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sábado, 3 de maio de 2008

Angra - Discografia Comentada

Eu não sou nenhum idoso... Não estou na terceira idade. Bem longe disso! Mesmo assim, ainda peguei uma época em que era inacreditável uma banda brasileira de Heavy Metal alcançar "padrões gringos", seja na qualidade da produção, na perícia ao tocar os instrumentos ou na criatividade das composições. O Sepultura era considerado exceção à regra, quase alienígena. Mas, felizmente, eles não foram os únicos brasileiros a se agigantarem. Pouco depois do "boom" do Sepultura, surgiu uma banda que embarcava na onda melódica que engolia o mundo através de bandas como Helloween e Gamma Ray, e se tornaria uma das bandas mais relevantes da história: o Angra.
Definir a sonoridade dos brasileiros em um único rótulo para englobar todos os trabalhos da discografia é quase impossível. É Metal Melódico, de fato, mas uma das grandes marcas da banda é a diversidade sonora de disco para disco, uma vez que cada álbum consegue a proeza de ser iluminado por uma identidade única e inconfundível, sem que, apesar das diferenças, a essência Angra se dissipe. Muitas vezes essa definição de uma banda não perder suas raízes e manter a identidade é errônea ou exageradamente atribuída a diversos conjuntos, mas com esses rapazes, é literal e preciso. Os caras têm um perfil muito forte e, apesar dos altos e baixos ao longo da carreira (tanto no âmbito empresarial quanto na relação entre os integrantes ou na criatividade), pode-se dizer que praticamente todos os álbuns foram bem-sucedidos e têm uma grande qualidade musical que justifica toda a reverência e importância.
Esses caras foram uma das primeiras bandas que ouvi na minha vida e marcam o início da expansão do meu gosto musical. Meu primeiro contato foi com o EP "Hunters and Prey", pois um amigo tinha uma cópia física e ouvia direto... Certa vez estive com ele enquanto ouvia e gostei logo de cara. Foi então que corri atrás de mais álbuns e descobri até que já conhecia algumas músicas, pois minha mãe vez ou outra ouvia alguma canção gravada pelo Andre Matos e eu, em minha ignorância, jurava que se tratava de uma mulher cantando. Até zoava o vocal com os famosos "gritinhos"! Mas o mundo dá voltas, não é? Acabei me tornando um grande fã do vocalista pouco depois.
Assim como a maioria dos ouvintes que começaram a curtir Metal numa época em que não existia internet como a conhecemos hoje, eu também dei meu pontapé inicial com as bandas mais clássicas e famosas, geralmente voltadas para o Heavy Metal ou Thrash Metal, pois eram as que se tinha acesso. No entanto, o Angra já marca minha introdução no Metal melódico de fato, tornando-se grande responsável pela moldagem do meu gosto, já que fiquei verdadeiramente apaixonado, viciado, e, como muita gente, não conseguia acreditar que uma banda brasileira seria capaz de ser tão foda! Somente um tempo depois do Angra e com o auxílio de uma internet de lacrimejar os olhos, música por música, através de antigos programas como eMule, Kazaa Lite e LimeWire (quem lembra??), eu e alguns amigos descobrimos mais bandas do gênero (KamelotRhapsody of Fire...). Foi aí então que se deu o início de uma verdadeira renascença no meu conhecimento metálico.
"Nem parece que é brasileira...". Quem nunca disse isso? Se você não, é porque é novinho! O Angra é brasileiríssimo e foi concebido na capital paulista (não em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, como alguns são levados a pensar!) no ano de 1991, por iniciativa do guitarrista Rafael Bittencourt. O músico voltava dos Estados Unidos, onde morava, e trazia consigo um grande interesse em montar um supergrupo contendo músicos alunos da Faculdade Santa Marcelina, aproveitando composições que já vinha escrevendo há anos. O vocalista e tecladista Andre Matos, que cursava composição e regência e não mais fazia parte do Viper havia um ano, foi o primeiro convidado. Ao aceitar o convite, o Angra estava formado e a proposta de unificar Heavy Metal a ritmos étnicos brasileiros e Música Erudita foi estabelecida. "Angra" foi o nome escolhido por se tratar de uma palavra brasileira que também faz referência à "Deusa do Fogo", além de se aproximar da palavra inglesa "angry", que significa "raivoso". Daí então, só restava completar a formação. O guitarrista André Linhares foi o primeiro convocado, seguido pelo baixista Luis Mariutti e pelo baterista Marco Antunes, fechando o line-up.
André Linhares não ficou muito tempo. Saiu em 1992 e foi substituído por André Hernandes, também conhecido como Zazá. Este também permaneceu apenas um ano na casa, mas contribuiu em algumas composições, como na da canção "Carry On". Ao deixar seu posto em 1993, cedeu vaga para Kiko Loureiro, que permaneceu no cargo.
De formação fixa, gravaram a primeira fita cassete demo no início de 1993, intitulada "Reaching Horizons". Para um fã atual, essa demonstração provavelmente é muito mais interessante do que já era na época. Não apenas pela fita ter duração suficiente para quase ser considerada álbum (36 minutos), mas também por conter as primeiras versões de músicas que viriam a integrar o disco de estreia, porém, com o diferencial de quase todas as letras serem diferentes e muitos arranjos terem sido incluídos ou excluídos nas versões finais. É muito interessante contemplar como a banda refinou e retrabalhou canções como "Carry On", "Angels Cry", "Time", "Evil Warning", entre outras. Inclusive "Angels Cry" dota de percussões étnicas brasileiras que seriam interessantes continuarem altas e claras na versão final caso não tivessem se mostrado tão deslocadas na demo. Mesmo sendo um trabalho modesto e independente, a qualidade da gravação é muito boa e a experiência ao ouvi-lo é muito bacana.
Posteriormente, em 1997, o trampo seria relançado extra-oficialmente com duas faixas bônus: "Don't Despair", que nunca foi lançada oficialmente, e "Wuthering Heights", cover da cantora Kate Bush que integraria o debut, mas, na demo, a canção apresentava uma postura mais pesada e acelerada.
Depois do lançamento, um contrato com a JVC Records foi assinado e o quinteto viajou até a Alemanha para a gravação do primeiro álbum de estúdio. Ainda antes das sessões começarem, o baterista Marco Antunes deixou o conjunto. Por isso o disco foi gravado com o baterista de sessão alemão Alex Holzwarth, na época integrante da banda Sieges Even, mas atualmente é melhor conhecido por ocupar o mesmo posto na banda italiana Rhapsody of Fire.
Com isso, em outubro de 1993 saiu o aclamado, clássico e icônico álbum de estreia "Angels Cry", produzido por Sascha Paeth e lançado via Rising Sun Productions. A banda lançaria posteriormente álbuns extremamente bem trabalhados considerados por muitos os melhores, principalmente na década de 2000, como "Temple of Shadows", mas "Angels Cry", por diversos motivos - principalmente emocionais -, é o meu preferido. A atmosfera é especial demais. Trata-se de um disco de Heavy Metal melódico que recebe generosas doses de elementos Neoclássicos, manifestados através de teclados primordiais para a manutenção do charme e beleza da sonoridade. Tudo isso é ainda perfeitamente alicerçado com alguns ritmos tradicionais brasileiros alocados em meio ao instrumental, sobrepostos por um vocalista agudo e diferenciado, capaz de alcançar notas que geralmente apenas intérpretes femininos alcançam. Recheado de clássicos, o trabalho é criativo e heterogêneo, com direito a arranjos sofisticados, solos técnicos ou emocionais dependendo da faixa, exploração de violões, canto lírico, entre outras características! Os arranjos neoclássicos são calcados na Música Erudita, e até mesmo um tributo às Quatro Estações de Vivaldi é executado em "Evil Warning", trazendo à tona tal direcionamento. Certamente, "Angels Cry" foi um disco à frente de sua época.
Outros grandes membros de sessão também deixaram suas marcas no álbum. Apenas na faixa "Never Understand", três deles aparecem dividindo os solos de guitarra: Sascha Paeth (Avantasia); Dirk Schlächter (Gamma Ray) e Kai Hansen (Gamma Ray e Unisonic, ex-Helloween). Em adicional, o baterista Thomas Nack (Iron Savior) gravou a faixa "Wuthering Heights".
"Angels Cry" foi muito bem recebido pelo público e mídia, desembocando numa grande explosão do nome da banda no exterior, principalmente no Japão, país onde chegou ao terceiro lugar nos charts internacionais após vender 106 mil cópias e receber certificado de disco de ouro. Como se não fosse o bastante, o álbum ainda conquistou diversos títulos como "Melhor Álbum", "Melhor Vocalista", "Melhor Capa", "Melhor Banda Nova", "Melhor Tecladista", "Melhor Música" (com "Carry On"), entre outras, pela revista Rock Brigade.
A positiva onda de sucesso teve sequência em 1994, ano em que o álbum foi lançado na Europa - por isso a data de lançamento varia de fonte para fonte - e uma extensiva turnê ocorreu. Foi nesse meio tempo que o baterista Ricardo Confessori foi efetivado e, com sua participação, saiu naquele ano o EP promocional "Evil Warning", lançado apenas no Japão pela Victor Entertainment, com tiragem limitada em 13 mil cópias com uma camisa inclusa. Aquele ano ainda ficou marcado pela abertura de um show do AC/DC no Brasil e convite para participar da primeira edição do Monsters of Rock no país, dividindo os palcos com bandas como KissBlack Sabbath e Slayer frente a um público de 50 mil pessoas. As imagens desse show compuseram o videoclipe de "Carry On".
Um dos mais interessantes registros dessa turnê foi o raríssimo EP "Live Acoustic At FNAC", que contém três faixas gravadas em um histórico show acústico no Auditorium/FNAC Forum Paris, na França. Lançado em maio de 1995 pela Rock Brigade Records, o compacto trás três faixas consigo, sendo que uma delas é "Chega de Saudade", cover de um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira: Tom Jobim.
Ao fim da turnê, os brasileiros se isolaram em um sítio em Tapiraí, interior de São Paulo, buscando purificar a cabeça e estimular a inspiração para iniciar o processo de composições do próximo trabalho, que demonstraria um Angra ainda mais diferenciado e confiante. Diferentemente de "Angels Cry", que mantinha os olhos fixos na direção da Música Erudita, agora a banda os desviava para dentro de nós mesmos como brasileiros, tomando inspiração na nossa terra e cultura; era hora de apresentar ao mundo as nossas raízes únicas e demonstrar como é possível fazer Metal com elas.
O primeiro exemplar da nova proposta veio já em 1996 através da rústica demo independente "Eyes of Christ", com suas 13 faixas e uma hora e nove minutos de duração. Grande parte delas foi aproveitada no vindouro álbum, enquanto outras foram ignoradas por ora e lançadas em posteriores EPs. Algumas canções aparecem com nome diferente, como "River To The Sky", cujo título foi alterado para "Carolina IV" no álbum e alguns trechos que originalmente eram cantados em inglês foram passados ao português. A qualidade da gravação não é muito boa, mas é muito interessante ter acesso aos primeiros protótipos das músicas finais, assim como em "Reaching Horizons".
Tão logo as canções foram finalizadas, a banda excursionou pela Alemanha e, nos intervalos entre os shows, ensaiavam. Foi naquele mesmo país que ficaram para a gravação de um dos álbuns mais orgânicos e brasileiros da história do conjunto e da música nacional, cujo nome é marcante e dá ao Brasil o carinho e respeito que todos deveríamos ter: "Holy Land". Era para a obra ter sido lançada ainda antes do que foi oficialmente, mas infelizmente as gravações tiveram de ser interrompidas e reiniciadas pois Andre Matos teve graves problemas com as cordas vocais após a turnê, obrigando-o a voltar ao Brasil para tratamento médico. No entanto, assim que os problemas foram solucionados, a gravação foi concluída e "Holy Land" saiu através da Rising Sun Productions em maio de 1996. Produzido por Charlie BauerfeindTuto Ferraz (percussão) e novamente Sascha Paeth, o disco exibe uma interessante e sugestiva capa que se assemelha a um antigo mapa de navegação da época do descobrimento, com uma rosa-dos-ventos inserida sobre o Brasil. Era a representação do centro de inspiração da banda.
Trata-se de um álbum bem diferente do antecessor. É bastante orgânico, puro, ao mesmo tempo em que é rico de letras a instrumental. Andre Matos gostaria que as guitarras fossem mais pesadas, mas acredito que se assim fosse, perderia-se um pouco dessa atmosfera que oscila lindamente de climas tribais a navais sempre com uma latente veia anciã, por mais que os teclados tenham imprescindível participação na manutenção desses sentimentos. Toda a brasilidade é manifestada ao longo da extensão do álbum reforçados pela forte incidência de teclados, percussões tradicionais, flautas, berimbaus, violas, orquestrações e linhas vocais de solo e base cujas composições deixam clara tal referência. Andre Matos foi muito bem sucedido na interpretação de uma perfeita mescla entre vocal Metal e vocal brasileiro, usufruindo de altas notas e vocais líricos. Os demais membros também se mostram afiados, com criativos arranjos e solos matadores de difícil reprodução. Daqui saíram grandes clássicos como "Nothing To Say" e "Make Believe", além do grande mistério "Z.I.T.O.", que a banda não revela o significado nem sob tortura a surra de pau mole. Provavelmente a sigla significa, em latim "Zur Incognita Terra Oceanus", o que tem bastante a ver com o álbum.
"Holy Land" foi mais um sucesso absoluto que logo alcançou disco de ouro no Japão após 100 mil cópias vendidas naquele país. Uma turnê teria início, então, começando na Terra do Sol Nascente mesmo. A extensiva excursão desembocaria no lançamento do EP ao vivo "Holy Live" em abril de 1997, contendo o registro de seis faixas gravadas durante um show em Paris, na França, no dia 15 de novembro de 1996.
Porém, ainda antes, em dezembro de 1996, o Angra lançaria mais um clássico EP, intitulado "Freedom Call". O set composto por seis músicas reaproveita nas três primeiras algumas canções de demos passadas que não entraram nos álbuns, como a faixa-título, "Queen of The Night" e "Reaching Horizons" em versões regravadas. As outras três apresentam ainda mais diversificação ao fã, começando por uma versão orquestrada de "Stand Away", seguida por um cover inédito de "Painkiller", do Judas Priest, até que o compacto é encerrado com uma versão mais curta da lindíssima "Deep Blue", oriunda de "Holy Land".
O ano de 1998 foi mais um que não passou em branco, já que mais lançamentos viriam à luz. O primeiro deles foi outro raríssimo EP chamado "Acoustic... and More", lançado na Alemanha pela Lucretia Records sob licença da Rock Brigade. As primeiras quatro faixas são versões acústicas retiradas do mesmo show em Paris que originou o EP "Live Acoustic At FNAC". Já as demais são músicas do álbum "Angels Cry" mesmo, sendo que "Wuthering Heights" está em versão editada, portanto, mais curta.
Pouco depois, em julho, é a vez do terceiro álbum "Fireworks" ser lançado via Steamhammer Records, agora com produção assinada por Chris Tsangarides e arte de capa a cargo da portuguesa Isabel de Amorim. É uma pena que esse disco seja tão esquecido pelas pessoas. Não é bombástico, daqueles que impressionam de primeira, mas é competentíssimo e sua beleza jaz nos detalhes e na assimilação do que é executado. Mesmo que não seja tão ambicioso em conceitualmente como nos dois trabalhos anteriores, "Fireworks" dota de uma sonoridade bastante sincera.
Novamente, a atmosfera é diferente daquela testemunhada em "Angels Cry" e "Holy Land". Experimentamos aqui uma banda mais pesada, mais Heavy Metal, que abusa ainda mais do virtuosismo dos guitarristas e esbanja lindos solos complexos que alicerçam técnica e feeling. Entretanto, apesar dos atributos mais pesados - que poderiam ser ainda mais caso a produção fosse melhor -, não abrem mão dos elementos que os tornam Angra, como os teclados que simulam piano, orquestrações e outros efeitos, as percussões brasileiras e todos os arranjos e linhas vocais memoráveis, que estimulam o ouvinte a cantar junto. Elementos de Jazz/Blues também podem ser notados em alguns pontos do trabalho. Vale a pena ouvi-lo com carinho. Talvez eu goste tanto dele porque o ouvia muito quando ainda bem novo, acompanhando as letras no encarte (que infelizmente é dobrável! Prefiro grampeado), mas sua qualidade é evidente, mesmo pondo de lado meus fatores emocionais pessoais.
Muito embora "Fireworks" não seja o mais lembrado dos discos, daqui saíram canções muito tocadas ao vivo, como "Lisbon", "Metal Icarus" e, mais atualmente, a brasileiríssima "Gentle Change".
Infelizmente, este foi o último disco lançado com a formação clássica pois, durante a turnê de divulgação, conflitos internos se tornaram parte da rotina, principalmente relacionados com o empresário Antônio Pirani, detentor dos direitos da marca Angra. O desgaste das brigas culminou na debandada geral de membros, com as saídas do vocalista Andre Matos, do baixista Luis Mariutti e do baterista Ricardo Confessori em agosto de 2000, deixando um enorme buraco na formação, levando a constantes especulações sobre o fim do Angra. Tais teorias eram compreensíveis, uma vez que é extremamente difícil reformular uma banda que já tem álbuns clássicos lançados e perde tantos membros de uma vezada só, sendo que um deles é um vocalista tão marcante e conceituado.
Enquanto o Angra amargava em dúvidas, os três ex-membros formaram o Shaman e fariam sucesso mundial com o icônico álbum de estreia "Ritual", que sairia em 2002.
Já no lado do Angra, parecia improvável, mas a dupla de guitarristas Rafael Bittecourt e Kiko Loureiro decidiu dar continuidade ao projeto. Começaram então a minuciosa caça por novos músicos a fim de preencher com perfeição cada uma das vagas. Mais tarde, em março de 2001, a nova formação foi anunciada. Nenhum dos novos integrantes eram conhecidos ainda. Todos vieram de bandas menores e, mesmo que tivessem talento - comprovado com o passar dos anos -, ainda assim eram apostas. Podia não dar certo. Mas a banda precisava tentar. Edu Falaschi (ex-Symbols) assumiu o vocal, enquanto Felipe Andreoli (ex-Karma) ocupou a posição de baixista e Aquiles Priester (Hangar) se tornou o baterista. Era hora do renascimento!
A palavra correta é essa mesmo: "renascimento"! Título mais apropriado para o novo álbum após correr risco de acabar e passar por grande reformulação, impossível. O glorioso "Rebirth" foi lançado em outubro de 2001 novamente pela Steamhammer Records. Com capa novamente a encargo de Isabel de Amorim e produção a assinada pelo excelente Dennis Ward (Pink Cream 69, Unisonic), o disco trás na sua musicalidade a superação de todas as expectativas, a verdadeira volta por cima.
Os brasileiros souberam converter as turbulências passadas em inspiração e desejo de produzir grandes obras e, com isso, acabaram por presentear os fãs com um álbum fodíssimo e criativo. Muito carinho e energias positivas da banda podem ser notados em cada arranjo.
Dessa vez a abordagem está mais voltada para um Symphonic Power Metal recheado com novos elementos. Os característicos riffs Speed adotam uma postura mais melódica, casando bem com os lindos solos que passeiam esbanjando técnica, velocidade e paixão, embelezados ainda por um reverb mais aprofundado, estimulando o feeling. Trabalho excelente também se encontra na bateria, que é bem arranjada e o baixo suporta bem. Graves e heroicos coros são introduzidos aqui e ali em algumas canções, concedendo à elas um clima celestial, divino. Tudo sem esquecer ainda da sempre presente brasilidade, super clara principalmente no maracatu e cantoria em português na introdução e encerramento de "Unholy Wars". Esses positivíssimos fatores, unificados ao fantástico e carismático vocal de um Edu Falaschi jovem e empolgado, ainda capaz de alcançar notas mais elevadas, geraram um álbum forte, de identidade, ao mesmo tempo em que dota de uma musicalidade aberta, com atmosfera feliz e diurna, fácil de ser assimilada. Todas as músicas são destaques e quase o disco inteiro é compreendido por clássicos absolutos, sendo os mais conhecidos deles, certamente, "Nova Era", "Heroes of Sand" e "Rebirth".
O álbum, em menos de dois meses, vendeu mais de 100 mil cópias ao redor do globo, e a turnê mundial de divulgação foi bastante frutífera. Diversos shows foram realizados pelo Brasil, sendo que um deles resultou no primeiro álbum ao vivo, o famoso "Rebirth World Tour: Live In São Paulo", gravado na Via Funchal em 15 de dezembro de 2001 e lançado em CD e DVD no dia 2 de julho de 2003 pela Atrheia Records.
Já no primeiro mês de 2002, o quinteto paulistano retornou ao estúdio para a gravação do EP "Hunters and Prey", lançado pouco depois, em junho. São 38 minutos de músicas que mantém viva a mesma atmosfera maravilhosa de "Rebirth", tornando esse EP uma verdadeira extensão do álbum, até mesmo na capa. O setlist é bastante gostoso de ouvir: compreende algumas regravações de antigas canções da demo "Eyes of Christ", da época do Andre Matos, como as faixas "Live and Learn" e a própria "Eyes of Christ"; a passional "Bleeding Heart" (presente como faixa bônus em edições limitadas de "Rebirth"); versões acústicas das canções "Heroes of Sand" e "Rebirth"; um cover da clássica "Mama", do Genesis; além da inédita faixa-título, que também recebeu uma versão com letra adaptada em português, chamada "Caça e Caçador", faixa esta que encerra o compacto. Quem tem a cópia física também pode desfrutar do videoclipe de "Rebirth" ao rodar no PC.
Ainda antes de embarcar na parte internacional da turnê, um videoclipe de uma versão Metal da música "Pra Frente Brasil" foi gravado. O registro foi bastante transmitido pelo canal esportivo SporTV durante a Copa do Mundo de 2002. Ao embarcar pelo mundo, passaram pelas Américas, Europa e Ásia.
Sem dúvidas, o Angra já era impressionante até esse ponto. Voava alto. Só que o mais fantástico é que "Rebirth" ainda não era o auge absoluto da banda. Seus vôos alcançariam ainda o pleno ápice no disco seguinte, que mostraria uma banda realmente madura e consistente, estratosférica em todos os sentidos: criatividade, virtude, produção e influência.
Considerado muito justamente pela maioria dos fãs como o melhor álbum da banda, é lançado pela SPV GmbH Records em 2004 o magnífico, tirador de fôlego e multi-premiado "Temple of Shadows"! Novamente a arte tem a portuguesa Isabel de Amorim como responsável - belíssima, diga-se de passagem, retratando São Jorge montado em um cavalo branco - e fantástica produção pelo excelente Dennis Ward. Essa é, com toda certeza, uma das maiores obras primas da música brasileira e da história do Metal mundial.
Pela primeira vez os brasileiros vieram com um álbum conceitual de história fictícia muito bem elaborada e imersiva. Com todo o conceito e letras compostos por Rafael Bittencourt, o conto  é assentado no século XI e narra a espiritualmente conflituosa saga de um cavaleiro das Cruzadas chamado "O Caçador de Sombras", que viveu naquele tempo e ingressou no exército do Papa Urbano II. Sua vida transcorre ao longo do álbum por meio de letras que descrevem intimamente seu coração, sentimentos, pensamentos, dúvidas e sede de conhecimento diante do extremamente violento e conquistador mundo do período da Guerra Santa, onde os fanáticos soldados do Papa dominam e agem de forma antagônica à sua devoção à Igreja. As letras sozinhas talvez sejam um pouco abstratas, mas antes de cada uma há, no encarte, um prelúdio que explica ao ouvinte o que se passa naquele momento, posicionando-o corretamente e garantindo a compreensão da história.
Esse foi um dos primeiros álbuns que ouvi pois, por acaso, encontrei na época uma cópia física que meu irmão havia comprado perdida em casa. Se o álbum pode ser impressionante para quem já tem estrada no Metal, imagina pra mim, que era um garoto e tudo ainda era novidade. Ouvi muito. Ouvi pra caralho! Não tinha como não ficar empolgado com esse energético, sólido e inspirado Progressive Metal riquíssimo em elementos musicais, com um vocalista teatral e entregue no pleno cume de sua performance vocal! Porque o "Temple of Shadows" é isso: uma obra-prima composta por canções únicas e singulares, muito longe de qualquer homogeneidade. Cada música tem sua própria cara - sem perder a forte a negra atmosfera do disco -, desde as mais velozes e furiosas às mais calmas e pacíficas. Por vezes os dois extremos se encontram nas mesmas faixas. Tão plural quanto o disco em si são os sentimentos que ele provoca.
Destacável e primorosa, a produção é pesada e clara, com distorções estremecedoras e maravilhosos solos técnicos que sabem quando se comportarem como uma avalanche, e quando tocarem o coração com notas prolongadas. Sem mencionar o exuberante trabalho de bateria de Aquiles Priester, que se mostra bem mais solto e abusa dos recursos que uma bateria Progressiva tem a oferecer. Entre orquestrações, teclados, bandolins, percussões, cellos, elementos rítmicos brasileiros, corais e participações especiais, o álbum se mostra seguro e convincente. Aliás, importante detalhe o das participações especiais, já que músicos de renome participaram desse histórico disco. A primeira a ser apreciada é a austríaca Sabine Edelsbacher (Edenbridge), que empresta seu vocal na heroica "Spread Your Fire" (onde canta lírico) e na triste "No Pain For The Dead", enquanto o alemão Kai Hansen (Gamma Ray e Unisonic, ex-Helloween) faz duetos com Edu Falaschi na alucinada "The Temple of Hate". O vocalista brasileiro também alterna frases na misteriosa "Winds of Destination" com outro conhecido alemão, o Hansi Kürsch (Blind Guardian). Ah, e claro, brasileira como a banda e seus elementos são, mais uma voz brasileira também ganha destaque em "Late Redemption", sendo ela ninguém menos do que Milton Nascimento.
O brilhante trabalho vendeu rapidamente mais de 200 mil cópias e rendeu mais de 50 prêmios à banda! Na sequência, a Temple of Shadows World Tour teve início, levando os paulistanos a excursionarem extensamente por todos os continentes, exceto África.
Infelizmente, ao fim da turnê, tempos negros voltaram a assolar sobre o grupo. Brigas internas e problemas empresariais similares aos que levaram Andre Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori a deixarem a banda seis anos antes irrompiam novamente. Esses problemas - relacionados com o empresário Antônio Pirani - resultaram na pouca divulgação do álbum subsequente.
"Aurora Consurgens", mais um disco com arte gráfica por Isabel de Amorim e produção de Dennis Ward, era pra ter sido um repercussivo registro em comemoração aos 15 anos da banda. Entretanto, foi lançado em 2006 pela Steamhammer Records sob tímido clamor, reforçado pelo fato do disco não ser uma obra tão impactante quanto "Temple of Shadows" foi.
O público carece de carinho pelo trabalho, mas ele não é ruim. De jeito nenhum! Tem conceito: as letras se baseiam no livro de mesmo nome, demonstrando temática mais introspectiva, sobre temas psicológicos. A abordagem musical é mais crua, pesada, sem inventar tanta moda, e Falaschi apresenta vocais menos melódicos e mais agressivos, empregando bastante drives, exatamente em seu modelo atual de cantar. Não deixam a desejar nos arranjos e nos solos, que são fodas. Corais, orquestrações e elementos rítmicos brasileiros se mantém fielmente inseridos nas excelentes canções, algumas delas dignas de repetição. A sempre maravilhosa produção de Dennis Ward deixa tudo ainda melhor. Esmagadora! Entretanto, o registro só não é mega produzido e ambicioso como a banda vinha sendo, cheia de jogadas geniais e mirabolantes. Dá a entender que se dedicaram ao máximo em "Temple of Shadows" e se desgastaram um pouco para "Aurora Consurgens", sem que isso signifique que tenham concluído um trabalho fraco. Fraca mesmo foi a divulgação dele. "The Couse of Nature", "The Voice Commanding You", "Breaking Ties" e "So Near, So Far" mostram que a postura mais direta é excelente e vale a audição.
Nos tempos que sucederam ao lançamento, os problemas internos só se agravavam mais e mais, levando a banda à uma amargo hiato que tecia novas especulações sobre troca empresarial (por mais que Pirani fosse dono dos direitos da banda), ou até mesmo, na pior das hipóteses, o fim do Angra.
Intrigas também envolviam os próprios músicos, principalmente relacionados com o baterista Aquiles Priester, que se mostrava publicamente irritado. Após várias tretas e uma provável "caída na porrada" com Rafael Bittencourt, o resultado não pôde ser diferente: Aquiles Priester estava demitido em 2008. No seu lugar, voltou o antigo baterista Ricardo Confessori.
Já que as atividades estavam suspensas, alguns membros passaram a se dedicar mais a projetos paralelos. O vocalista Edu Falaschi fundou sua carreira solo e lançou, ainda em 2006, o debut "Almah". Apenas um tempo depois é que o título do álbum se tornaria também o nome da banda, com o intuito de torná-la um projeto sério ao invés de carreira solo. Já o guitarrista Rafael Bittencourt deu vida ao Bittencourt Project e lançou o primeiro álbum "Brainworms I" em 2008, revelando que além de um grande guitarrista e compositor, também é dono de uma voz extraordinária! Kiko Loureiro foi outro que não ficou parado. Também em 2006 lançou seu terceiro álbum solo, "Universo Inverso", subsequenciado pelo "Fullblast" em 2009.
O tempo passava e o futuro do Angra era incerto. Muitos já davam a banda como acabada. Porém, para a surpresa e alegria dos fãs, foi anunciado em 2009 que o quinteto estava de volta à ativa, realizaria shows pelo Brasil ao lado do Sepultura e lançaria um novo álbum em 2010, tudo sob nova gestão empresarial, agora com Monika Cavalera (ex-mulher de Max Cavalera). A expectativa foi imensa e os shows tiveram bom público, tornando a turnê bem-sucedida.
A preparação para o novo disco foi repleta de expectativas, muitas delas provocadas pela própria banda, que incendiava a admiração dos fãs com promessas de um grande álbum. A exemplo de "Holy Land", o conjunto se isolou no sítio de Ricardo Confessori em Santa Isabel, interior de São Paulo, para máxima dedicação e concentração nas sessões de composição e ensaios. Todo o processo foi registrado e publicado no YouTube para que os fãs acompanhassem o andamento e as novidades. O clima era de confiança no trabalho. Havia uma aparente certeza de que seria fantástico.
A primeira single "Arising Thunder", lançada em julho de 2010, foi bem aceita, mas não encarada como impressionante ao nível do que a banda prometeu. Contudo, a esperança de um álbum com as outras canções mais fortes ainda persistia. Com o lançamento do aguardadíssimo "Aqua" em agosto através da Voice Music Records, todas as esperanças de muitos fãs ruíram diante de um álbum que deixa bastante a desejar.
A capa, agora assinada por Gustavo Sazes, é lindíssima, mas a produção de Brendan Duffey e Adriano Daga não foi tão boa quanto a de Dennis Ward, pois é levemente abafada e não realçou a potência dos instrumentos como se gostaria. O conceito do trabalho também é promissor, já que toma inspiração na peça "A Tempestade", de William Shakespeare. Entretanto, o resultado musical foi bastante ameno, pra não dizer fraco.
Aqueles músicos que lançaram tantos álbuns memoráveis no passado agora voltavam com um registro sem inspiração, homogêneo demais, sem polimento. Coros, cellos, pianos e teclados podem ser bem explorados, mas seus belos atributos não salvaram o álbum de sua própria falha. Não é exatamente ruim, mas é sem graça. Algumas canções valem a pena ouvir, como a própria "Arising Thunder", "Awake From Darkness" e "The Rage of The Waters", elas que são justamente as únicas mais pegadas do disco, contrastando com as demais que são "comportadas". Embora sejam ótimas, estão longe de serem uma das referências de melhores sons da banda. A tranquila "Lease of Life", que foi a segunda single, também é muito boa, mas dota de uma atmosfera similar à do restante do disco, principalmente na segunda metade, com postura cadenciada e ao mesmo tempo turbulenta. Não é cativante, não se absorve nada.
Mesmo com o disco fraco, ainda era Angra. Uma turnê mundial sucedeu ao lançamento, passando pelas Américas, Europa e Ásia. Um dos shows no Brasil aconteceu no dia 25 de setembro no palco Sunset do Rock In Rio, contando com a ilustre participação da vocalista Tarja Turunen (ex-Nightwish), que acompanhou a banda na reprodução de covers de "Phantom of The Opera" (originalmente de Andrew Lloyd Webber) e "Wuthering Heights", de Kate Bush, que não era tocada desde os tempos do Andre Matos. Infelizmente aquele que tinha tudo pra ser um grande show foi prejudicado por problemas técnicos. O som do palco estava péssimo.
Por volta dessa época, Edu Falaschi desenvolveu problemas de refluxo, prejudicando sua voz. Ele não mais era capaz de cantar tão bem e tão alto, o que gerava muitas críticas sobre sua performance. O músico teve que passar por tratamento e repouso para que pudesse voltar a cantar apropriadamente. Somando o problema de saúde com conflitos internos, o Angra novamente passou por uma época obscura com a inesperada saída do vocalista em maio de 2012, fazendo com que o show no Rock In Rio tivesse sido o seu último junto da banda. Com a saída, sua atenção passou a cair integralmente em sua outra banda, o Almah.
Enquanto isso, o Angra passava por nova pausa, aproveitada para lançar em 2012 a primeira coletânea da discografia, intitulada "Best Reached Horizons". De qualquer forma, com o status que tinham naquele ponto, os caras não podiam mais se arriscar com vocalistas desconhecidos, fora que não seria uma atitude tão inteligente, promocionalmente falando. Diversos nomes foram especulados como prováveis sucessores de Edu Falaschi, tais como Alírio Netto (Age of Artemis) e até mesmo Bruno Sutter (Detonator, ex-Massacration), pois os cantores realmente realizaram shows com a banda. No fim das contas, quem acabou por assumir - temporariamente, a princípio - a posição para uma nova turnê em 2013 foi, surpreendentemente, o italiano Fabio Lione, conhecido por seu trabalho como frontman das bandas Rhapsody of Fire e Vision Divine. Sua escolha foi uma surpresa pois, embora carismático, o italiano não tem estilo vocal compatível com o estilo dos brasileiros, nem seria o mais apto a reproduzir as canções gravadas com os dois vocalistas anteriores - ou pelo menos era o que se pensava durante os primeiros tempos e primeiros shows.
A chegada de Lione coincidiu com o aniversário de 20 anos de lançamento de "Angels Cry". Uma turnê comemorativa de aniversário estava prestes a começar. Chegou-se a especular a volta de Andre Matos, mas o mesmo recusou qualquer chance e realizou sua própria turnê comemorativa junto de sua banda solo.
A excursão dos 20 anos do primeiro álbum da banda foi tão bem-sucedida que ganhou extensão até o ano seguinte. Seu grande fruto foi o lançamento de mais um estupendo álbum ao vivo em 2013 pela earMUSIC, intitulado "Angels Cry: 20th Anniversary Tour". Gravado no HSBC Brasil, em São Paulo, no dia 25 de agosto de 2013, o álbum demonstra uma banda com excelente performance, aquecida pelas participações especiais de convidados como a vocalista Tarja Turunen (cantando "Wuthering Heights" e "Stand Away", que ficou incrível mesclando os líricos dela aos de Lione), o guitarrista Uli Jon Roth (ex-Scorpions) também em "Wuthering Heights", a família Lima nos violinos e cellos, entre outros.
Mesmo que as opiniões tenham se divergido entre os fãs sobre os benefícios da provável efetivação do italiano na linha de frente, o conjunto já estava com pensamento certo sobre sua permanência. Rolou identificação com o cantor ao longo da estrada. Sentiam-se bem com ele, a turnê foi um sucesso, ele era famoso e gostava da banda - inclusive havia deixado claro que assumiria de vez a posição, caso convidado. Só faltava oficializar. A nota sobre sua permanência foi expedida em novembro de 2013, juntamente com a confirmação de que um novo álbum estava a caminho.
Eu mesmo não fui muito a favor pois, mesmo que goste muito dele, tenha gostado de presenciar um dos shows da turnê e tenha crescido ouvindo Rhapsody of Fire, sempre julguei aquela banda como a única compatível com sua voz. Juntando isso com um sentimento geral entre os fãs de um Angra em baixa, que só vinha de problemas e mais problemas e álbuns fracos, a expectativa para esse novo disco foi mais dosada.
Outra reformulação no line-up ocorreu em 2014 após o anúncio da nova saída de Ricardo Confessori, algo comemorado por muitos fãs, já que seu desempenho nos palcos não vinha sendo satisfatório. Confessori ainda permaneceu até o fim da turnê de 20 anos do "Angels Cry". Ao fim dela, o jovem Bruno Valverde assumiu as baquetas. Embora desconhecido pelo grande público, o garoto tinha a confiança de Kiko Loureiro e Felipe Andreoli, pois tocou no projeto solo do guitarrista.
Após um minucioso processo de composição de novas músicas com outro acompanhamento online através do canal oficial do Angra no YouTube, finalmente foi lançado em dezembro de 2014 no Japão e em janeiro de 2015 no restante do mundo, o aguardado e salvador oitavo álbum de estúdio, chamado "Secret Garden". Provavelmente o receio que eu guardava há 5 anos desde o "Aqua" só me ajudou a ficar ainda mais impressionado com esse trabalho.
Dessa vez não era só promessa, era realidade. "Secret Garden", pré-produzido pelo renomado Roy-Z e produzido de fato por Jens Bogren, mostrou-se um álbum à altura do nome da banda, possuindo canções brilhantes, marcantes com todo o inconfundível estilo Angra de fazer música, como de volta ao auge. Certamente esse é o trabalho mais Progressive Metal do conjunto, cheio de quebradeiras e solos sinistros, mas sem exagerar com na exploração desses atributos, evitando, portanto, que fique cansativo. A inspiração e vontade de criarem mais um grande álbum é clara e latente o tempo inteiro. É possível sentir a explosão de energia positiva nos atingindo.
Fabio Lione caiu muito melhor do que o mais otimista fã poderia imaginar. Seu estilo teatral oscilante de altas notas a sussurros casou bem com o estilo da banda, já que o Angra é também historicamente uma banda de momentos, com passagens mais pegadas e outras mais amenas. Claros e lindos ritmos percussivos brasileiros, corais, orquestrações e teclados são sabiamente alocados nas exatas lacunas que clamam por elas, intensificando o excelente efeito positivo no ouvinte e ainda concedendo flashes de "Temple of Shadows". Apesar da distante lembrança, "Secret Garden" é bastante único, assim como cada um dos outros álbuns da discografia.
Novidades não poderiam faltar! Com a "descoberta" do potencial vocal de Rafael Bittencourt em seu projeto solo e a atitude de cantar algumas músicas ao vivo, estava meio evidente mesmo que ele soltaria a voz em um novo trabalho do Angra. Foi o que aconteceu em canções como "Storm of Emotions", "Violet Sky", entre outras. Contudo, não enxergo sua participação de forma tão positiva. Não soa natural. Parece um intruso, por mais que cante pra cacete. O disco provavelmente ficaria ainda melhor se tivesse linearidade vocal: apenas com Fabio Lione e as participações especiais. Sim, o disco conta com participações especiais, e de peso! Doro Pesch (Doro, ex-Warlock) canta lado a lado com Rafael em "Crushing Room", enquanto Simone Simons (Epica) ficou encarregada de cantar integralmente a faixa-título. Mesmo que a holandesa seja proprietária de um vocal lindo e respeitável, entregar a faixa-título a uma participação especial não foi uma atitude que eu aprove. "Secret Garden" ficou um pouco chatinha e mais parece uma faixa do Epica intrusa em meio a um disco do Angra do que uma canção propriamente dos brasileiros. Nas demais canções, a identidade dos paulistanos segue vívida.
Apesar de alguns pontos não muito concordáveis, o trabalho não fica ofuscado devido à grande competência. Equipara-se ao "Rebirth" no sentido da facilidade de assimilação. Não é carregado, cansativo. Seus 50 minutos fluem levemente e rapidamente o ouvinte já conhece as músicas. Sua atmosfera mais aberta e facilmente degustável é fascinante!
Em 2015, o guitarrista Kiko Loureiro recebeu a honra do convite de Dave Mustaine para se juntar ao Megadeth na gravação de um novo álbum e posteriores shows. O brasileiro, sob absoluto apoio de seus companheiros do Angra, aceitou o convite e está oficialmente na banda. Kiko dificilmente conseguirá conciliar a agenda de duas bandas grandes. Por isso o conjunto já busca um substituto para sua função.
Nos tempos atuais, o Brasil vive um momento renascentista no que diz respeito ao surgimento de bandas de qualidade no território nacional. Uma grande parcela delas é, direta ou indiretamente, influenciada pelos gigantes Angra e Sepultura, o que só reforça a importância dos conjuntos. Independente de tretas, problemas empresariais, caráter dos músicos, o Angra é gigante e nos deixa um legado rico e inspirador que jamais será esquecido. Sem dúvidas, não gostar é questão de gosto, mas respeitar é questão de juízo.

Texto por: Walker Marques.


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 Reaching Horizons (Demo) (1993)

01 - Evil Warning
02 - Time
03 - Reaching Horizons
04 - Carry On
05 - Queen of The Night
06 - Angels Cry
07 - Don't Despair (Bonus Track)
08 - Wuthering Heights (Speed Version) (Kate Bush Cover) (Bonus Track)

 Angels Cry (1993)

01 - Unfinished Allegro
02 - Carry On
03 - Time
04 - Angels Cry
05 - Stand Away
06 - Never Understand
07 - Wuthering Heights
08 - Streets of Tomorrow
09 - Evil Warning
10 - Lasting Child

Ouvir (Spotify)

 Evil Warning (EP) (1994)

01 - Evil Warning
02 - Angels Cry
03 - Carry On
04 - Wuthering Heights (Kate Bush Cover) (Edit Version)
05 - Time (Acoustic Version)

 Eldritch/Angra (Split) (1995)

01 - Eldritch: Incurably Ill
02 - Eldritch: Colors
03 - Angra: Angels Cry
04 - Angra: Streets of Tomorrow

 Live Acoustic At FNAC (EP) (1995)

01 - Angels Cry (Acoustic Version)
02 - Chega de Saudade (Tom Jobim Cover)
03 - Never Understand (Acoustic Version)

 Eyes of Christ (Demo) (1996)

01 - Nothing To Say
02 - Silence and Distance
03 - Z.I.T.O.
04 - Holy Land
05 - Make Believe
06 - Eyes of Christ
07 - River To The Sky
08 - Deep Blue
09 - Live and Learn
10 - The Shaman
11 - Spell
12 - Lullaby For Lucifer
13 - Freedom Call

 Holy Land (1996)

01 - Crossing
02 - Nothing To Say
03 - Silence and Distance
04 - Carolina IV
05 - Holy Land
06 - The Shaman
07 - Make Believe
08 - Z.I.T.O
09 - Deep Blue
10 - Lullaby For Lucifer
11 - Queen of The Night (Remixed Version) (Bonus Track)

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 En Tournée (Split) (1996)

01 - Message D'Andre Matos
02 - Angra: Time
03 - Angra: The Shaman
04 - Vanden Plas: My Crying
05 - Vanden Plas: Father

 Freedom Call (EP) (1996)

01 - Freedom Call
02 - Queen of The Night (Remixed Version)
03 - Reaching Horizons
04 - Stand Away (Orchestral Version)
05 - Painkiller (Judas Priest Cover)
06 - Deep Blue (Edited Version)
07 - Angels Cry (Acoustic Version)
08 - Never Understand (Acoustic Version)

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 Holy Live (Live) (1997)

01 - Crossing
02 - Nothing To Say
03 - Z.I.T.O.
04 - Carolina IV
05 - Unfinished Allegro
06 - Carry On

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 All Acoustic (EP) (1997)

01 - Angels Cry
02 - Time
03 - Make Believe
04 - Carry On
05 - Lullaby For Lucifer
06 - Reaching Horizons
07 - Holy Land
08 - Jam
09 - Wuthering Heights
10 - Chega de Saudade (Tom Jobim Cover)
11 - Never Understand
12 - Wasted Years (Iron Maiden Cover)

 Lisbon (Single) (1998)

01 - Lisbon
02 - Make Believe (Acoustic Version)
03 - Angels Cry (Old Version)

 Rainy Nights (Single) (1998)

01 - Rainy Nights (Album Version)
02 - Rainy Nights (Radio Edit)
03 - Rainy Nights (Instrumental Version)

 Acoustic... and More (EP) (1998)

01 - Angels Cry
02 - Chega de Saudade (Tom Jobim Cover)
03 - Never Understand
04 - Evil Warning (1994 Version)
05 - Angels Cry (1994 Version)
06 - Carry On (1994 Version)
07 - Wuthering Heights (Edit Version)

 Fireworks (1998)

01 - Wings of Reality
02 - Petrified Eyes
03 - Lisbon
04 - Metal Icarus
05 - Paradise
06 - Mystery Machine
07 - Fireworks
08 - Extreme Dream
09 - Gentle Change
10 - Speed
11 - Rainy Nights (Bonus Track)

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 Rebirth (2001)

01 - In Excelsis
02 - Nova Era
03 - Millenium Sun
04 - Acid Rain
05 - Heroes of Sand
06 - Unholy Wars
07 - Rebirth
08 - Judgement Day
09 - Running Alone
10 - Visions Prelude
11 - Bleeding Heart (Bonus Track)

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 Hunters and Prey (EP) (2002)

01 - Live and Learn
02 - Bleeding Heart
03 - Hunters and Prey
04 - Eyes of Christ
05 - Rebirth (Acoustic Version)
06 - Heroes of Sand (Acoustic Version)
07 - Mama (Genesis Cover)
08 - Caça e Caçador

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 Rebirth World Tour: Live In São Paulo (2002)

CD 1:
01 - In Excelsis
02 - Nova Era
03 - Acid Rain
04 - Angels Cry
05 - Heroes of Sand
06 - Metal Icarus
07 - Millenium Sun
08 - Make Believe
09 - Drums Solo

CD 2:
01 - Unholy Wars
02 - Rebirth
03 - Time
04 - Running Alone
05 - Crossing
06 - Nothing To Say
07 - Unfinished Allegro
08 - Carry On
09 - The Number of The Beast (Iron Maiden Cover)

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 5th Album Demos (Demo) (2004)

01 - Spread Your Fire
02 - Waiting Silence
03 - Wishing Well
04 - Late Redemption (March 2002)
05 - Angels and Demons (2nd Mix - Higher Vox)
06 - Waiting Silence (Apr-2004 + Power 2nd Version)
07 - Winds of Destiny (A) (Apr-2004 - Falta Letra)
08 - Winds of Destiny (B) (Apr-2004 - Falta Letra)
09 - Spread Your Fire (Apr-2004 - Different Refrain)
10 - Shadow Hunter (May 3, 2004)
11 - Wishing Well (May 4, 2004 [Worked Out] No Keys)
12 - Morning Star (May 6, 2004)
13 - Spread Your Fire (May 17-21 - Pre Prod.)
14 - Wishing Well (May 10, 12 -14 - 3rd version - Pre Prod.)

 Temple of Shadows (2004)

01 - Deus Le Volt!
02 - Spread Your Fire
03 - Angels and Demons
04 - Waiting Silence
05 - Wishing Well
06 - The Temple of Hate
07 - The Shadow Hunter
08 - No Pain For The Dead
09 - Winds of Destination
10 - Sprouts of Time
11 - Morning Star
12 - Late Redemption
13 - Gate XIII

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 Aurora Consurgens (2006)

01 - The Course of Nature
02 - The Voice Commanding You
03 - Ego Painted Gray
04 - Breaking Ties
05 - Salvation: Suicide
06 - Window To Nowhere
07 - So Near So Far
08 - Passing By
09 - Scream Your Heart Out
10 - Abandoned Fate
11 - Out of This World (Bonus Track)

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 Aqua (2010)

01 - Viderunt Te Aquæ
02 - Arising Thunder
03 - Awake From Darkness
04 - Lease of Life
05 - The Rage of The Waters
06 - Spirit of The Air
07 - Hollow
08 - A Monster In Her Eyes
09 - Weakness of A Man
10 - Ashes
11 - Lease of Life (Remixed Version) (Bonus Track)

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 Best Reached Horizons (Compilation) (2012)

01 - Unfinished Allegro
02 - Carry On
03 - Angels Cry
04 - Nothing To Say
05 - Z.I.T.O.
06 - Wings of Reality
07 - Lisbon
08 - In Excelsis
09 - Nova Era
10 - Bleeding Heart
11 - Live and Learn
12 - Deus Le Volt!
13 - Spread Your Fire
14 - Angels and Demons
15 - The Voice Commanding You
16 - Scream Your Heart Out
17 - Arising Thunder
18 - Lease of Life

 Angels Cry 20th Anniversary Tour (Live) (2013)

CD 1:
01 - Angels Cry
02 - Nothing To Say
03 - Waiting Silence
04 - Lisbon
05 - Time
06 - Millenium Sun
07 - Winds of Destination
08 - Gentle Chance
09 - The Voice Commanding You
10 - Late Redemption
11 - Silence and Distance (Bonus Track)
12 - Reaching Horizons
13 - A Monster In Her Eyes

CD 2:
01 - No Pain For The Dead
02 - Stand Away (feat. Tarja Turunen)
03 - Wuthering Heights (Kate Bush Cover) (feat. Tarja Turunen)
04 - Evil Warning
05 - Unfinished Allegro/Carry On
06 - Rebirth
07 - In Excelsis
08 - Nova Era

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 Secret Garden (2015)

01 - Newborn Me
02 - Black Hearted Soul
03 - Final Light
04 - Storm of Emotions
05 - Synchronicity II (The Police Cover) (Bonus Track)
06 - Violet Sky
07 - Secret Garden
08 - Upper Levels
09 - Crushing Room
10 - Perfect Symmetry
11 - Silent Call

Bonus CD - Live At Loud Park 2013:
01 - Angels Cry
02 - Nothing To Say
03 - Waiting Silence
04 - Time
05 - Lisbon
06 - Winds of Destination
07 - Gentle Change
08 - Unfinished Allegro
09 - Carry On
10 - Rebirth
11 - Nova Era

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4 comentários:

  1. Parabens Pelo Site Muito Bom

    Guerreiros Do Metal \,,/,

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  2. \,,/. (°v°) .\,,/
    \\ | | //
    |---|

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  3. Valeuuu..
    Estava no aguardo desse novo album..(y)

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