Social Icons

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mork - Discografia Comentada

Sempre me faltam palavras para expressar o quão feliz fico ao ouvir bandas brasileiras com qualidade absurda. Faltam-me palavras e criatividade. A felicidade se mistura com o orgulho, pois dou muito valor e muito apoio à cena brasileira, ainda mais quando se trata de bandas que merecem todo o apoio, força e um pouco mais! O Mork foi, certamente, uma dessas bandas que mereciam total atenção pelo seu trabalho feito com maestria e dedicação. É uma pena enorme que em outubro de 2015 eles tenham encerrado suas atividades, vítimas da falta de espaço do Metal no Brasil. Eram, sem dúvida alguma, um dos melhores e mais maduros conjuntos de Black Metal do país, mesmo que muitos ainda não soubessem disso ou talvez nem venham a saber.
Ainda nos tempos de atividade, tive meu primeiro contato com essa majestosa banda. Foi em 2012, quando o até então tecladista Glauber Jacques entrou em contato conosco a partir de nossa página no Facebook pedindo divulgação do material. Eu não sabia o que esperar, mesmo quando o músico informou que estavam tocando Symphonic Black Metal. Na verdade, sabia sim - apenas mais uma banda entre milhares tentando fazer algo que muitas também fazem de forma idêntica, confusa e agressiva. Felizmente, eu estava enganado... queimei feio a língua. Fiquei abismado com a autenticidade do som que faziam. Coisa de personalidade, diferenciada e que já tinha nascido madura em sua essência.
O brilhante Mork teve início oficialmente em novembro de 2006 na cidade de Brasília, no Distrito Federal, por iniciativa do trio Samuel Borges (vocal e baixo), Rafael Foizer (guitarra) e Pedro Henrique Peres (guitarra). De nome oriundo da palavra sueca "mörk" - que significa "escuro" -, os caras começaram focando no Symphonic Black Metal, deixando-se levar pela influência de bandas como Dimmu Borgir, Cradle of Filth e até mesmo Emperor e outras da linha que utilizam de alguma forma interessante os recursos dos teclados.
Essa influência já foi claramente evidenciada ainda nos primeiros estágios da banda, já que introduziram Heriberto Jr. extraoficialmente nos teclados e decidiram se identificar como uma banda cover do Dimmu Borgir. Fechando a formação, o baterista Gabriel Rodrigues foi convocado após alguns testes.
Shows cover foram realizados na sequência, o que auxiliou na divulgação do nome do Mork nas redondezas e contribuiu para o reconhecimento do público brasiliense. Enquanto isso, "nas horas vagas", o conjunto se dedicava à composição músicas autorais, visando tornar-se uma banda de estrada e personalidade próprias. Assim que finalizaram cinco músicas, decidiram que era hora de entrar em estúdio para gravá-las e lançá-las na forma de um EP. Entretanto, nos últimos dias de ensaio antes da gravação, o line-up sofreu mudanças: o tecladista Heriberto Jr. desligou-se da banda. Sem muito tempo para procurar um substituto para o posto, o baixista e vocalista Samuel Borges assumiu os teclados e programação para a gravação do EP. Anunciou, em seguida, que a vaga estava aberta para um novo tecladista.
Enquanto um novo tecladista não vinha, o EP "Preposterous" era gravado no Broadband Studio do produtor Caio Cortonesi (Dynahead), localizado em Brasília mesmo. Lançado em 2008 pela Free Mind Records, o compacto apresenta uma capa peculiar e provocativa assinada por Diego Moscardini e Rafael Benjamin. Ela possui detalhes bonitos e interessantes que apresentam um bispo sentado em um trono no altar de uma igreja e, de modo muito interessante, no chão, ao invés de seu reflexo, está o de um demônio de asas abertas. Mensagem crítica e ácida, insinuando que de santo as autoridades religiosas não têm nada.
Já musicalmente falando, a influência do Dimmu Borgir é bastante evidente aqui. Apesar de terem sido pouco antes um cover da mencionada banda, o resultado do primeiro lançamento não ficou uma cópia, mas sim algo criativo, autêntico e de alto nível. É um típico trabalho de Symphonic Black Metal, onde a atmosfera é épica e misteriosa, amplamente guiada pela incidência de teclados. Sua densidade lembra o interior de catacumbas, sendo, portanto, capaz de te transportar para um lugar diferente do que você fisicamente se encontra. As guitarras são estridentes e sua violência é complementada pela fúria da bateria e o raivoso gutural rasgado. Agressividade e melodia se encontram perfeitamente alicerçados, proporcionando músicas de vigor que, ao fim de seus 24 minutos totais, fazem o ouvinte pedir por mais. Tudo fica ainda melhor graças à excelente produção de Caio Cortonesi, Rafael Foizer e Samuel Borges, que trabalharam de forma realmente profissional. Como resultado, o EP recebeu excelentes críticas pela mídia especializada, incentivando-os a continuar o trabalho e manter o nível.
Pouco após o lançamento, ingressa ao conjunto o baixista Guilherme Maciel, liberando Samuel Borges para se preocupar apenas com os vocais. Alguns meses se passaram até que enfim Leonardo Arruda preenchesse a vaga de tecladista.
Com formação novamente completa e mais cheia que nunca, o Mork se concentrou em compor músicas para o álbum de estreia, que viria  ser lançado em 2011 pela Eternal Hatred Records. Gravado, mixado e masterizado no Sgt. Pepper's Studio, em Brasília, por Ricardo Araújo e produzido também por ele e pela própria banda, "Exemption" conseguiu ser um trabalho ainda mais impressionante que o seu antecessor, se é que isso era possível.
Poderia-se imaginar que alguma faixa do EP fosse aproveitada, mas não foi o que aconteceu. O álbum traz 14 faixas inéditas que totalizam prazerosos 57 minutos de duração. Certamente, trata-se de um trabalho de grande competência ao ponto de ser difícil acreditar que é apenas o primeiro trabalho de uma banda. Ele soa como uma extensão do primeiro trabalho, de fato, porém, ainda mais madura. A musicalidade é avassaladora, ao passo em que os teclados conferem epicismo e ambientações marcantes com diversos efeitos, desde os mais sintéticos aos de piano. Os solos de guitarra são incríveis, a performance vocal de Samuel é furiosa e entregue e a bateria torna tudo ainda mais elétrico. Definitivamente o álbum exala um clima sangrento e ritualístico.
Lá pelo final de 2011, o tecladista Leonardo Arruda deixa a banda, e novamente a caça por um tecladista tem início. A função foi ocupada pouco depois, em 2012, por Glauber Jacques.
Durante o período até aqui, os brasilienses passaram por momentos marcantes como ao dividir os palcos com bandas como MayhemMardukRageKorzus, entre outros, além de garantir presença em grandes eventos como o Porão do Rock, um dos principais de Brasília.
Já à altura de 2013, a formação passou por bruscas alterações após a debandada geral de membros, deixando apenas os fundadores Samuel Borges e Rafael Foizer como remanescentes de tudo o que foi feito até então. Poderia-se imaginar que o grupo beirava o seu fim, mas felizmente essa ideia foi rechaçada e o Mork seguiu composto pela dupla mesmo, contando apenas com o auxílio extraoficial do baterista V. Digger. Um novo processo de composições teve início, mas agora dentro das limitações numéricas do conjunto. Isso acabou por provocar uma mudança de postura na musicalidade, deixando para trás o Symphonic Black Metal, objetivando não depender muito dos outrora tão explorados teclados. Tal mudança não significou perda de qualidade ou intensidade, se é isso que dá a entender. Muito pelo contrário. Era o prelúdio do lançamento de mais um álbum fantástico! Para tal, Samuel Borges ocupou-se com o vocal, guitarra, baixo e teclados, enquanto Rafael Foizer se concentrou na sua guitarra.
"Awake" foi gravado e produzido pela própria banda no homestudio de Samuel, e então lançado dezembro de 2014 através da Sulphur Records. O trabalho é tão consistente e bem composto que parece o som feito por um exército inteiro. A dupla caprichou e lançou um álbum que embora dessa vez seja mais voltado para o Melodic Black Metal com apenas alguns elementos do antigo Mork, é tão sensacional quanto.
A sonoridade permanece intensa, com uma negra densidade que desperta a sensação de correria, de muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, porém, organizadamente. A atmosfera é mais seca, sem o antigo epicismo, mas não menos profunda. Ela confere aos instrumentos um reverb que atinge a alma, intensificando-se ainda mais nos solos que inesperadamente apelam bastante para o feeling. São realmente lindos! Os teclados não desapareceram, mas apenas sustentam a base. Momentos mais ambientais e envolventes também surgem aqui e ali em alguns momentos no decorrer do disco, para então se converterem na costumeira ira.
Dez faixas compõem esse lindo e melódico trabalho - que não deixa de ser brutal, ainda assim -, rendendo um total de 47 minutos de duração. É peça digna de apreço tanto quanto os anteriores.
Apesar da solidez de "Awake" e da aparente sensação de que a banda estava dando certo, no fundo, não estava. Seguir como uma dupla estava complicado, bem como conseguir espaço em um país onde não se valoriza o tipo de arte musical que apreciamos. Logo, por volta de setembro de 2015, Samuel Borges optou por deixar o Mork e seguir outros caminhos. Rafael Foizer, membro remanescente, passou as semanas seguintes refletindo se deveria reestruturar a banda ou dissolvê-la de vez. Infelizmente a segunda opção foi a escolhida, pondo fim a uma das bandas extremas mais fantásticas que já exerceram atividade em solo brasileiro.
Ouvir as canções do Mork faz pensar no quão importante é impulsionar bandas de ainda pouco reconhecimento que fazem som de qualidade. No caso desses brasilienses em especial fica complicado, agora que já puseram fim em suas atividades. Mas é importante valorizar o perfeccionismo de seu som, a profissionalidade e a paixão para que não deixemos verdadeiras joias escaparem de nossas mãos e afundarem no mar do esquecimento. Vale a pena conhecer, adquirir o material e se impressionar com o que os caras fizeram em toda sua trajetória! Ainda dá tempo de obter os discos e merchandising oficial através da página oficial da banda no Facebook. Passados nove anos de atividade e três incríveis trabalhos lançados, fica difícil não lamentar profundamente o fim.

|    Facebook Page    |    Facebook Profile    |    MySpace    |    Twitter    |
|    Site Oficial    |    Canal Youtube    |

SHOWS & IMPRENSA:
E-mail: morkband@gmail.com

TELEFONES:
(61) 9970-2225 - (Rafael Foizer)
(61) 8134-8697 - (Pedro Henrique Peres)


 Preposterous (EP) (2008)

01 - Calumnious
02 - The Misanthropic
03 - Divine Sovereignty Corrupted
04 - Heretic Doctrine
05 - Forbidden Flesh
06 - Hellstorm

Download

 Exemption (2011)

01 - Exemption
02 - Alastor
03 - God Beneath My Glory
04 - Unholy Inquisitor
05 - Vatican XIII
06 - Ego Boundaries
07 - Interlude of Purification
08 - Make Them Suffer
09 - Zeitgeist
10 - Prophecy of Infidels Curse
11 - Insolence
12 - Annihilation of Existence
13 - Hate Eternal
14 - Spiritual Extortion

Download

 Awake (2014)

01 - Untamed
02 - Sacrifice
03 - Infirmita Carnis
04 - Svatan
05 - Three Transformations
06 - Human
07 - Lobos
08 - Apostaticos
09 - Preached By Death
10 - Awake

Download

Nenhum comentário:

Postar um comentário