente em "Keep An Eye On Me".
Atualmente, a banda encontra-se em standby. Daltri Barros está nos Estados Unidos à procura de contatos que possam ajudá-los a prosseguir com a banda. Mas a ideia principal é dar continuidade nos EUA.
No início da postagem eu comentei sobre dificuldades. Elas não são brincadeira, e muitas bandas passam por situações assim. Parece até coisa de filme. Conversando com Guill, ele me falou um pouco sobre dificuldades que passaram. Ao ser perguntado sobre que tipo de dificuldades passaram, essa foi sua interessante resposta:

"Bom, todo tipo de dificuldade que você e seus leitores podem imaginar. (risos) É muito difícil ter uma banda independente num país como o Brasil. Imaginem ter uma banda de Rock, com trabalho autoral, cantando em inglês e em uma cidade do interior de um país sem tradição no estilo?! Nos deparamos com nossa primeira dificuldade logo de cara. Éramos jovens, entrando na casa dos 20 anos. Muitas pessoas riam e menosprezavam nossas idéias. Diziam que nunca chegaríamos em lugar algum cantando Rock em inglês. Além disso, éramos uma banda sem grana. Possuíamos um equipamento muito precário. Lembro-me de plugarmos o microfone, o baixo e o violão do Daltri em apenas uma caixa Wattson (muitos risos). Lembro-me também que sempre alguém da banda me esperava no ponto de ônibus para me ajudar a carregar o amp e minha guitarra que eu levava de Bom Jardim para Cordeiro todo sábado. Um grande divisor de águas foi o lançamento do nosso primeiro disco (Beyond Metaphor). A partir dele conseguimos abrir portas, mostrar nosso potencial e começar a ganhar o respeito das pessoas que antes riam da gente."

Eu já fico muito orgulhoso em ajudar bandas emergentes de qualquer parte do país a divulgar o seu som aqui no blog, mas nesse caso, banda daqui, fico mais orgulhoso ainda! A gente vê muita banda fazendo Metal Extremo ou Hard Rock, que são dois gêneros que dão muito certo. Mas isso não acontece com o South Cry, com sua audácia de fazer um som ao seu gosto, um som que muita gente desacredita como o Alternative Rock, e ainda por cima, de forma aberta, recebendo outras influências e introduzindo mais do que o comum em suas canções. O nível de seu som é alto, suas canções são belíssimas e feitas com muita paixão e esforço. Deite, relaxe e curta as baladas e os lindos solos de Guill, ou levante e pule com as mais pegadas e cante no ritmo! Essa alternância é ótima na banda. O incrível é que conseguem fazer distinção entre o balado e o pegado sem tirar os pés do chão. Não fica aquela diferença absurda, fica algo sensível. Eu só tenho a agradecer pela contribuição do South Cry à cena brasileira, e desejar muito sucesso, porque com certeza, a banda vai longe! Os patamares que estão alcançando são merecidos!
Como sempre, aquela ajuda à bandas nacionais é sempre bem vinda, e ajuda financeira é melhor ainda! Quem se interessar, pode adquirir os CDs por meio do e-mail southcry@gmail.com, que eles serão prontamente entregues pelos correios! Não preciso nem dizer que tá baratinho! Custam apenas R$ 15,00!
Muito obrigado, Guill Erthal, pelas informações e pela atenção! Claro, o agradecimento se estende aos demais membros da banda. Obrigado, de verdade, e para de ser flamenguista, rapá!
Se algum dos nossos usuários é produtor, promove eventos, ou conhece alguém que promove, ou qualquer coisa que possa dar a possibilidade desses caras de tocar na sua cidade ou região, divulgar seu som e te dar a oportunidade de assisti-los ao vivo, por favor, não deixe de entrar em contato com a banda. Deixarei aqui informações mais diretas do South Cry:

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SHOWS & IMPRENSA:

E-mail: southcry@gmail.com

Telefone:
(22) 2566-2033


 Beyond Metaphor (2003)

01 - Lucid and Crazy
02 - Lambtown
03 - The Bridges
04 - Lost My Way
05 - Don't Accuse Me
06 - Washing Foul
07 - Dance For Me
08 - Virtual Freedom
09 - The Crowned (Princess)
10 - Voluptiouness Cocaine
11 - Don't Drink My Tears (Bonus Track)
12 - Lúcido e Louco (Lucid and Crazy)
13 - Virtual Livre (Virtual Freedom)

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 Keep An Eye On Me (2008)

01 - Make Me Live
02 - Whatever You Try
03 - Rebel Angel
04 - All The Things I Hate
05 - Miss Miami
06 - Lucifer's Blues
07 - Arising
08 - Stay
09 - Lullaby For Victims
10 - They All Call It Love
11 - Anguish of Mind
12 - Ainda É Tempo de Viver (Make Me Live)
13 - Por Mais Que Você Tente (Whatever You Try)

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 Blue Moon (2010)

01 - Paradox
02 - Lord of Sound
03 - Mayfly
04 - Help
05 - Autumn
06 - Actually
07 - Thank You
08 - Icarus
09 - This Could Be
10 - Russian Roulette
11 - LiAr
12 - She!

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