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domingo, 20 de julho de 2008

Iron Maiden - Discografia Comentada

Ainda me lembro quando eu tinha 9 anos de idade e meu irmão trouxe para casa o primeiro CD de Heavy Metal. Ele tinha uma capa roxa com um monstro formado nas nuvens e uma metrópole abaixo. Era o "Brave New World", do Iron Maiden. Apesar de tê-lo ao meu alcance, nunca tomaria a atitude de ouvi-lo, até porque meu irmão ia chiar. Era chato assim mesmo. Poucos dias depois encontro um amigo dele na rua, que ao me entregar um CD,  diz: "Walker, entrega ao seu irmão, por favor". Foi o que eu fiz. Quando cheguei, admirei a capa. Era linda, detalhada e até futurista. Até hoje considero a capa mais rica em detalhes e a mais bela que já tive o prazer de pôr os olhos na minha vida. Tratava-se do "Somewhere In Time", também do Iron Maiden. Aproveitando que meu irmão não estava em casa, pus o CD no player, e assim, ainda quando garotinho, começou minha história pessoal no mundo da música pesada.
Iron Maiden e toda sua majestade têm um significado forte pra mim não apenas como ouvinte de Metal, mas também como pessoa. Simboliza toda uma época, muitos momentos. Muita encheção de saco dos vizinhos comigo e meu irmão ouvindo lá no talo. Tudo no Metal era novo. Especialmente na banda. Tudo era impressionante - e muita coisa ainda é, na verdade. O sentimento permanece o mesmo. Mas isso tudo não é só pela ligação emocional, não. É pelo estilo único da banda. Pelas suas marcantes canções. Pelo seu alto nível. Pela sua grandeza. Afinal, estamos falando de uma das maiores bandas da história do Metal, que sempre estrela na lista de maiores bandas da história de qualquer revista de expressão e qualquer rodinha de rolê. Que tem seus álbuns nos topos dos rankings de melhores e mais importantes da história. Que tem vendas e fama que alcançam níveis estratosféricos. São "apenas" mais de 85 milhões de discos vendidos segundo o The New York Times e mais de 2000 shows realizados ao longo de sua estrada de mais de 40 anos, sem mencionar a grande quantidade de nomeações e prêmios conquistados. Estamos falando de um colosso representado pelo seu estremecedor e assassino mascote Eddie em suas várias reencarnações. O mais famoso do mundo, sem dúvidas, saído das hábeis mãos do artista Derek Riggs. Enfim, estamos falando de uma banda que até hoje vende até o último ingresso de seus shows e é objeto de grande ambição e amor por parte de uma verdadeira legião de fãs ao redor do globo, que sempre almeja vê-los ao vivo.
Contudo, até chegar nesse nível, foi chão. Foi muito trabalho. Como qualquer banda, o Iron Maiden começou por baixo e na humildade. Sua história começa em LeytonLondres, na Inglaterra, no dia de natal de 1975, quando o baixista Steve Harris decidiu dar início a uma nova banda logo após ter largado a anterior, Smiler. Há controvérsias acerca da origem do nome da banda. Steve Harris alega que tomou inspiração do filme "O Homem da Máscara de Ferro" de Alexandre Dumas, lançado em 1939, onde viu as conexões com o dispositivo de tortura chamado donzela de ferro. Contudo, ainda antes desse Iron Maiden existiram outros dois: primeiro, em 1968, o Iron Maiden que tocava Blues, oriundo de Basildon, no condado de Essex, também na Inglaterra; o segundo, para diferenciar, hoje é conhecido como The Bolton Iron Maiden, mas começou apenas como "Iron Maiden" em 1970, executando uma sonoridade mais próxima do Heavy Metal. Steve Harris nega a ciência da existência dessas bandas na época, mas o vocalista do Iron Maiden de Blues Paul O'Neill afirma que Steve Harris chegou a conhecer Ian Bolton-Smith, guitarrista do segundo Iron Maiden.
Polêmicas à parte (algo que aconteceria mais vezes no decorrer da história da banda), Steve Harris batizou sua nova banda de Iron Maiden, ou, em português, "donzela de ferro". O nome é dado a um instrumento de tortura muito utilizado durante a Idade Média, que consiste em uma espécie de sarcófago com pregos no lado interno da porta a fim de, ao fechá-la, ferir a vítima posicionada no interior sem que órgãos vitais sejam atingidos, para que assim ela morra lentamente por insuficiência sanguínea.
Harris então conseguiu fechar a formação inicial e se apresentar ao vivo algumas vezes. A primeira delas foi no St. Nick Hall em Poplar no dia 1º de maio de 1976.
Os primeiros estágios da banda foram uma verdadeira bagunça, a começar pela formação inicial, composta por Paul Day no vocal, Dave Sullivan e Terry Rance nas guitarras, Steve Harris no baixo e Ron Matthews na bateria. Ela não durou muito por não agradar ao baixista. O vocalista Paul Day não era carismático no palco. Ao ser chutado, Dennis Wilcock, um fanático pelo  Kiss que até usava maquiagem e sangue falso durante os shows, o substituiu. Através dele Harris conheceu  Dave Murray, que foi convidado a ingressar na banda, o que frustrou  os guitarristas Dave Sullivan e Terry Rance. Instabilidade irrompeu na relação entre os integrantes, culminando no fim prematuro do Iron Maiden em 1976. Entretanto, pouco depois as atividades foram reiniciadas, mas apenas com Steve Harris e Dave Murray no line-up. Ambos até hoje estão na banda. Mas nem sempre foi assim. Pelo menos não no início.
Um segundo guitarrista chegou em 1977, Bob Sawyer, mas não ficou muito por ser demitido após fingir estar tocando guitarra com os dentes durante um show. Dave Murray e o vocalista Dennis Wilcock, que retornou, passaram a se desentender. Acabou que Wilcock convenceu Harris a demitir Murray e o baterista Ron Matthews, que também havia retornado. Daí a banda se reestruturou com Dennis Wilcock no vocal, Terry Wapram na guitarra, Steve Harris no baixo, Barry Purkis na bateria e Tony Moore (futuramente membro do Cutting Crew) no teclado. A formação realizou apenas um show - péssimo, diga-se de passagem -, provocando mais mudanças. O baterista Barry Purkis foi substituído por Doug Sampson, enquanto Tony Moore foi convidado a se retirar pois Harris julgava o teclado desnecessário na proposta musical do Iron Maiden. As brigas se mantiveram, levando Dennis Wilcock a ficar de saco cheio e sair da banda para formar a sua própria, V1. Sem ele para brigar, Dave Murray voltou à banda, mas preferia ser o único guitarrista, deixando Terry Wapram puto da vida. Murray fez a cabeça de Harris e Wapram foi demitido no fim das contas.
Apesar de ainda procurarem por novos membros para fechar o line-up, o trio Harris, Murray e Sampson ensaiava e escrevia músicas ao longo do ano de 1978. Em novembro encontraram Paul Di'Anno, cuja voz agradou muito a Harris. Di'Anno foi então efetivado como vocalista, mas ainda ainda faltava um segundo guitarrista, que Harris não conseguia encontrar por, segundo ele, "não combinar com o estilo de Dave Murray".
Foi então que o quarteto lançou em novembro de 1979 a primeira demo, intitulada "The Soundhouse Tapes", contendo apenas três cruas e simbólicas faixas: "Iron Maiden", "Invasion" e "Prowler". Era o caráter do que viria a ser o primeiro álbum: um Heavy Metal seco com uma pegada pendida ao Punk. Embora não creditado, um segundo guitarrista auxiliou nas gravações: Paul Cairns. A demo foi limitada a 5.000 cópias que se esgotaram em poucas semanas, graças à fama que vinha crescendo na localidade, reforçada por shows e pela estratégia de presentear pessoas influentes com a fita. Uma dessas pessoas foi Neal Kay, gerente de um clube. Ele tocava a fita insistentemente, principalmente a faixa "Prowler", que alcançou no número 1 de mais tocadas de seu estabelecimento. Esse ranking era semanalmente publicado na revista Sounds, o que certamente também auxiliou a banda publicitariamente.
Em dezembro de 1979, um aluno e amigo de infância de Dave Murray foi convidado a ingressar na banda. Era o guitarrista Adrian Smith. Infelizmente, recusou a proposta por estar ocupado com sua própria banda, Urchin. Então o Iron Maiden optou por chamar Dennis Stratton. Logo aí conquistaram um grande contrato com o selo EMI, que os impulsionaria em larga escala! Ainda antes da gravação do primeiro álbum, o baterista Doug Sampson saiu por problemas de saúde. Por sugestão de Dennis Stratton, o substituto foi Clive Burr, do Samson, fechando assim a primeira formação conhecida pelo mundo inteiro. Alguns shows foram realizados, muitos deles com outras bandas que também ficariam conhecidas como integrantes daquela onda que estava apenas começando: a New Wave of British Heavy Metal. Onda na qual o Iron Maiden faz parte e é pioneiro.
Eis então que em 1980 emerge o álbum de estreia da discografia, intitulado simplesmente com o nome da banda e produzido por Will Malone. A repercussão foi boa em algumas localidades da Europa, mesmo que apresentassem uma sonoridade crua e seca que unia Heavy Metal a claras influências do Punk Rock, estilo comercial da época. O resultado foi uma musicalidade pegada, tocada com velocidade e solos em excelente grau de abundância, além dos refrões, que são marcantes. Paul Di'Anno de fato se mostrava o vocalista certo para tal musicalidade, devido ao vocal que sabia como aplicar tons mais baixos com elevações a agudos. Canções icônicas como "Sanctuary", "Phantom of The Opera", "Running Free" e "Transylvania" foram incansavelmente executadas pelas rádios afora, promovendo o trabalho que alcançou a 4ª posição nos charts britânicos. Interessante também o detalhe que "Remember Tomorrow" é uma das raras canções baladas do conjunto.
Na sequência, a banda saiu em turnê através do Reino Unido como banda principal, até que se juntaram ao Kiss em sua turnê europeia ainda em 1980 e abriram alguns shows para o Judas Priest. Ao fim da turnê ao lado do Kiss, o guitarrista Dennis Stratton foi demitido por divergências pessoais e criativas. Para o seu lugar - aí sim - veio Adrian Smith, que teria influência decisiva no desenvolvimento musical e criativo da banda.
Em decorrência do fato de que já estavam em atividade havia anos, é, de certa forma, natural que já tivessem um bom número de músicas prontas. As que julgaram melhores foram selecionadas para o debut, mas empolgados com as respostas positivas de mídia e fãs, aproveitaram essas sobras as usaram para preencher o álbum seguinte.
Após complementar essas sobras com mais duas novas composições ("Murders In The Rue Morgue" e "Prodigal Son"), lançaram em 1981 o álbum "Killers". Uma vez em se tratando de restos, é de se esperar que não haja tantos avanços criativos. Ainda assim a arquitetura das composições é ótima, bem como os solos, que não são tão jogados ao léu e fritados como anteriormente. Apesar do maior peso e aparente melhor estrutura, não chega a contar com diferenças tão sensíveis, de fato. O que ajudou a realçar alguns detalhes que dão a ideia de um álbum melhor foi o produtor Martin Birch, contratado por causa da insatisfação com a produção de Will Malone no primeiro disco. Birch seguiria trabalhando com a banda até 1992, quando se aposentaria.
Muito provavelmente é o fato das melhores faixas comporem o primeiro disco que muitos fãs atuais - incluindo a mim - consideram-no melhor que o "Killers", por mais que canções excelentes como a faixa-título e o hino "Wrathchild" componham o setlist. Assim como o anterior, "Killers" também resguarda uma curiosidade interessante, musicalmente falando. As faixas "The Ides of March" e "Genguis Khan" são duas das raras instrumentais que o Iron Maiden já lançou.
Mesmo que não tenha alcançado o mesmo clamor do antecessor, "Killers" significou progresso para o Iron Maiden. Com seu lançamento, chegou a oportunidade de realizarem a primeira turnê mundial, que começou nos Estados Unidos, abrindo um show do Judas Priest em Las Vegas.
Aparentemente, só para manter viva a tradição, os problemas com a formação voltaram. O responsável da vez era o vocalista Paul Di'Anno, cujo lado irresponsável e de difícil relacionamento desabrochou após se afogar no álcool e nas drogas. Cheirava cocaína todos os dias, comprometendo a agenda da banda, que só vinha crescendo. Cansado, Steve Harris, na surdina, convidou o vocalista Bruce Dickinson (ex-Samson e Styx) para uma audição em setembro de 1981, que resultou na contratação imediata do jovem rapaz. Ainda em silêncio, a Killer World Tour teve o último mês de sequência com Paul Di'Anno, até que, assim que chegou ao fim, foi chutado e Bruce Dickinson foi anunciado.
Com a chegada do jovem, elétrico e talentoso Dickinson, a banda só melhoraria em todos os aspectos imagináveis. Os shows ficariam mais interessantes, mais agitados, as músicas antigas seriam melhor interpretadas, a musicalidade transcorreria para um Heavy Metal puro e único que somente o Maiden faz e, claro, degustariam os primeiros sabores de uma banda que está se tornando grande e consolidada no cenário mundial.
Bruce Dickinson apareceu pela primeira vez à frente nos palcos quando uma pequena turnê percorreu a Itália, um mês após o fim da Killer World Tour. Então fizeram alguns shows aleatórios pelo Reino Unido, onde já tocavam faixas como "Children of The Damned" e "22 Acacia Avenue" (sequência da história da prostituta Charlotte, contada anteriormente em "Charlotte The Harlot", do primeiro álbum) para apresentar ao público o direcionamento que estavam tomando.
De repente, em 1982, desenhos demoníacos, referências aos número da besta e um título igualmente tendencioso ao ocultismo, a princípio. O material assustou até mesmo aos bastidores, que estavam com uma pulga atrás da orelha acerca do que estavam tramando. Era o ignorante temor quanto ao conteúdo lírico do álbum que viria a ser lançado em fevereiro daquele ano.
"The Number of The Beast" foi o primeiro registro com Bruce Dickinson no vocal e auxílios composicionais de Adrian Smith, bem como o primeiro a apresentar Heavy Metal integralmente, nos moldes que viriam a lapidar e polir mais e mais e torná-los gigantes históricos. Grande polêmica acompanharia o lançamento, principalmente por iniciativa de grupos religiosos que os acusariam de culto ao demônio e "referências explícitas". Foi uma coisa realmente caótica. A Igreja fez campanha para que as pessoas não comprassem discos de Iron Maiden e Ozzy Osbourne e não permitissem que seus filhos seguissem essa "satânica linha musical". Era correria, imagens de pessoas quebrando os discos com martelos, queimando, e até mesmo rolos compressores esmagando carreiras de CDs. Puro caos. E ignorância, claro. A única canção que fala realmente sobre algo do tipo é a faixa-título, que não passa de uma inspiração em um sonho de Steve Harris após assistir um documentário. Certamente quem criticava - e ainda critica - não leu as letras das demais canções. A bem-sucedida single "Run To The Hills" versa sobre a invasão do homem branco na América do Norte e sua guerra contra os índios americanos; "Invaders" conta do ponto de vista de um povo sendo atacado por vikings; "Hallowed Be Thy Name" é os últimos momentos de um homem condenado à forca; "The Prisoner" é inspirada num programa da TV britânica com o mesmo nome... por aí vai. Provavelmente a ignorância foi reforçada por causa da capa do álbum, que mostra o diabo controlando um homem como uma marionete, mas talvez não tenham se atentado ao detalhe de que acima do diabo está o mascote Eddie controlando-o da mesma forma. Outro possível motivo de má-interpretação é a arte da single "Run To The Hills", que também retrata o diabo, mas este sendo morto a machado por Eddie. Trata-se apenas de uma imagem ilustrativa para fazer jus ao título do álbum, mantendo o conceito artístico.
Bem ou mal, com controvérsias ou não, tudo só serviu para divulgar ainda mais o Iron Maiden. "The Number of The Beast" foi um verdadeiro divisor de águas da história da banda, pois aqui são mais Iron Maiden que nunca, com toda sua criatividade, potência e estilo galopado. Liricamente também marca a evolução composicional de Steve Harris, que, como um escritor de um livro, entra na cabeça de cada personagem de cada música, adotando completamente seu ponto de vista, pensamentos e temores. Por isso o disco não é incrível apenas em questões musicais, mas também questões líricas. Como consequência, o álbum foi um sucesso comercial absoluto, ficando em primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e no top 10 de diversos países, alcançando dupla platina no Reino Unido, platina nos EUA, tripla platina no Canadá e ouro na Áustria, Alemanha e Suíça. Até 2010, segundo o The New York Times, o disco ultrapassou a marca de 14 milhões de cópias vendidas. Com seu império se expandindo, a banda embarcou em sua segunda turnê mundial, que contou com uma carga maior de shows, além de visitarem mais países.
Em dezembro, o baterista Clive Burr se desligou da banda. Segundo Harris, é porque suas atividades fora dos palcos estavam afetando a produtividade de suas performances. Mais tarde alegaria que ele estava doente e não poderia acompanhá-los no resto da estrada. Contudo, Burr desmente esses argumentos e diz que foi injustamente demitido.
De qualquer forma, a banda precisava de outro baterista. Acabaram por encontrá-lo dentro de casa mesmo. Tradicional e obrigatório nos shows, o enorme boneco do mascote Eddie sempre precisou de alguém controlando-o, evidentemente. Na época, "o interior do mascote" era Nicko McBrain, ex-baterista do Trust. Ao aceitar o convite para uma audição, rapidamente foi efetivado no cargo. Seu estilo único de pegada acrescentaria ainda mais no som de uma banda em constante aprimoramento.
Pouco depois, o quinteto foi até as Bahamas para a gravação do quarto álbum no Compass Point Studios, o mesmo onde grandes nomes, não apenas do Rock (como AC/DCU2The Rolling StonesEmerson, Lake & PalmerDire Strait, etc.), mas da música mundial (Céline DionBob MarleyJulio IglesiasShakiraBonnie Tyler, entre outros), gravaram seus discos.
O resultado final foi o lançamento de mais um clássico e sucesso absoluto de vendas: "Piece of Mind", em 1983. Esse primeiro trabalho com Nicko McBrain nas baquetas mostrou como ele é profissional e explora de forma única os recursos que a bateria oferece. De um aspecto geral, "Piece of Mind" é similar ao "The Number of The Beast" em vários aspectos, sendo este mais uma marca registrada de um Iron Maiden em fase de ouro. Daqui saíram hinos como "Revelations", "Flight of Icarus" e "The Trooper". Trabalho foda do primeiro acorde ao último.
No Reino Unido, "Piece of Mind" ficou na terceira posição dos charts, enquanto nos Estados Unidos, pela primeira vez, apareceram na Billboard 200 - mais especificamente na 70ª posição. Em consequência da magnitude, o álbum foi certificado platina no Reino Unido e EUA, dupla platina no Canadá e ouro na Alemanha e Finlândia.
Mantendo o pique de um álbum de inéditas por ano, em 1984 saiu aquele que uma grande parcela dos fãs considera o melhor: o grandioso "Powerslave". Um pouco mais madura e polida, a banda segue apresentando temáticas históricas, sobretudo do ponto de vista das guerras. Os clássicos "Aces High" e "2 Minutes To Midnight" são grandes hinos que exemplificam isso, bem como a épica "Rime of The Ancient Mariner" e "Powerslave", que abordam uma temática mais anciã, principalmente esta última, que tematiza todo o conceito artístico egípcio do álbum. Mais interessantemente ainda é a capacidade da banda de transmitir marcas de uma antiga cultura através de dos instrumentos à disposição de cada um apenas, sem auxílios de teclados para acrescentar climatização. "Powerlave" dota de perfeitos riffs egípcios, além da própria postura vocal de Bruce Dickinson, com loops típicos. Também podemos encontrar aqui mais uma das poucas faixas instrumentais da banda, nomeada "Losfer Words (Big 'Orra)".
Foi com esse trabalho que o Iron Maiden se tornou gigante de fato. World Slavery Tour foi a maior e mais longa turnê da história do conjunto, compreendendo 193 shows em 28 países ao longo de 13 meses. Mais de 3 milhões e 500 mil pessoas testemunharam os espetáculos. A propósito, foi nessa mega turnê que os palcos começaram a ser tematizados de acordo com o conceito artístico dos álbuns. Dois dos shows possivelmente mais marcantes dessa "excursão egípcia" foram, primeiramente, sem dúvidas para nós brasileiros, aquele no Rock In Rio de 1985, encabeçando a noite ao lado do Queen. Os ingleses pisavam pela primeira vez em solo sul-americano, pela primeira vez no Brasil. Tocaram para um acalorado público de mais de 300 mil pessoas que lotaram a Cidade do Rock. O outro foi realizado em Long Beach, na Califórnia, eternizado através do conceituado ao vivo "Life After Death", lançado em 1985.
O sucesso comercial e crítico de "Powerslave" rendeu mais certificados importantes, para não perder o costume: dupla platina no Canadá, platina nos EUA e ouro no Reino Unido e Alemanha.
Nem sempre pensamos no desgaste físico dos músicos, ainda mais ao longo de uma turnê extensa e bruta como essa. Mais desgastante do que nenhuma outra, World Slavery Tour os obrigou a tirar férias de quatro meses assim que ela acabou, embora pretendessem tirar seis. Nesse meio tempo aconteceria outra turnê, agora de divulgação do "Live After Death", mas foi encerrada prematuramente por atitude de Bruce Dickinson, que não suportou o cansaço e ameaçou deixar a banda caso a turnê não fosse interrompida.
Durante as férias, cada membro também aproveitou para escrever músicas tranquilamente. Ao fim do período sem atividades, reuniram-se e apresentaram seus esboços. Os de Bruce Dickinson foram rejeitados, mas os de Adrian Smith receberam boa apreciação. Começaram então a trabalhar em um novo álbum, dessa vez percorrendo um caminho em direção ao experimentalismo.
Essa é a palavra chave para "Somewhere In Time": experimentalismo. Lançado em 1986, este é o álbum mais deslocado de toda a discografia e, na minha opinião (também por motivos sentimentais), o melhor álbum do Iron Maiden. O experimentalismo consiste na ampla utilização de baixo e guitarras sintetizadores, criando diversas e ininterruptas camadas de efeitos sintéticos. Como resultado, a atmosfera é profunda, melódica e até cibernética, caracterizando um álbum como nenhum outro na história do Heavy Metal.
Daqui foram retiradas duas singles de absoluto sucesso, ambas composições de Adrian Smith: "Wasted Years" e "Stranger In A Strange Land". Mas as demais faixas seguem o mesmo fenomenal passo. O set é encerrado com chave de ouro por "Alexander The Great", uma das mais incríveis músicas da história da banda, musical ou liricamente falando. É o sonho de qualquer fã vê-la executada ao vivo, algo que nunca ocorreu.
Mais certificações de peso pelo sucesso entraram para o hall da banda. "Somewhere In Time" foi certificado platina nos Estados Unidos, dupla platina no Canadá e ouro no Brasil, Alemanha e Reino Unido.
Pela primeira vez desde 1980, passaram um ano sem lançar álbum. Mas a "demora" foi recompensada pelo nível do disco seguinte que, pela primeira vez, era conceitual. Considerado o melhor pela maioria dos fãs, o enigmático e apocalíptico "Seventh Son of A Seventh Son" saiu em 1988. Steve Harris não fazia ideia do que fazer para o sétimo álbum, até que leu o o livro "Seventh Son", de Orson Scott, e tomou inspiração pela coincidência com o número sete e pela história em si. Então jogou a ideia para Bruce Dickinson, que se entusiasmou e só foi acrescentando, até que o conceito se firmou e - aí sim - o vocalista conseguiu ter contribuição nas composições.
O disco conta a história de um garoto que é o sétimo filho de um sétimo filho e, conforme diz a profecia, é extraordinário e dotado de imenso poder, capaz de mudar o curso da história e ser tão poderoso quanto o Deus e o Diabo. Por isso, no decorrer da história, o garoto é perseguido por Lúcifer, que tenta a todo custo matá-lo, mas sempre falha. À medida que cresce e seus poderes vão se revelando - muitas vezes após grandes desastres -, o garoto sofre com a influência que Deus e o Diabo tentam exercer sobre ele, cada um tentando manipulá-lo para seu lado, antes que seja tarde demais.
Assim como "Somewhere In Time", "Seventh Son of A Seventh Son" também é um trabalho experimental, mas não tão fora da caixa quanto o primeiro. Afinal, é centrado em um Heavy Metal puro com passagens melódicas e teclados que aparecem efetivamente no fundo da musicalidade pela primeira vez.
É impossível não mencionar a mudança de abordagem vocal de Bruce, que sempre foi teatral e interpretou maravilhosamente as letras. No entanto, aqui ele está ainda mais entregue, mergulhando de cabeça na história e cantando com raça e paixão. Agora seu vocal é monstruoso, variante, carregado de drives e também narrativo, tudo no momento que a história exige. Trabalho impecável!
Como todo álbum conceitual de qualidade, não apenas as letras falam com o ouvinte, mas também o instrumental, que passa exatamente aquilo que o momento da história determina, seja o ambiente ou o pensamento e sentimentos do personagem. A introdução de trechos a violão como no início de "Moonchild", fim de "Only The Good Die Young" e o "Outro" no fim de "The Prophecy" são marcantes para qualquer conhecedor do trabalho.
Daqui saíram outros grandes e eternos hinos como "Can I Play With Madness?" e "The Evil Dead Man Do". Especialmente essa última é obrigatória no set de qualquer show.
O álbum, pela segunda vez na história, estacionou na primeira posição dos charts do Reino Unido. Foi certificado platina no Canadá e ouro na Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Reino Unido.
Mais uma renomada turnê sucedeu ao lançamento, passando por grandes festivais como atração principal. Um deles foi o Monsters of Rock no Donington Park, na Inglaterra, diante de 107 mil pessoas (o maior público da história do evento), no dia 20 de agosto de 1988. Outras atrações do dia foram Guns N' RosesMegadeth, Kiss, Helloween e David Lee Roth.
Em 1989 a banda tirou mais um tempo de folga para descansar de outra uma exaustiva turnê que rendeu mais um disco ao vivo, o "Maiden England". Ele é o registro dos últimos concertos da turnê anterior, realizados na NEC Arena em Birmingham, na Inglaterra, em novembro e dezembro de 1988. O ano também foi marcado por atividades "extracurriculares" de alguns integrantes, como as do guitarrista Adrian Smith, que lançava o álbum "Silver and Gold" com sua banda solo, ASAP, bem como as de Bruce Dickinson, que uniu forças com o guitarrista Janick Gers, do Gillan, e deu início aos trabalhos do álbum solo "Tattooed Milionaire", que sairia um pouco depois, em 1990.
Mais tarde a banda se reuniria e voltaria ao início do ciclo, com as discussões sobre como soaria o próximo álbum e consequente início das composições. Aos olhos de Steve Harris, o Iron Maiden havia alcançado níveis altos demais, algo que o cansou. Muita produção, muita intensidade, palcos enormes e mega-tematizados... então optou por, dessa vez, fazer algo mais humilde, mais seco. Adrian Smith não concordou com o direcionamento e optou por deixar o conjunto, quebrando a estabilidade no line-up após sete anos. Em seu lugar entrou Janick Gers, conhecido da banda por trabalhar com Bruce em sua carreira solo. Olha o QI (quem indica) aí!
Em outubro de 1990, o resultado da mudança de postura e ausência de Adrian Smith pode ser testemunhado na forma do criticado álbum "No Prayer For The Dying". Para muitos é um dos discos mais fracos e desinteressantes dos caras, por mais que as singles tenham sido bem-sucedidas comercialmente. "Holy Smoke" e "Bring Your Daughter... ...To The Slaughter" foram sucesso nas paradas, sendo que essa última ficou em primeiro nos charts do Reino Unido. Aos ouvidos dos fãs, era mais um daqueles álbuns que só os hits valem a pena e as demais músicas não acompanham o nível. Pessoalmente, concordo que todos os discos anteriores nessa "era Dickinson" são superiores, mas não significa necessariamente que "No Prayer" seja ruim, embora seja inconstante em toda a sua extensão, com músicas muito fortes e músicas mais amenas, aparentemente deslocadas, dando a ideia de que não se trata do mesmo álbum. Gosto muito dele pelos excelentes solos, pela harmonia e pelo fato de Bruce manter a postura agressiva de vocal. Acho-o incompreendido. "Tailgunner", "No Prayer For The Dying" e "Public Enema Number One" são três ótimas faixas que mereciam um pouco mais de carinho. Engraçado que aqui também jaz a música considerada por Bruce a pior da banda: "Hooks In You". Ele a detesta!
As certificações dessa vez foram mais limitadas, reflexo de uma banda que para mídia e público estava finalmente começando a ter queda de rendimento. No Canadá o álbum foi elevado a platina, enquanto no Reino Unido e Estados Unidos foi ouro.
Uma nova turnê de divulgação acompanhou o álbum, e também mais um tempo de férias. Quando retornaram aos trabalhos, brotaram em 1992 com um álbum que para alguns não é tão bom, enquanto para outros é a superação da queda de nível do anterior: o famoso "Fear of The Dark". A novidade agora é que Heavy Metal único da banda passa a receber influências de Hard Rock, gerando músicas realmente energéticas, porém, de sonoridade americanizada. Teclados voltam a aparecer no background e o recém-ingressado guitarrista Janick Gers contribui nas composições onde geralmente todos participam, e se sente muito à vontade para aplicar seu próprio estilo, que é característico e totalmente compatível com o da banda. Certamente esse é o álbum mais pesado até aquele momento, com distorções esmagadoras e uma atmosfera noturna enfeitada pelo reverb da produção, que dá um misterioso clima de caverna.
O vocal de Bruce novamente é um ponto a se destacar devido a sua postura mais agressiva do que jamais estaria novamente. Canta como uma fera! Ao meu ver, é um grande álbum com grandes músicas do início ao fim! Daqui saiu outra canção frequentemente tocada em qualquer show dali em diante: a "Fear of The Dark". Outros clássicos como "Afraid To Shoot Strangers" e a belíssima "Wasting Love" também provém desse álbum, bem como as bem-sucedidas singles "Be Quick Or Be Dead" e "From Here To Eternity", ranqueadas na segunda e décima primeira posições dos charts britânicos, respectivamente. O sucesso de "Fear of The Dark" foi tatuado de vez na história quando, pela terceira vez, um álbum do Iron Maiden chegou à primeira posição das paradas e foi certificado com ouro no Canadá, França e Reino Unido.
Uma turnê mundial ainda mais estendida em se tratando de variedade de locais aconteceu na sequência. Pela primeira vez uma turnê da banda ganhou uma perna latino-americana, coisa que nunca aconteceu antes, pois o show no Rock In Rio de 1985 foi uma apresentação única. A banda também foi atração principal de sete Monsters of Rock espalhados pela Europa e tocaram pela segunda vez no Donington Park, agora diante de 68.500 pessoas. A apresentação foi filmada e lançada em CD e VHS ainda em 1992 sob o título "Live At Donington".
Infelizmente o que ninguém esperava aconteceu em 1993: Bruce Dickinson anunciou sua saída do Iron Maiden para focar integralmente na carreira solo. A notícia foi um baque para fãs e mídia, que ficaram alarmados quanto ao futuro da banda. Apesar do fim do vínculo, Dickinson concordou em realizar uma turnê de despedida antes de sair definitivamente. Foi o que aconteceu, mas não foi grandioso para a banda como se esperava, pois Steve Harris se irritava e brigava com Bruce, argumentando que ele não estava se apresentando apropriadamente de propósito e mais balbuciava do que cantava. O vocalista negou essas acusações e se defendeu dizendo que simplesmente não é possível se apresentar bem e sorrindo quando a atmosfera na banda não está de acordo.
De qualquer forma, a turnê gerou dois álbuns ao vivo: "A Real Live One", lançado em março de 1993 e compreendendo canções de 1986 a 1992, e "A Real Dead One", que por sua vez saiu em outubro daquele ano e contém músicas de 1980 a 1984. Pouco depois os dois seriam lançados em um único pacote intitulado "A Real Live Dead One". O último show com Bruce Dickinson aconteceu em 28 de agosto de 1993.
Quando um vocalista tão icônico, carismático e representativo como Bruce Dickinson sai de uma grande banda, sempre surge o temor sobre o futuro. Há bandas que decidem encerrar suas atividades por considerar o homem insubstituível, ou por medo de manchar a discografia com álbuns não tão bons quanto os anteriores. O Iron Maiden passou quase dois anos em hiato, mas não acabou. O plano era levar a banda adiante.
Esse período sem atividades foi aproveitado para caçar um novo vocalista. Centenas de fitas foram ouvidas, incluindo a de Andre Matos (ex-Angra e Shaman). O brasileiro passou perto, mas quem conquistou a vaga foi um cara chamado Blaze Bayley, já conhecido pela banda pois o Wolfsbane, conjunto onde canta, abriu alguns shows do Iron Maiden em 1990.
Essa decisão teve um impacto considerado negativo na história da banda. Muito se criticou naquela época e até hoje em qualquer roda de conversa as palavras ditas, em sua maioria, são negativas. Blaze Bayley foi escolhido não apenas por Steve Harris já conhecê-lo, mas também por dotar de um vocal completamente diferente do de Bruce Dickinson. Ele queria evitar que algum vocalista tentasse imitar o anterior. Queria originalidade.
As diferenças entre os dois vocalistas são latentes. Blaze Bayley tem extensão vocal mais baixa e menor. Não alcança notas altas, sendo necessário utilizar o ar pra impulsionar a voz num volume mais alto (o que não significa tom mais alto), além do timbre ser meio "abafado". Parece que canta pra dentro.
Já dentro da banda, Blaze Bayley e o restante dos caras restabeleceram as atividades em 1994. À medida que o material ganhava forma, era evidente que soaria bem diferente. Estava surgindo um Iron Maiden que, de certo modo, apagava completamente o passado.
Vocalista diferente, sonoridade diferente. Até artista e produtores diferentes (uma vez que Derek Riggs não mais ficou responsável pela arte das capas - Hugh Syme agora é o autor -, e o produtor Martin Birch, que trabalhava com a banda desde "Killers", se aposentou - Nigel Green, além do próprio Steve Harris, assinam a produção). Isso define o experimento de "The X Factor", o décimo álbum da discografia e o primeiro com Blaze Bayley. Foi lançado em 1995, três anos após "Fear of The Dark", sendo esse, até aquele momento, o maior tempo que passaram sem lançar álbum. Nesse trabalho a banda é negra e obscura, com uma atmosfera densa e evidentemente carregada de cadência e influências de Progressive Metal (que passaria a ser uma constante daqui pra frente). Mas em comparação aos demais discos, faltou um criatividade, inspiração. Faltou um pouco de paixão. Todo esse lado depressivo, em câmera lenta, reflete o humor de Steve Harris, que passava por uma fase complicada devido ao divórcio.
O conjunto sempre contou com álbuns de rápida duração (40 minutos em média), mas as influências Progressivas levaram esse tempo além. Com músicas longas e arrastadas, o tempo total pulou para 71 minutos. A maioria das canções é prolongada e Blaze Bayley canta geralmente comportado, sem se esforçar muito. "Sign of The Cross", uma música foda e bastante notável, e "Man On The Edge", que é pegada e mais comercial - e por isso é single - são algumas das poucas exceções.
Comercialmente, "The X Factor" foi bem, mas não tanto como os demais. Ficou em oitavo nos charts britânicos. A pior posição desde "Killers", por mais que tenha sido eleito "Álbum do Ano" na França e Alemanha.
Durante o restante de 1995 e ao longo de 1996, a banda se ocupou com a turnê de divulgação, que percorreu países inéditos como Israel e África do Sul. Quando encerrada, lançaram sua primeira coletânea, intitulada "Best of The Beast". Ela traz dois CDs contendo os maiores sucessos de todos os discos.
Em 1995 o segundo e último disco com Blaze Bayley na linha de frente foi lançado, o "Virtual XI". A atmosfera das músicas, ao contrário de em "The X Factor", está iluminada. É feliz, positiva. As canções exibem seu brilho através de arranjos mais abertos e melódicos, linhas de vocal cantadas de forma mais interessante e a intensa utilização de teclados Hammond, típicos do Rock Progressivo. O problema é que, mesmo assim, a falta de criatividade por momentos é latente. Músicas de duração prolongada são comuns no Progressive Metal, mas dificilmente são repetitivas. Por sinal, para que elas ficassem longas conforme o manual, o Iron Maiden optou por repetir as estrofes pra "encher linguiça". Por exemplo, "The Angel and The Gambler" repete exageradamente o refrão, e até a clássica "The Clansman" fala "Freedom..." um pouco demais, fora que na terceira vez que as estrofes entram, dá o sentimento de que já é um pouquinho demais.
Os fãs em geral detestaram e não pouparam críticas. A mídia, por sua vez, deu resenhas variadas, mas sem muito brilho também. Como resultado, a colocação do álbum nos charts britânico foi ainda pior, figurando na 16ª posição, pois pela primeira vez não conseguiram ultrapassar a marca de 1 milhão de cópias vendidas.
Eu gosto muito desses dois álbuns, mas a eles é aplicável o mesmo conceito de "No Prayer For The Dying": não ser ao nível de "Seventh Son" pra trás não significa ser ruim. Os trabalhos são muito bons à sua própria maneira. Para degustá-los melhor, diria que é necessário encará-los como outra banda, ou uma nova fase, onde não pretendem fazer nada que se pareça com o que foi feito antes. Blaze Bayley é bom, embora o vocal divida opiniões, mas infelizmente, mesmo com todo o respeito que tem pelos fãs (que ele sempre gostou muito), é um cara que carece de carisma. Não há uma estrela brilhando nele. É uma pena que sua passagem tenha sido trágica para a história da banda. Mas de nada disso ele tem culpa.Só é injusto que as pessoas protestem enquanto ele está trabalhando, dando o seu melhor.
Durante a Virtual XI World Tour, era possível visualizar faixas pedindo a volta de Bruce e, em um show no Chile, Blaze foi recebido a cuspidas. Não há razão para uma pessoa pagar caro para assistir a uma das maiores bandas da história e cuspir no vocalista. Não nesse caso, pois ele não fez nada. Blaze ficou puto e gritou ao microfone, dizendo que estava vendo quem era e exigiu a retirada daqueles que estavam perturbando a paz, a diversão do público e desrespeitando o trabalho da banda em palco, algo que consequentemente prejudica o espetáculo.
Até os dias de hoje essa fase é muito criticada. É vista como a pior da história e tem um amigo meu que até chega ao extremo de dizer que "Blaze Bayley foi a maior farsa da história do Metal". Quem o detesta pensa coisas complicadas mesmo! Eu gosto pra caramba e respeito. Já até vi show solo dele. Só que de fato a fase em que ele participou não foi a mais frutífera para a banda.
Contudo, esse período teria fim. Em janeiro de 1999, o vocalista foi convidado a se retirar. O argumento de Steve Harris é que a voz do Blaze não estava de acordo com as expectativas durante a turnê, mas Janick Gers defende que o motivo das performances mais baixas de Blaze era por ser forçado a cantar músicas muito fora de seu tom. Mas cá entre nós fãs, sabemos que Harris o fez pois foi contaminado pelas críticas e percebeu a limitação do vocalista. Por isso o chutou para fora. O histórico dele é de demissor mesmo! Mas isso não é necessariamente ruim.
Em 1998, todos os discos até "Live At Donington" foram remasterizados e os "A Real Live One" e "A Real Dead One" foram lançados em um único pacote intitulado "A Rea Live Dead One". São eles os mais encontrados nas lojas nos dias de hoje. Os encartes ficaram mais bonitos, pois dentro deles tem fotos de turnê e informações gerais (alguns discos como "No Prayer For The Dying", "The Number of The Beast", "Somewhere In Time" e "Iron Maiden" sofreram grandes alterações nas capas), multimídia para rodar no PC, bem como um "desenho estranho" na lateral dos discos. Ao empilhá-los na ordem correta, esses desenhos montam a imagem do Eddie da capa do primeiro álbum. Veja aqui. É o tipo de coisa feita não apenas para melhorar a qualidade das músicas e a beleza dos encartes, mas também para despertar a ambição de colecionador da galera para completar o Eddie. Consequentemente as versões originais se tornam artigos mais raros e mais caros.
Ainda em janeiro de 1999, mês da demissão de Blaze Bayley, as informações dizem que Steve Harris voltou a ter contato com Bruce Dickinson, influenciado pelo produtor da banda, Rod Smallwood. O convite foi feito e o vocalista, agora de cabelo curto, concordou em retornar. Tudo aconteceu rápido demais, o que sustenta a tese de que planos já vinham sendo elaborados ainda com Blaze na linha de frente. Junto de Dickinson, voltou o guitarrista Adrian Smith, que recebeu um telefonema horas depois de Bruce reingressar. No entanto, ao contrário do que aconteceu ao Blaze, Janick Gers, substituto de Adrian Smith desde "No Prayer For The Dying" (1990) não foi demitido. Agora a banda era um sexteto com uma artilharia de três poderosas guitarras ao seu favor.
As "velhas mudanças" revigoraram os ânimos dos fãs a níveis astronômicos, na esperança de ver o Iron Maiden dando a volta por cima com tudo, de volta com sua principal voz. O grupo saiu então em uma extremamente bem-sucedida turnê de reunião. Ainda naquele ano de 1999 lançaram a coletânea "Ed Hunter", que vem incluso um jogo de computador estrelando mascote.
Quando começaram o processo de composição do novo disco, Bruce já deixou avisado que não era para se tratar de um álbum flashback. Tinha de ser algo novo. Moderno. Produzido pelo hoje em dia muito criticado Kevin Shirley, o resultado foi mais um álbum considerado por muitos fãs o melhor da discografia: o aclamado "Brave New World", lançado em 2000. Executando um exímio e coeso Progressive Heavy Metal com estruturas de teclados ambientais e orquestrações, esse certamente é o álbum mais pesado da banda. As distorções são destruidoras, os solos são matadores e, finalmente, aquele brilho perdido nos álbuns anteriores voltou a irradiar através de músicas marcantes, destacáveis. Para variar, vários famosos hinos também saíram daqui, como "The Wicker Man", "Brave New World", "Dream of Mirrors" e a sentimental "Blood Brothers". Todo o álbum segue a linha desses exemplos e é impecável de início ao fim. Fora o fato de que, apesar de longas, as canções não são tão repetitivas e sim muito criativas e diversificadas. É uma experiência gostosa. Detalhe para "The Nomad", que é capaz de transmitir o estilo desértico de um nômade através de guitarras, sem a necessidade de teclados, a exemplo de "Powerslave".
Certificações de peso voltaram a renovar o hall de prêmios do Iron Maiden. "Brave New World" foi elevado a ouro em 8 localidades: Brasil, Canadá, Finlândia, Alemanha, Grécia, Polônia, Suécia e Reino Unido. Merecido demais. O álbum é uma obra-prima!
Uma explosiva turnê mundial com mais de 100 shows marcados teve sequência. Um dos shows, realizado no dia 19 de janeiro de 2001, gerou outro grande DVD, considerado por muitos - inclusive por mim - o melhor da banda. Refiro-me ao "Rock In Rio", lançado em 2002. Certamente essa foi uma das melhores apresentações da história da banda, com muita energia, muita interatividade e um Bruce que, embora mais velho, corre e se pendura para lá e pra cá como uma criança.
O descanso da mega turnê se estendeu por mais de um ano. Contudo, três shows consecutivos na Brixton Academy foram realizados para arrecadar fundos para o ex-baterista Clive Burr, que havia sido diagnosticado com esclerose múltipla. Novas apresentações por ele aconteceriam em 2005 e 2007, mas infelizmente o ex-baterista viria a óbito em 2013.
Adiantando o calendário, chegamos até 2003, quando a banda apareceu com o 13º álbum da discografia e o segundo desde a volta de Bruce Dickinson: "Dance of Death". Sem dúvidas é mais um grandioso álbum, seguindo de perto o estilo adotado em "Brave New World", porém, de uma forma um tanto mais densa. A musicalidade é intensamente preenchida, criando no ouvinte uma impressão dramática, meio que "muita coisa acontecendo ao mesmo tempo". Ele não tem a mesma receptividade de seu antecessor, mas nota-se que não tem o carinho e atenção que merece, até pela produção um tanto abafada e desleixada por parte de Kevin Shirley. Mas todas as músicas são estupendas! "Wildest Dreams", "Rainmaker", "No More Lies", "Dance of Death" e "Face In The Sand" são grandes destaques, sem mencionar "Journeyman", que fecha o disco com chave de ouro. É balada, tranquila, com direito a orquestração. Belas faixas nesse calibre são realmente raras no Iron Maiden.
Algo que gera muita desaprovação é a capa escolhida, criada por computador pelo artista gráfico David Patchett. Ela é estranha porque não é a versão final. A banda gostou tanto que optou por utilizar ela assim mesmo. Obviamente o artista não gostou nada, uma vez que estariam divulgando um trabalho inacabado que muitos encarariam como versão final e o julgariam um péssimo artista. Por isso exigiu que seu nome não fosse creditado.
Mesmo sem o carinho de uma parcela dos fãs, o álbum ganhou mais certificações. Foi elevado a ouro em 7 países, sendo eles: Brasil, Argentina, Finlândia, Alemanha, Grécia, Suécia e Reino Unido.
A turnê de divulgação novamente foi gigantesca, tocando em diversos festivais, casas de show e até estádios, como no Ullevi Stadium, na Suécia, diante de quase 60 mil pessoas. O show foi transmitido por satélite para toda a Europa e bateu a marca de 60 milhões de telespectadores. Ao fim da perna europeia, atravessaram o oceano até os Estados Unidos para dividirem o posto de banda principal no Ozzfest com o Black Sabbath, mas o show do Iron Maiden foi sabotado pela esposa do Ozzy Osbourne por ter se ofendido com uma declaração de Bruce criticando reality shows na TV. Afinal, a própria família tinha um. Quem com um pouco mais idade nunca assistiu "The Osbournes", transmitido pela MTV no Brasil?
Em 2006 é a vez de "A Matter of Life and Death" surgir nas prateleiras de todo o mundo. Mudanças são apresentadas, mesmo que seja tão progressivo e extenso quanto a banda já vinha praticando. É sim um trabalho um pouco mais difícil de ouvir. Exige paciência para digeri-lo até captar sua essência. Trata-se de um trabalho mais melódico que traz ao Prog Heavy uma boa carga de música comercial, flertando com Hard Rock e Alternative Rock. Isso resultou em refrões mais Pop, mais "de rádio".
A repercussão do álbum foi monstra, impulsionada pelas positivas críticas. "Different World", "These Colours Don't Run", "The Longest Day" e "The Reincarnation of Benjamin Breegs" são ótimos e acessíveis destaques do álbum, embora a minha preferida seja "For The Greater Good of God", que resgata o Iron Maiden de "Brave New World" e "Dance of Death". Na última faixa do set, interessantes jogadas de violão são introduzidas nos primeiros minutos, antes da canção elevar a pegada progressivamente, até encerrar da mesma forma como começou.
Por mais que seja mais um registro pouco valorizado pelos fãs em geral, ele foi longe comercialmente, chegando tranquilamente ao top 10 da Billboard 200 dos Estados Unidos pela primeira vez. O máximo que haviam chegado anteriormente era a 70ª posição, com "Piece of Mind", em 1984. O disco foi, inclusive, nomeado "Álbum do Ano" pela Classic Rock Roll of Honour Awards, e elevado a platina na Finlândia e ouro no Brasil, Canadá, Alemanha, Grécia, Suécia, Reino Unido e Suíça.
Já a turnê de divulgação, dessa vez, teve de lidar com críticas. Não por questões de técnicas ou performance ruim, mas pela banda ter tocado todas as músicas do álbum, obrigando-os a retirar grandes clássicos do set. É uma atitude inusitada de uma banda que não se vale apenas de seu passado e se orgulha do que faz atualmente. Mas os fãs sempre esperam "aquela música", não é?
Nos tempos seguintes caímos em uma fase em que a banda investe pesado em turnês comemorando seu impecável passado. A turnê "Somewhere Back In Time" se estendeu de 2007 até 2009 tocando sucessos históricos, assentando como base o modelo de set da World Slavery Tour (turnê do "Powerslave"), mas sem deixar sucessos posteriores de fora. Apresentaram-se em diversos países que raramente passam como Emirados Árabes Unidos, Índia, Venezuela, Nova Zelândia, Colômbia, entre outros. Um dos últimos shows foi realizado em São Paulo, onde Bruce teria dito no palco que aquele foi maior show fechado (que não faz parte de um festival) da carreira deles, com um público de 63 mil pessoas.
A excursão provocou o relançamento de "Live After Death" em DVD, bem como no da compilação "Somewhere Back In Time" em 2008, que consiste em hits desde o álbum homônimo de 1980 até o "Seventh Son of A Seventh Son", de 1988, e canções ao vivo do "Live After Death". A era de ouro do conjunto.
Em janeiro de 2009, chegou o documentário "Iron Maiden: Flight 666" em DVD, filmado durante a primeira parte da Somewhere Back In Time World Tour, entre fevereiro e março de 2008. As vendagens foram altíssimas, levando o documentário à primeira posição dos charts de 22 países. Uma versão em CD também foi lançada.
O ano de 2009 também foi marcado pela expectativa de lançamento do que seria o último álbum da carreira da banda, segundo afirmações de Steve Harris. Até que saiu, em janeiro de 2010, o décimo quinto álbum de inéditas, intitulado "The Final Frontier". O engraçado dele é a total disparidade opinativa entre mídia crítica e fãs. Enquanto no primeiro caso não pouparam elogios e promoveram o álbum até a primeira colocação em 28 países (a maior marca da história da banda!), no segundo caso torceram o nariz. Os fãs não gostaram. Até para mim, que sou fã de chorar, é chato e sem sal. É o trabalho mais Alternativo e contemporâneo da banda. Além de longuíssimo (uma hora e dezesseis de duração), dota de poucos momentos bons, sendo que eles compreendem solos e poucos trechos de clímax. No geral é um trabalho polido e linear, sem estrofes identificáveis como marcantes ou refrões grudentos e interessantes. "Starblind" até é legal, mas num aspecto amplo, o trabalho é muito morno. Não dá vontade de cantar as músicas.
Todavia, a mídia foi só amores. A single "El Dorado", disponibilizada gratuitamente no site oficial da banda antes do lançamento do álbum, venceu o prêmio um Grammy Awards em 2011 na categoria "Best Metal Performance" pela primeira vez. Anteriormente haviam sido apenas nomeados com "Fear of The Dark" em 1994 e "The Wicker Man" em 2001.
O trabalho foi certificado com platina no Brasil e Finlândia, e ouro no Canadá, Colômbia, França, Alemanha, Itália, Noruega, Polônia, Rússia, Suécia, Suíça e Reino Unido, sendo este, portanto, o álbum mais premiado da história do grupo.
A turnê de divulgação percorreu mais cantos incomuns da Terra, tais como Indonésia, Transilvânia, Singapura e Coreia do Sul, até que se encerrou em agosto de 2011. Assim como aconteceu com "Somewhere Back In Time", outra compilação foi lançada naquele ano, chamada "From Fear To Eternity" e composta por dois CDs que transcorrem o período de 1990 a 2010. Canções da fase com Blaze Bayley estão inclusas, contudo, em versão ao vivo com Bruce Dickinson.
Na mesma nota que mencionava o lançamento da compilação, havia menção também a mais um DVD ao vivo. Lançado também em 2011, "En Vivo!" retrata um show realizado em Santiago, no Chile, durante a The Final Frontier World Tour. Dessa apresentação saiu mais uma nomeação para Grammy, agora em 2013: "Blood Brothers" foi indicada para a categoria "Best Hard Rock/Metal Performance", mas não levou o prêmio.
Mesmo com o fim da turnê do mais recente álbum, o conjunto não desistiu de continuar excursionando. Agora sem pretensões de divulgar novos trabalhos, resolveram, em 2012, dar início a uma "nova" turnê valorizando o glorioso passado, assim como ocorreu com a Somewhere Back In Time World Tour. Só que, dessa vez, o foco é a Maiden England World Tour, turnê de 1988 em divulgação do esplendoroso "Seventh Son of A Seventh Son". Os shows transcorreram os anos de 2012, 2013 e 2014. Como sempre, passaram por diversos países e se apresentaram nos maiores festivais, como o Donington Park, além do Rock In Rio. A volta ao festival brasileiro 12 anos após aquele que gerou o tão aclamado DVD foi gloriosa. Encerraram o festival com chave de ouro no dia 22 de setembro de 2014, em uma noite que também contou com SlayerAvenged Sevenfold, Helloween, SepulturaKrisiun e Destruction, entre outros, e eu tive o enorme prazer de estar lá. Foi memorável!
Em 2013, um álbum ao vivo brotou em comemoração à turnê, intitulado "Maiden England '88", lançado nos formatos de CD, DVD e LP.
Desde aquele ano, os fãs começaram a viver a expectativa do lançamento do décimo sexto álbum da banda após Bruce Dickinson revelar planos de gravação e lançamento para 2015. Tudo se confirmou definitivamente quando no dia de Natal de 2014, um cartão comemorativo da data foi publicado no site oficial, prometendo presentes para o ano que viria na sequência. Contudo, ainda no primeiro semestre de 2015 foi dada a notícia de que o vocalista teria sido diagnosticado com câncer no fundo da língua. O problema foi descoberto ainda cedo e o músico passou por cirurgia e quimioterapia. Segundo os médicos, tudo estava sob controle e ele ficaria bem. Mesmo assim, esse infeliz problema acabou por atrasar um pouco os planos de lançamento do novo álbum, bem como o início de nova turnê.
Passados vários meses, chegamos a setembro de 2015, momento em que mais um aguardadíssimo lançamento era apresentado pelo Iron Maiden. Com uma capa extremamente simplória e um nome digno de um disco de Power Metal, "The Book of Souls" recebeu expectativas mistas entre felicidade pela banda estar de álbum novo e receio do trabalho não agradar nos tempos que precediam sua chegada. Outro fator de desconfiança era o fato do álbum ser duplo e totalizar incríveis uma hora e 32 minutos, algo inédito até então. Eu mesmo, após a decepção com o "The Final Frontier", fiquei bastante receoso. Mas, no fim das contas... não havia com o que se preocupar!
É bem verdade que "The Book of Souls" não é exatamente um álbum para ouvintes iniciantes da banda. Nesse caso, é melhor começar pelos clássicos. Ele conta com diversos pontos positivos e diversos pontos negativos mas que, ainda assim, o segundo caso não ofusca definitivamente a supremacia do primeiro. Infelizmente, Kevin Shirley deixa a desejar novamente na produção devido à sua pressa e falta de perfeccionismo. As camadas mais básicas de guitarra e voz ficaram leves e um tanto confusas, dando aquela velha sensação de abafamento que prejudica a experiência do ouvinte. Para piorar, todo o decorrer do disco demonstra intensa homogeneidade, fazendo necessário mais de uma audição para que a beleza dos detalhes seja melhor percebida e assimilada. Muitos podem ouvir superficialmente e dizer que a banda não tem mais lenha pra queimar e que insiste na já manjada e cansativa fórmula que vêm seguindo. Não obstante, sabe qual é o melhor de tudo? É que esse álbum é bom pra cacete apesar disso.
Não há dúvidas de que estão certos aqueles que dizem que se trata de um Iron Maiden na pegada moderna e progressiva que vinha sendo executada especialmente desde "Brave New World". Porém, a banda se mostra inspirada especialmente nos matadores solos, e vários elementos extras e excêntricos em relação à sua história jazem nos detalhes de cada música, bem como referências ao passado, tornando esse trabalho muito apreciável pra quem é fã. Um clima maia e tribal marca as passagens mais ambientais, especialmente na faixa de abertura "If Eternity Should Fail", composta unicamente por Bruce Dickinson. Até mesmo narração com uma "monstrenga" voz distorcida é introduzida ao fim da faixa. Percussões tribais, ambientações, certa pegada Hard Rock e lúcida progressividade nas canções são algumas excelentes e bem-vindas adições à musicalidade.
Alguns chegam a considerá-lo um trabalho na veia das antigas, mas na real, ele é um registro moderno com algumas referências antigas, a citar um trecho da faixa-título que faz referência a "Losfer Words (Big 'Orra)", ou a introdução de "Shadow of The Valley" que muito lembra a de "Wasted Years" e até mesmo o rasgado grito introdutório de Bruce ao início da single "Speed of Light", remontando à época entre "Seventh Son of A Seventh Son" e "Fear of The Dark", entre vários outros momentos flashback.
De um modo geral, o trabalho ficou excelente, apesar de certa inconstância em seu decorrer. Faltou capricho na composição das linhas vocais, é verdade, o que vai na contra-mão do grandioso trabalho com os solos de guitarra. Muitas faixas repetem o refrão mais do que necessário, algo que tem se tornado comum desde os tempos de Blaze Bayley. Isso provavelmente tem fundamento no fato de que mesmo levando cinco longos anos para lançarem um novo álbum, a banda não entrou em estúdio exatamente preparada e muita coisa aconteceu ali naquele momento. Inclusive, o disco foi gravado ao vivo no estúdio.
Todavia, mesmo com tantos contras, incrivelmente a audição completa dos dois discos não é cansativa. Flui prazerosamente bem e tem como recompensa a épica faixa de encerramento "Empire of The Clouds", de maravilhosos 18 minutos de duração. É mais uma de autoria unicamente de Bruce Dickinson. Abusando de piano, orquestrações e poética letra abordando a trágica história do majestoso dirigível britânico R-101, que caiu na França, essa é uma daquelas emocionantes músicas onde cada detalhe é pensado de modo que o instrumental esteja intimamente atrelado à letra. Até mesmo um código morse de S.O.S. é tocado pelos instrumentos no momento em que o dirigível está em queda. A faixa é o ponto alto do álbum e é, sem sombra de dúvidas, uma das maiores jóias já lançadas na história da banda, provando que eles ainda têm coisas geniais para oferecer.
Não restam dúvidas nem mesmo para quem não curte o trabalho da banda: são verdadeiros colossos do Heavy Metal mundial. São lendas vivas que são referência, fazem moda, despertam inspiração e curiosidade em uma infinidade de pessoas e bandas, têm diversas bandas-tributo oficiais como a The Best Maiden Tribute aqui no Brasil (antiga Children of The Beast, que inclusive se apresentou no Covernation na MTV) e The Iron Maidens, composta apenas por garotas. Em qualquer festival o que mais se encontra são camisas do Iron Maiden, fora que nenhuma outra banda tem um grito de guerra tão conhecido quanto o "Maiden! Maiden! Maiden! Maiden!" e o "Up the irons!". São gigantes!
O universo da banda não se resume à música, pois, como toda banda, também é uma marca registrada. Mas no caso deles, são também uma grande empresa em expansão cada vez mais acelerada. Segundo o jornal britânico The Guardian, o Iron Maiden é uma das empresas que mais cresceram no Reino Unido em 2013, e o passo se manteve. Apostaram também na indústria cervejeira, expandindo seus negócios. A cerveja "Trooper" é muito elogiada por quem tem a oportunidade de apreciá-la.
Iron Maiden é um nome forte, de uma banda forte e uma empresa forte, que vive, respira, inova e inspira. Seu estilo musical é tão único que até hoje, mesmo sendo referência, dificilmente uma banda consegue reproduzir algo parecido. É muito o estilo desses pioneiros do New Wave of British Heavy Metal, que sempre se destacaram exatamente por não se parecerem com nada. E nada se parece com Iron Maiden. Tem que respeitar. "Maiden rules, up the Irons!"

Texto por: Walker Marques.


 The Soundhouse Tapes (Demo) (1979)

01 - Iron Maiden
02 - Invasion
03 - Prowler

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 Iron Maiden (1980)

01 - Prowler
02 - Remember Tomorrow
03 - Running Free
04 - Phantom of The Opera
05 - Transylvania
06 - Strange World
07 - Sanctuary
08 - Charlotte The Harlot
09 - Iron Maiden

Bonus CD:
01 - Burning Ambition
02 - Drifter (Live)
03 - I've Got The Fire (Montrose Cover) (Live)

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 Live!! + One (EP) (1980)

01 - Sanctuary (Live)
02 - Phantom of The Opera (Live)
03 - Drifter (Live)
04 - Women In Uniform (Skyhooks Cover)

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 Killers (1981)

01 - The Ides of March
02 - Wrathchild
03 - Murders In The Rue Morgue
04 - Another Life
05 - Genghis Khan
06 - Innocent Exile
07 - Killers
08 - Twilight Zone
09 - Prodigal Son
10 - Purgatory
11 - Drifter

Bonus CD:
01 - Women In Uniform (Skyhooks Cover)
02 - Invasion
03 - Phantom of The Opera (Live)
04 - Running Free (Live)
05 - Remember Tomorrow (Live)
06 - Wrathchild (Live)
07 - Killers (Live)
08 - Innocent Exile (Live)

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 Maiden Japan (Live EP) (1981)

01 - Wrathchild
02 - Purgatory
03 - Sanctuary
04 - Remember Tomorrow
05 - Another Life (Incl. Drum Solo)
06 - Genghis Khan
07 - Killers
08 - Innocent Exile
09 - Twilight Zone
10 - Strange World
11 - Murders In The Rue Morgue
12 - Phantom of The Opera
13 - Iron Maiden
14 - Running Free
15 - Transylvania (Incl. Guitar Solo)
16 - Drifter
17 - I've Got The Fire (Montrose Cover)

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 The Number of The Beast (1982)

01 - Invaders
02 - Children of The Damned
03 - The Prisoner
04 - 22 Acacia Avenue
05 - The Number of The Beast
06 - Run To The Hills
07 - Gangland
08 - Hallowed Be Thy Name

Bonus CD:
01 - Total Eclipse
02 - Remember Tomorrow (Live)

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 Piece of Mind (1983)

01 - Where Eagles Dare
02 - Revelations
03 - Flight of The Icarus
04 - Die With Your Boots On
05 - The Trooper
06 - Still Life
07 - Quest For Fire
08 - Sun and Steel
09 - To Tame A Land

Bonus CD:
01 - I've Got The Fire (Montrose Cover)
02 - Cross Eyed Mary (Jethro Tull Cover)

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 Powerslave (1984)

01 - Aces High
02 - 2 Minutes To Midnight
03 - Losfer Words (Big 'Orra)
04 - Flash of The Blade
05 - The Duellists
06 - Back In The Village
07 - Powerslave
08 - Rime of The Ancient Mariner

Bonus CD:
01 - Rainbow's Gold (Beckett Cover)
02 - Mission From Harry
03 - King of Twilight (Nektar Cover)
04 - The Number of The Beast (Live)

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 Live After Death (Live) (1985)

CD 1:
01 - Intro: Churchill's Speech
02 - Aces High
03 - 2 Minutes To Midnight
04 - The Trooper
05 - Revelations
06 - Fligh of Icarus
07 - Rime of The Ancient Mariner
08 - Powerslave
09 - The Number of The Beast
10 - Hallowed Be Thy Name
11 - Iron Maiden
12 - Run To The Hills
13 - Running Free

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CD 2:
01 - Wrathchild
02 - 22 Acacia Avenue
03 - Children of The Damned
04 - Die With Your Boots On
05 - Phantom of The Opera

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 Somewhere In Time (1986)

01 - Caught Somewhere In Time
02 - Wasted Years
03 - Sea of Madness
04 - Heaven Can Wait
05 - The Loneliness of The Long Distance Runner
06 - Stranger In A Strange Land
07 - Deja-Vu
08 - Alexander The Great

Bonus CD:
01 - Reach Out (The Entire Population of Hackney Cover)
02 - Sheriff of Huddersfield (Marshall Fury Cover)
03 - That Girl (FM Cover)
04 - Juanita

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 Seventh Son of A Seventh Son (1988)

01 - Moonchild
02 - Infinite Dreams
03 - Can I Play With Madness?
04 - The Evil That Men Do
05 - Seventh Son of A Seventh Son
06 - The Prophecy
07 - The Clairvoyant
08 - Only The Good Die Young

Bonus CD:
01 - Black Bart Blues
02 - Massacre (Thin Lizzy Cover)
03 - Prowler '88
04 - Charlotte The Harlot '88
05 - The Clairvoyant (Live)
06 - The Prisoner (Live)
07 - Infinite Dreams (Live)
08 - Killers (Live)
09 - Still Life (Live)

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 Maiden England (Live) (1989)

01 - Moonchild
02 - The Evil That Men Do
03 - Prisoner
04 - Still Life
05 - Die With Your Boots On
06 - Infinite Dreams
07 - Killers
08 - Heaven Can Wait
09 - Wasted Years
10 - The Clairvoyant
11 - Seventh Son of A Seventh Son
12 - The Number of The Beast
13 - Iron Maiden

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 No Prayer For The Dying (1990)

01 - Tailgunner
02 - Holy Smoke
03 - No Prayer For The Dying
04 - Public Enema Number One
05 - Fates Warning
06 - The Assassin
07 - Run Silent Run Deep
08 - Hooks In You
09 - Bring Your Daughter... ...To The Slaughter
10 - Mother Russia

Bonus CD:
01 - All In Your Mind (Stray Cover)
02 - Kill Me Ce Soir (Golden Earring Cover)
03 - I'm A Mover (Free Cover)
04 - Communication Breakdown (Led Zeppelin Cover)

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 Fear of The Dark (1992)

01 - Be Quick Or Be Dead
02 - From Here To Eternity
03 - Afraid To Shoot Strangers
04 - Fear Is The Key
05 - Childhood's End
06 - Wasting Love
07 - The Fugitive
08 - Chains of Misery
09 - The Apparition
10 - Judas Be My Guide
11 - Weekend Warrior
12 - Fear of The Dark

Bonus CD:
01 - Nodding Donkey Blues
02 - Space Station No. 5 (Montrose Cover)
03 - Roll Over Vic Vella (aka Roll Over Beethoven) (Chuck Berry Cover)
04 - I Can't See My Feelings (Budgie Cover)
05 - No Prayer For The Dying (Live)
06 - Public Enema Number One (Live)
07 - Hooks In You (Live)

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 Live At Donington (Live) (1992)

CD 1:
01 - Be Quick Or Be Dead
02 - The Number of The Beast
03 - Wrathchild
04 - From Here To Eternity
05 - Can I Play With Madness?
06 - Wasting Love
07 - Tailgunner
08 - The Evil That Men Do
09 - Afraid To Shoot Strangers
10 - Fear of The Dark

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CD 2:
01 - Bring Your Daughter... ...To The Slaughter
02 - The Clairvoyant
03 - Heaven Can Wait
04 - Run To The Hills
05 - 2 Minutes To Midnight
06 - Iron Maiden
07 - Hallowed Be Thy Name
08 - The Trooper
09 - Sanctuary
10 - Running Free

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 A Real Live One (Live) (1993)

01 - Be Quick Or Be Dead
02 - From Here To Eternity
03 - Can I Play With Madness?
04 - Wasting Love
05 - Tailgunner
06 - The Evil That Men Do
07 - Afraid To Shoot Strangers
08 - Bring Your Daughter... ...To The Slaughter
09 - Heaven Can Wait
10 - The Clairvoyant
11 - Fear of The Dark

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 A Real Dead One (Live) (1993)

01 - The Number of The Beast
02 - The Trooper
03 - Prowler
04 - Transylvania
05 - Remember Tomorrow
06 - Where Eagles Dare
07 - Sanctuary
08 - Running Free
09 - Run To The Hills
10 - 2 Minutes To Midnight
11 - Iron Maiden
12 - Hallowed Be Thy Name

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 The X Factor (1995)

01 - Sing of The Cross
02 - Lord of The Flies
03 - Man On The Edge
04 - Fortunes of War
05 - Look For The Truth
06 - The Aftermath
07 - Judgement of Heaven
08 - Blood On The World's Hands
09 - The Edge of Darkness
10 - 2 A.M.
11 - The Unbeliever
12 - Justice of The Peace (Bonus Track)
13 - I Live My Way (Bonus Track)
14 - Judgement Day (Bonus Track)

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 Best of The Beast (Compilation) (1996)

CD 1:
01 - Virus
02 - Sign of The Cross
03 - Man On The Edge
04 - Afraid To Shoot Strangers (Live)
05 - Be Quick Or Be Dead
06 - Fear of The Dark (Live)
07 - Bring Your Daughter... ...To The Slaughter
08 - Holy Smoke
09 - The Clairvoyant
10 - Can I Play With Madness?
11 - The Evil That Men Do
12 - Heaven Can Wait
13 - Wasted Years

CD 2:
01 - Rime of The Ancient Mariner (Live)
02 - Running Free (Live)
03 - 2 Minutes To Midnight
04 - Aces High
05 - Where Eagles Dare
06 - The Trooper
07 - The Number Of The Beast
08 - Run To The Hills
09 - Hallowed Be Thy Name
10 - Wrathchild
11 - Phantom of The Opera
12 - Sanctuary
13 - Strange World
14 - Iron Maiden

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 Virtual XI (1998)

01 - Futureal
02 - The Angel and The Gambler
03 - Lightning Strikes Twice
04 - The Clansman
05 - When Two Worlds Collide
06 - The Educated Fool
07 - Don't Look To The Eyes of A Stranger
08 - Como Estais Amigos?
09 - Blood On The World's Hands (Live In Gothenburg, Sweden) (Bonus Track)
10 - The Aftermath (Live In Gothenburg, Sweden) (Bonus Track)

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 Ed Hunter (Compilation) (1999)

CD 1:
01 - Iron Maiden (Live)
02 - The Trooper
03 - Number of The Beast
04 - Wrathchild
05 - Futureal
06 - Fear of The Dark
07 - Be Quick Or Be Dead
08 - 2 Minutes To Midnight
09 - Man On The Edge
10 - Aces High
11 - The Evil That Man Do
12 - Wasted Years
13 - Powerslave
14 - Hallowed Be Thy Name

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CD 2:
01 - Run To The Hills
02 - The Clansman
03 - Phantom of The Opera
04 - Killers
05 - Stranger In A Strange Land
06 - Tailgunner

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 Brave New World (2000)

01 - The Wicker Man
02 - Ghost of The Navigator
03 - Brave New World
04 - Blood Brothers
05 - The Mercenary
06 - Dream of Mirrors
07 - The Fallen Angel
08 - The Nomad
09 - Out of The Silent Planet
10 - The Thin Line Between Love and Hate

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 17 Numbers By The Beast (Compilation) (2002)

01 - Iron Maiden
02 - Phantom of The Opera
03 - Wrathchild
04 - Run To The Hills
05 - The Trooper
06 - 2 Minutes To Midnight
07 - Flight of Icarus (Live In Long Beach, United States)
08 - Wasted Years
09 - The Evil That Men Do
10 - Tailgunner
11 - Be Quick Or Be Dead
12 - Fear of The Dark (Live In Castle Donington)
13 - Afraid To Shoot Strangers (Live In Gothenburg, Sweden)
14 - Man On The Edge
15 - Futureal
16 - The Wicker Man
17 - The Number of The Beast (Live At Rock In Rio)

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 Rock In Rio (Live) (2002)

CD 1:
01 - Intro
02 - The Wicker Man
03 - Ghost of The Navigator
04 - Brave New World
05 - Wrathchild
06 - 2 Minutes To Midnight
07 - Blood Brothers
08 - Sign of The Cross
09 - The Mercenary
10 - The Trooper

CD 2:
01 - Dream of Mirrors
02 - The Clansman
03 - The Evil That Men Do
04 - Fear of The Dark
05 - Iron Maiden
06 - The Number of The Beast
07 - Hallowed Be Thy Name
08 - Sanctuary
09 - Run To The Hills

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 Eddie's Archive Box (3 CDs Compilation) (2002):
 CD 1: Live Over Hammersmith (Live)

CD 1:
01 - Murders In The Rue Morgue
02 - Wratchild
03 - Run To The Hills
04 - Children of The Damned
05 - The Number of The Beast
06 - Another Life
07 - Killers
08 - 22 Acacia Avenue
09 - Total Eclipse

CD 2:
01 - Transylvania
02 - The Prisoner
03 - Hallowed Be Thy Name
04 - Phantom of The Opera
05 - Iron Maiden
06 - Sanctuary
07 - Drifter
08 - Running Free
09 - Prowler

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 CD 2: Best of B-Sides (Compilation)

CD 1:
01 - Burning Ambition
02 - Drifter (Live)
03 - Invasion
04 - Remember Tomorrow (Live)
05 - I've Got The Fire
06 - Cross-Eyed Mary
07 - A Rainbow's Gold
08 - King of Twilight
09 - Reach Out
10 - That Girl
11 - Juanita
12 - Sheriff of Huddersfield
13 - Black Bart Blues
14 - Prowler '88
15 - Charlotte The Harlot '88

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CD 2:
01 - All In Your Mind
02 - Kill Me Ce Soir
03 - I'm A Mover
04 - Communication Breackdown
05 - Noding Donkey Blues
06 - Space Station n°5
07 - I Can't See My Fellings
08 - Roll Ove Vic Vella
09 - Justice of The Peace
10 - Judment Day
11 - My Generation
12 - Doctor, Doctor
13 - Blood On The World's Hands
14 - The Afetrmath (Live)
15 - Futureal (Live)
16 - Wasted Years '99 (Live)

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 CD 3: BBC Archives (Compilation)

CD 1: Friday Rock Show Session (1979):
01 - Iron Maiden
02 - Running Free
03 - Transylvania
04 - Sanctuary

CD 2: Reading Festival (1980):
01 - Prowler
02 - Remember Tomorrow
03 - Killers
04 - Running Free
05 - Transylvania
06 - Iron Maiden

CD 3: Reading Festival (1982):
01 - Wrathchild
02 - Run To The Hills
03 - Children of The Damned
04 - The Number of The Beast
05 - 22 Acacia Avenue
06 - Transylvania
07 - The Prisoner
08 - Hallowed Be Thy Name
09 - Phantom of The Opera
10 - Iron Maiden

CD 04: Monsters of Rock Festival Donington (1988):
01 - Moonchild
02 - Wrathchild
03 - Infinite Dreams
04 - The Trooper
05 - Seventh Son of A Seventh Son
06 - The Number of The Beast
07 - Hallowed Be Thy Name
08 - Iron Maiden

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 Edward The Great (Compilation) (2003)

01 - Run To The Hills
02 - The Number of The Beast
03 - Flight of Icarus
04 - The Trooper
05 - 2 Minutes To Midnight
06 - Wasted Years
07 - Can I Play With Madness?
08 - The Evil That Men Do
10 - Infinte Dreams
11 - Holy Smoke
12 - Bring Your Daughter To The Slaughter
13 - Man On The Edge
14 - Futureal
15 - The Wicker Man
16 - Fear of The Dark (Live At Rock In Rio)

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 Dance of Death (2003)

01 - Wildest Dreams
02 - Rainmaker
03 - No More Lies
04 - Montsegur
05 - Dance of Death
06 - Gates of Tomorrow
07 - New Frontier
08 - Paschendale
09 - Face In The Sand
10 - Age of Innocence
11 - Journeyman

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 No More Lies (EP) (2004)

01 - No More Lies
02 - Paschendale (Orchestral Version)
03 - Journeyman (Electric Version)
04 - No More Lies (Video-clip)

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 The Essential Iron Maiden (Compilation) (2005)

CD 1:
01 - Paschendale
02 - Rainmaker
03 - The Wicker Man
04 - Brave New World
05 - Futureal
06 - The Clansman
07 - Sing of The Cross
08 - Man On The Edge
09 - Be Quick Or Be Dead
10 - Fear of The Dark
11 - Holy Smoke
12 - Bring Your Daughter... To The Slaughter
13 - The Clairvoyant

CD 2:
01 - The Evil That Men Do
02 - Wasted Years
03 - Heaven Can Wait
04 - 2 Minutes To Midnight
05 - Aces High
06 - Flight of Icarus
07 - The Trooper
08 - The Number of The Beast
09 - Run To The Hills
10 - Wrathchild
11 - Killers
12 - Phantom of The Opera
13 - Running Free (Live)
14 - Iron Maiden (Live)

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 Death On The Road (Live) (2005)

CD 1:
01 - Wildest Dreams
02 - Wrathchild
03 - Can I Play With Madness?
04 - The Trooper
05 - Dance of Death
06 - Rainmaker
07 - Brave New World
08 - Paschendale
09 - Lord of The Flies

CD 2:
01 - No More Lies
02 - Hallowed Be Thy Name
03 - Fear of The Dark
04 - Iron Maiden
05 - Journeyman
06 - Number of The Beast
07 - Run To The Hills

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 A Matter of Life and Death (2006)

01 - Different World
02 - These Colours Don't Run
03 - Brighter Than A Thousand Suns
04 - The Pilgrim
05 - The Longest Day
06 - Out of The Shadows
07 - The Reincarnation of Benjamin Breeg
08 - For The Greater Good of God
09 - Lord of Light
10 - The Legacy

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 Different Wold (EP) (2007)

01 - Different World
02 - The Reincarnation of Benjamin Breeg (Live 2006)
03 - Hocus Pocus

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 Somewhere Back In Time (Compilation) (2008)

01 - Churchill's Speech
02 - Aces High (Live)
03 - 2 Minutes To Midnight
04 - The Trooper
05 - Wasted Years
06 - Children of The Damned
07 - The Number of The Beast
08 - Run To The Hills
09 - Phantom of The Opera (Live)
10 - The Evil That Men Do
11 - Wrathchild (Live)
12 - Can I Play With Madness?
13 - Powerslave
14 - Hallowed Be Thy Name
15 - Iron Maiden (Live)

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 Unreleased Tracks (Compilation) (2009)

01 - Justice of The Peace
02 - I Live My Way
03 - Judgment Day
04 - My Generation
05 - Doctor Doctor
06 - Iron Maiden
07 - Invasion
08 - Prowler
09 - Twilight Zone
10 - Wratchild
11 - Killers
12 - Sanctuary
13 - Wratchild
14 - Sanctuary
15 - Lone Wolf
16 - It’s Not Easy At It Seems
17 - I Wish I Was The Saddle of A School Girls Bike
18 - Live In a Fuckin Time Warp
19 - Lucky To Lose
20 - Another Rock ‘N’ Roll Christmas

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 Flight 666 (The Original Soundtrack) (Live) (2009)

CD 1:
01 - Churchill's Speech (Live In Mumbai 01-02-08)
02 - Aces High (Live In Mumbai 01-02-08)
03 - 2 Minutes To Midnight (Live In Melbourne 07-02-08)
04 - Revelations (Live In Sydney 09-02-08)
05 - The Trooper (Live In Tokyo 16-02-08)
06 - Wasted Years (Live In Monterrey 22-02-08)
07 - The Number of The Beast (Live In Los Angeles 19-02-08)
08 - Can I Play With Madness (Live In Mexico City 24-02-08)
09 - Rime of The Ancient Mariner (Live In New Jersey 14-03-08)

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CD 2:
01 - Powerslave (Live In San Jose 26-02-08)
02 - Heaven Can Wait (Live In Sao Paulo 02-03-08)
03 - Run To The Hills (Live In Bogota 28-02-08)
04 - Fear of The Dark (Live In Buenos Aires 07-03-08)
05 - Iron Maiden (Live In Santiago 09-03-08)
06 - Moonchild (Live In San Juan 12-03-08)
07 - The Clairvoyant (Live In Curitiba 04-03-08)
08 - Hallowed Be Thy Name (Live In Toronto 16-03-08)

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 El Dorado (Single) (2010)

01 - El Dorado

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 The Final Frontier (2010)

01 - Satellite 15...The Final Frontier
02 - El Dorado
03 - Mother of Mercy
04 - Coming Home
05 - The Alchemist
06 - Isle of Avalon
07 - Starblind
08 - The Talisman
09 - The Man Who Would Be King
10 - When The Wild Wind Blows

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 From Fear To Eternity: The Best of 1990-2010 (Compilation) (2011)

CD 1:
01 - The Wicker Man
02 - Holy Smoke
03 - El Dorado
04 - Paschendale
05 - Different World
06 - Man On The Edge (live)
07 - The Reicarnation of Benjamin Breeg
08 - Blood Brothers
09 - Rainmaker
10 - Sign of The Cross (Live)
11 - Brave New World
12 - Fear of The Dark (Live)

CD 2:
01 - Be Quick Or Be Dead
02 - Tailgunner
03 - No More Lies
04 - Coming Home
05 - The Clansman (Live)
06 - For The Greater Good of God
07 - These Colours Don’t Run
08 - Bring Your Daughter… ...To The Slaughter
09 - Afraid To Shoot Strangers
10 - Dance of Death
11 - When The Wild Wind Blows

Download (Os dois discos em um único link)

 En Vivo! (Live) (2011)

CD 1:
01 - Satellite 15...
02 - The Final Frontier
03 - El Dorado
04 - 2 Minutes To Midnight
05 - The Talisman
06 - Coming Home
07 - Dance of Death
08 - The Trooper
09 - The Wicker Man

CD 2:
01 - Blood Brothers
02 - When The Wild Wind Blows
03 - The Evil That Men Do
04 - Fear of The Dark
05 - Iron Maiden
06 - The Number of The Beast
07 - Hallowed Be Thy Name
08 - Running Free

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 Maiden England '88 (Live) (2013)

CD 1:
01 - Moonchild
02 - The Evil That Men Do
03 - The Prisoner
04 - Still Life
05 - Die With Your Boots On
06 - Infinite Dreams
07 - Killers
08 - Can I Play With Madness?
09 - Heaven Can Wait
10 - Wasted Years

CD 2:
01 - The Clairvoyant
02 - Seventh Son of A Seventh Son
03 - The Number of The Beast
04 - Hallowed Be Thy Name
05 - Iron Maiden
06 - Run To The Hills
07 - Running Free
08 - Sanctuary

Download (4shared)
Download (Ulozto)

 The Book of Souls (2015)

CD 1:
01 - If Eternity Should Fail
02 - Speed of Light
03 - The Great Unknown
04 - The Red and The Black
05 - When The River Runs Deep
06 - The Book of Souls

CD 2:
01 - Death Or Glory
02 - Shadows of The Valley
03 - Tears of A Clown
04 - The Man of Sorrows
05 - Empire of The Clouds

Download (Mega)
Download (Ulozto)
Download (Zippyshare)


TRIBUTOS OFICIAIS:


 A Tribute To The Beast (2002)

01 - Steel Prophet: The Ides of March/Purgatory
02 - Children of Bodom: Aces High
03 - Rage: The Trooper
04 - Cradle of Filth: Hallowed Be Thy Name
05 - Grave Digger: Running Free
06 - Burden of Grief: Prowler
07 - Sonata Arctica: Die With Your Boots On
08 - Therion: Children of The Damned
09 - Iced Earth: Transylvania
10 - Opeth: Remember Tomorrow
11 - Sinergy: The Number of The Beast
12 - Disbelief: Stranger In A Strange Land
13 - Tierra Santa: Flight of Icarus
14 - Dark Tranquillity: 22 Acacia Avenue
15 - Six Feet Under: Wrathchild
16 - Darkane: Powerslave

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 Scott Lavender: The Piano Tribute (2005)

01 - 2 Minutes To Midnight
02 - Wasted Years
03 - Can I Play With Madness
04 - The Trooper
05 - Brave New World
06 - Run To The Hills
07 - Caught Somewhere In Time
08 - Aces High
09 - Hallowed Be Thy Name
10 - Flight of Icarus
11 - Number of The Beast
12 - Eddies Lament Original Composition

Download Pt. I
Download Pt. II

 The Iron Maidens: World's Only Female Tribute (2005)

01 - The Number of The Beast
02 - Two Minutes To Midnight
03 - Children of The Damned
04 - The Trooper
05 - Wasted Years
06 - Killers
07 - Aces High
08 - Phantom of The Opera
09 - Run To The Hills
10 - Hallowed Be Thy Name

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23 comentários:

  1. porra!!! valeu cara, consegui completar a minha discografia do iron! sair por ai pra comprar tudo original e bunitinho com esses impostos em cima é foda meu! up the irons

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  2. Vlw man,bem foda,vlw mesmo xD
    as outras bandas tb tão foda,belo
    trabalho xD!

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  3. Putz Manow Eu tenho o Outro tributo queria saber como ajudo o Blog.
    Qualquer coisa me reposnde aew manow.-.

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  4. o site ta foda mesmo, muuuuitas discografias q o hd do pc pede arrego!!!!
    parabens pelo site, e muito mais ainda pelas posotagens!
    IRON MAIDENNNN!

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  5. Parabéns kara so faltaram alguns tributos ki tenho aki
    mais valeu c puder ajudar a incluir esses tributos me fala como!!!
    Ae o blog ta show !!!!!

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  6. Porra cara!
    Valeu, valeu mesmo, agora eu tenho todos os albuns do Iron Maiden graças ao site!
    A propósito, Iron Maiden é a melhor banda do Mundooo!
    Up The Iroons!

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  7. Se pudessem postar a coletanêa "The First Tears Ten" ficaria agradecido, e parabéns pelo site, muito bom!

    Abraços.

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  8. o cd 1 do b-sides o link não ta funcionando mais...

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  9. Maluco! Meu CD duplo rock in rio furou de tanto eu escutar, ate compraria original, mas sabe como é, viciado em MP3 tava procurando o rock in rio por todo o lado e fui achar so aqui! Esse piano tribute eu ja conhecia, mas vc mandou bem em colocar aí. Parabéns. ë bom saber que existem outros viciadoe m musica por aí... nao me sinto tao só. haha

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  10. os link do CD2 Best Of B-Sides,CD4 BBC Archives,Edward The Great,CD1 Death On The Road ñ estão pegando

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  11. O The Final Frontier ñ esta pegande, Obrigado Pela Atenção

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  12. No album fear of the dark a musica de mesmo nome está ao vivo. Deveria estar como no original.

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    Respostas
    1. Engano, está normal, a versão de estúdio.

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  13. tem como vcs postarem tbm o álbum the number from the beast ??
    se vcs postarem por favor me avisar por email . obg

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  14. Falar o que de IRON ??? a história do rock não seria a mesma sem eles. E como falava minha filha quando era pequenina '' PRONTO AFINAL'' .
    Iron será para sempre, referência e inspiração ... +1X VLW WOTM.

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  15. O Iron Maiden mostrou de uma vez por todas que é realmente uma grande banda de heavy metal, senão a maior de todas. Book of souls é sem dúvida um dos melhores trabalhos da banda. Falta adjetivos para essa banda que ao longo de sua trajetória nunca deixou os seus fãs órfãos de ótimos trabalhos. Eu esperei e pude ouvir Iron Maiden, um Maiden de verdade, como sempre foi. Era o que eu esperava. Ergam as bandeiras, levantem seus pulsos, Up the Irons forever! Obrigado a esse fantástico blog por nos disponibilizar esse belíssimo cd. Obrigado!!!

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  16. valeu por fazerem upload em um servidor que não demora uma hora pra fazer doenload memsmo com uma net banda larga. valeu mesmo. continuem postando no zippy.

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  17. Amigo, eu não tenho palavras e estou realmente emocionado por, através desse seu excelente trabalho, ter completado minha discografia do Iron Maiden, onde alguns álbuns eu não achava em lugar nenhum. MUITO OBRIGADO pelo seu tempo, sua disposição e seu trabalho.

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  18. o bruce p mim é o melhor vocalista que o maiden ja teve, só que o cara esta tão rico inventando marca de cerveja que não esta compondo mais. no momento atual o Blaze baylley gravou um cd solo Infinite Entanglement 2016 com a faixa Calling You Home QUE JÁ É UM ESTOURO E UM HINO, Agora MAIDEIROS se imagina esse hino com os integrantes do maiden. Veja o que estamos perdendo A Competencia do cara!!! volta blaze

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  19. Porra!! Melhor site de rock/metal. A qualidade dos álbuns disponíveis são ótimas e todos com a capa do álbum em hd!hail wotm \m/ vlw!!

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